Ailton Villanova

6 de fevereiro de 2020

Uma questão de gentileza

      Rapaz finíssimo e de boa família, Rodonivaldo Tobias é incapaz de ofender uma mosca, quanto mais um seu semelhante. Boa-pinta, está sempre na dele. Pelo seu jeito delicado há quem o confunda. Garantem seus parentes e amigos mais próximos que ele é muito macho.

Rodonivaldo só teve uma namorada na vida, a lourinha Nilza, que ainda morre de amores por ele. Garante a gostosura que o romance só terminou devido a timidez do amado.

– Valdinho é um tremendo espada! – aduz.

Ocorre que na rua onde mora esse ilustre mancebo reside também o boiolão chamado Doroteu – Dó, para a galera. É não é que Dó é apaixonadérrimo pelo Rodonivaldo! De tudo tem feito para conquistá-lo. O máximo que conseguiu foi uma visita deste ao seu chalé. E uma bela surpresa, seguida de grande decepção.

Seguinte:

Todos os dias Dó se produzia todo e ficava desfilando no quarteirão, só para chamar a atenção do belo Rodonivaldo. Até que no final de tarde de uma certa quarta-feira, a bichona pegou o garotão dando sopa e atacou:

– Ôôôiii, gostosão…

E Rodonivaldo, sempre gentil:

– Oi, como vai o senhor?

– Se-senhooorrr? Oh! O senhor está no céu, meu amooorrr…

– É verdade.

– Tá a fim de conhecer minha residência?

E Rodonivaldo, educadíssimo:

– Será um prazer…

– Vamos, então?

Não demorou nadinha e lá estavam os dois no bangalô da bichona. Primeiro, veio o jantar requintadíssimo. Depois, boa música, sorvete, pudim, cafezinho… E Rodonivaldo se sentindo prestigiadíssimo. Mais um pouco de papo e o viadão achou que estava na hora do “vamover”:

– E agora, gostosão, pra terminar nossa noitada ma-ra-vi-lho-sa em alto estilo, vou lhe ceder a minha bunda!

O educadíssimo visitante levantou-se e interrompeu o anfitrião:

– Não senhor! Depois que me recebeu tão bem e ter feito tudo para me agradar… Não, não é justo. Eu faço questão: quem vai ceder a bunda sou eu!

 

Grande promessa!

Raimundinho entrou em casa todo feliz, carregando o material de atleta de futebol debaixo do braço. Seu pai, Raimundo Nonato, o abordou:

– E aí, meu garoto, como foi no treino?

E o menino, mais feliz ainda:

– Legal, painho! O treinador disse que eu sou uma grande promessa de gol!

– Que beleza, filho! Quer dizer que você é um grande artilheiro, hein?

– Não, pai, sou goleiro!

 

Dá pra outro!

O sujeito fortão, maior pinta de brabo, subiu no ônibus do Benedito Bentes e ficou em pé no corredor. O carro estava lotadíssimo, mas parou no ponto seguinte subiu um rapazinho, que encostou atrás do parrudão.

– Quê que você tá fazendo aí, rapaz? – interrogou o cara de mau.

– Eu? Nada não, senhor – respondeu o garoto, morrendo de medo.

– Então dá a vaga pra outro, porra!

 

Desplugado

Aquele cara, o Correínha, chegou em casa e encontrou sua amada e esbelta esposa, com o médico da família em cima da cama. Aí, deu uma de brabo:

– Mas o que é isso, Margarida?! O que é que o doutor está fazendo     aí?

E o esculápio, no maior sangue frio:

– Eu estou examinando sua esposa, não está vendo? Ela tem uma coisa muito estranha. De dentro do seu peito sai uma música!

Correínha desconfiou:

– Peraí!

Dito isto, doi até a cama, colocou o ouvido no peito da mulher e exclamou:

– Não estou ouvindo nada!

– É claro que não está! – respondeu o médico. – Você não está plugado!

 

De pentelho em pentelho…

O cara entrou no consultório do médico Paulo Affonso Cristhino se queixando de uma dor terrível no estômago. O doutor o examinou, mas não conseguiu descobrir o que ele tinha.

– Olha, meu amigo – disse o esculápio -, sinceramente, eu não tenho a menor ideia do que está causando essa dor no seu estômago. Só vejo um jeito de resolver isso: vou pedir uma radiografia!

O resultado não foi muito revelador. Pela chapa radiográfica dava para ver um volume estranho dentro da barriga do sujeito.

– Vou ter que fazer uma intervenção cirúrgica em você, meu amigo. Vou abrir sua barriga agora mesmo!

Desesperado, o paciente topou e doutor Paulo Affonso chamou na grande. Dentro da barriga do cara havia uma autêntica peruca, que foi retirada com habilidade pelo médico. Num instantinho a dor desapareceu. Mas o barato continuava grilando doutor Paulo Affonso:

– Me explique uma coisa, rapaz… Como bubônica essa peruca foi parar no seu estômago?!

E o cara, cheio de dedos:

– O senhor sabe, né, doutor? Um pentelhinho hoje… um pentelhinho ontem…

 

Com Diego Villanova