Antônio Pereira

24 de abril de 2020

Bolsonaro desmoraliza Sérgio Moro que se agarra ao cargo de ministro

A demissão hoje do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Leite Valeixo deixa claro que Jair Bolsonaro rasgou a suposta carta branca que teria dado ao ex-juiz Sérgio Moro quando da sua indicação para o Ministério da Justiça.

O Diário Oficial da União traz hoje a demissão que, segundo relatos da imprensa, não teria a anuência do ministro Sérgio Moro. De acordo com o levantamento dos jornalistas que cobrem a política em Brasília, Moro teria ficado indignado ao tomar conhecimento que a exoneração do seu indicado na PF foi publicada durante a madrugada. Numa clara demonstração de ruptura ou racha entre Moro e Bolsonaro a Polícia Federal corre para ser uma instituição a serviço da família Bolsonaro de vez.

Vale lembrar que Sérgio Moro aceitou o Ministério Justiça com a promessa de que teria carta branca para indicar cargos-chave, principalmente na Polícia Federal. Acontece que a família Bolsonaro está envolvida em duas grandes investigações realizadas exatamente pela Polícia Federal.

A investigação sobre a máfia das fake news aponta para a participação dos três filhos do presidente nos crimes. Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro são apontados como integrantes e mentores do chamado ‘gabinete  do ódio’, composto em sua maioria por funcionários públicos indicados pelos irmãos. Ou seja: além de crimes de difusão de notícias falsas, o gabinete do ódio utiliza mão-de-obra paga pelo erário público.

Sérgio Moro agora é um fantasma político, pois não serve mais para a família Bolsonaro. Agora, o presidente se aproxima rapidamente do chamado ‘centrão’, indicando várias pessoas ligadas a políticos investigados pelo próprio Moro.

Assim, tudo indica que Sérgio Moro, caso tenha o mínimo de dignidade, deve sair do governo, rompendo como bolsonorismo de vez.

Sérgio Moro tinha como principal promessa de Bolsonaro a indicação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) a partir do meio do ano com a saída do ministro Celso de Melo. Moro então ficará sem cargo, caso peça demissão, e também não será mais juiz, pois teve que renunciar para ser ministro da Justiça.

Sem Ministério, sem magistratura, sem STF, Moro agora vaga pelos corredores, tendo na boca o sabor da traição.

Segue o bonde.