Antônio Pereira

27 de abril de 2020

Descaradamente, Bolsonaro deve usar a Polícia Federal para livrar a cara dele e dos filhos

Tão claro como um dia de sol em Maceió, o presidente Jair Bolsonaro tenta desesperadamente evitar que seus filhos vejam este sol dentro de uma cela de penitenciária. Nitidamente, as investigações da Polícia Federal, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, apontam para a participação do vereador do Rio, Carlos e do deputado federal por São Paulo, Eduardo Bolsonaro como líderes de uma organização criminosa especialista em propagar notícias falsas (fake news) contra adversários políticos do chamado bolsonarismo.

A maior de todas as cartadas foi a saída do ex-juiz Sérgio Moro do Ministério da Justiça, por não ter aceitado a ingerência presidencial nas investigações da Polícia Federal.

Para se blindar e blindar os filhos, Bolsonaro deve indicar dois nomes de sua cozinha para os cargos de Ministro da Justiça e Diretor da Polícia Federal. Os dois nomes aventados pela imprensa são de pessoas próximas aos filhos de Bolsonaro. Um deles é compadre de Eduardo Bolsonaro e o outro vive em festas com Carlos Bolsonaro.

Bolsonaro e seus filhos sabem que praticamente todas as fake news usadas agora e durante a campanha eleitoral de 2018 tiveram como objetivo criar deliberadamente confusão na opinião pública, beneficiando seu grupo político. Prova disso são as inúmeras mensagens em redes sociais que servem como aglutinadoras dos bolsonaristas em todo o país. Por conta das fake news o google, facebook, whatsaap e outras redes sociais criaram mecanismos para evitar a propagação das notícias falsas, ou mentirosas.

Carlos Bolsonaro, chamado pelo pai de pitbull é uma espécie de chefe dessa intricada organização de divulsão de notícias falsas. A CPMI que investiga esse tipo de atividade estima que vários servidores públicos, espaços públicos de poder e empresários fazem parte da organização criminosa. O chamado gabinete do ódio funciona no mesmo andar que o escritório do presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto.

Cabe agora ao ministro do STF Alexandre de Moraes conduzir as investigações sobre o caso. Inclusive, o ministro já determinou que os quatro delegados que conduzem a investigação não sejam substituídos, num claro objetivo de evitar que as mudanças no Ministério da Justiça e na Polícia Federal interfiram no curso das investigações para beneficiar os filhos do presidente. O deputado federal Eduardo Bolsonaro já tentou várias vezes paralisar as investigações no Supremo,  numa nítida demonstração de medo com o que pode ser revelado.

Assim, não há dúvida que a saída do ministro Sérgio Moro e a consequente indicação de amigos para os cargos é uma tentativa deliberada do presidente em tentar salvar a pele dos filhos e dele próprio. Nos próximos dias Bolsonaro deve encarar uma série de pedidos de impeachment.

Quem viver verá.