Ailton Villanova

13 de setembro de 2019

Apesar de tudo, igual aos outros!

A existência nos altos celestiais andava no maior marasmo ou, como diria Zé Bartolomeu, o Babá, “devagar, quase parando”. Não acontecia nada de novo. Tudo certinho. Então, Jesus Cristo, que nunca foi de ficar na imobilidade, procurou fazer alguma coisa. Chegou pra São Pedro e disse:

– Pedrão, acho aque vou dar uma voltinha lá na Terra!

E São Pedro:

– Mas por que, Senhor?

– É que eu quero me movimentar um pouco. Talvez pratique algum milagre, quem sabe?

Então, Jesus voltou à Terra. Sua primeira passagem foi na periferia de Maceió, onde os carroceiros, impunemente, têm feito a maior zona, espalhando lixo pra tudo quanto é lado. Em seguida, visitou algumas escolas públicas das áreas mais pobres da Capital. Viu, constrangido, muitas delas abandonadas, caindo aos pedaços.

Jesus Cristo assistiu, estarrecido, o tráfico desenfreado de drogas, a proliferação da prostituição de meninas e meninos e o recrudescimento da violência, tudo isso nas barbas da polícia. Depois disso, Ele deu um pulinho no maior posto do SUS, onde havia uma imensidão de pacientes na fila e apenas um médico para atender no ambulatório. O doutor já estava exausto de tanto trabalhar. O fato compadeceu o Filho de Deus, que resolveu ajudá-lo.

Cristo pegou um jaleco na enfermaria, vestiu-o e se dirigiu ao consultório. Os pacientes se alegraram:

– Chegou outro doutor, graças a Deus!

Jesus aproximou-se do médico e disse:

– Pode ir descansar que eu assumo o resto do plantão.

Agradecido, o esculápio se mandou.

Jesus Cristo pediu à atendente de enfermagem para chamar o próximo paciente. Ela chamou, e entrou no consultório com um paraplégico sentado numa cadeira de rodas. O infeliz estava todo escatembado. O Senhor olhou pra ele com ar de santa piedade, chegou mais pra perto e, com a palma da mão direita sobre sua cabeça, ordenou:

– Levanta-te e anda!

O homem levantou-se, andou, e saiu todo lampeiro empurrando a cadeira de rodas. Quando chegou ao corredor, o próximo da fila perguntou:

– E aí, meu irmão, como é que é esse novo doutor?

O ex-aleijado respondeu, com cara de decepção:

– Igualzinho aos outros… nem examina a gente!

 

 

Todo mundo correu junto!

 

O sertanejo Marcelino Urubá voltou à Capital depois de muitos anos, e encontrou grandes novidades. Resolveu os negócios que tinha de resolver e depois, folgado, optou por um passeio pela Rua do Comércio. Ao passar por determinada loja, ele viu na vitrine uma câmera fotográfica moderníssima, e encantou-se por ela. Entrou lá e disse para a balconista:

– Minha linda, me dê uma maquininha daquelas?

E a moça:

– Aquela é uma câmera digital, que faz tantas fotos quantas o senhor quiser.

– Pois é essa mesmo que eu quero!

Urubá chegou à sua propridade exibindo a câmera como se fosse um troféu. Chamou o pessoal e anunciou:

– Vamos todo mundo tirar retrato! Chegue pra perto da cerca de arame farpado, que eu vou fotografar vocês!

Dito isto, Urubá programou o temporizador e correu para junto de todos. Quando os outros o viram correr, saíram na maior disparada, se rasgando na cerca.

– Quê que foi que aconteceu, minha gente? – perguntou, espantado, o Marzupiécio.

Sua tia, dona Arnobia, respondeu:

– Se você que conhece esse negócio ficou com medo, imagine nós, que não conhecemos…

 

 

O problema era saber onde ele estava!

 

Uma senhora de 68 anos milagrosamente deu à luz um menino. Quando ela teve alta hospitalar, foi pra casa, e seus familiares e amigos foram todos visitá-la.

– Podemos ver o novo bebê? – perguntou uma sobrinha.

– Ainda não. – respondeu a mãe. – Vou fazer um café e poderemos conversar um pouco antes.

Passaram-se trinta minutos e outro parente perguntou:

– Podemos ver o bebê agora?

– Não, ainda não.

Depois de mais alguns minutos, eles perguntaram de novo:

– Será que a gente já pode ver o bebê?

E a mãe:

– Ainda não. Ainda não.

Impacientes, eles perguntaram mais uma vez:

– Afinal, quando é que poderemos ver o bebê?

– Quando ele chorar! – disse a mãe.

– Quando ele chorar?! E por que temos que esperar ele chorar?

– Porque eu me esqueci onde o coloquei!

 

 

Tentando desembarcar, mas…

 

Num vagão de metrô, em São Paulo, um anão começou a escorregar pelo banco e um outro passageiro, solidário, o recolocou na posição. Pouco depois o anão escorregou novamente e o mesmo passageiro o recolocou no assento. Quando a situação se repetiu pela quinta vez, o cara, já irritado, broqueou com o anão:

– Será que você não consegue ficar sentado sem escorregar?

Ao que o anãozinho respondeu, no mesmo tom:

– Meu amigo, já passamos por cinco estações, estou tentando desembarcar, mas o senhor não deixa!

 

Com Diego Villanova