Alisson Barreto

4 de dezembro de 2019

O PODER DEMERITÓRIO E SUA CAPACIDADE DESTRUTIVA

O poder demeritório e sua capacidade destrutiva

Por Alisson Barreto

Publicado em 04/12/2019

Já observou que muitos chegam ao poder por meio de fraudes e muitos têm seus méritos ceifados por deméritos alheios? Abordar-se-á, portanto, essa destruidora avalancha doravante chamada de poder demeritório.

[I] O pior desastre ambiental é o que atinge a alma.

Atingindo a paz social no ambiente da casa.

Destrói a justiça e a calma.

Há dois tipos básicos de deméritos: os que usurpam para si os méritos alheios e os que depreciam os méritos que outros conquistam. Estes diminuem quem é digno de mérito e aqueles se engrandecem retirando os méritos de quem é merecedor. A tais casos, convém acrescentar outros dois: a depreciação do outro de modo a ele não conseguir conquistar méritos e a vedação à possibilidade de conquista meritória.

Depreciar o valor do outro é ser injusto, é imoral.

Desvalorar é regredir, não é amar.

É demérito, não é banal.

Não é banal o que torna o homem desigual.

Nesse contexto, o poder demeritório é a força que ceifa a capacidade de alcance meritório ou o próprio alcance do mérito. O poder destrutivo do demérito, portanto, se finca na capacidade de desesperançar ou desmerecer os méritos de outrem. Portanto, é uma erva daninha que alcança do ambiente familiar ao cenário nacional, mudando apenas a forma de atingir.

Pior do que não esperançar é desesperançar.

Tirar a esperança de quem está a buscar mérito

É como matar sem atirar, no descrédito.

No ambiente familiar, é importante observar se se está a esperançar ou desesperançar à conquista dos méritos. Há quem motive e há quem desmotive. Há quem eduque para bons motivos e há quem direcione para maléficos motivos. Às vezes tudo o que o outro precisa é permitir-lhe respirar, molhar-se à chuva e crescer. Tu deixas teu filho respirar?

Os filhos são como uma planta:

Precisam do Sol do entusiasmo, que ergue;

Da nutrição dos cuidados, que sustentam;

E da água do amor, que flui.

No ambiente público, vale a mesma máxima e a seguinte pergunta: o crime compensa? Pois quando não se pune a fraude, pune-se quem, honestamente, busca a conquista por seus méritos. Por exemplo: toda vez que se frauda uma licitação ou se deixa de fazer, promove-se um demérito. É o que este autor chamaria de “demeritocracia”.

[II] Uma pátria só é mãe gentil se cuida de seus filhos.

Só é mãe se não lhes nega o direito de nascer.

Mas é sempre amada, pois está no sangue.

Deixai, pois, crescer!

É justo observar que, na largada para as conquistas, alguns largam na frente em decorrência de suas heranças. Mas também é bom saber que nem toda herança é decorrente de mérito do de cujos. Há muitos que nasceram ricos em decorrência de antepassados “amigos do rei” ou patrocinadores de corrupções.

Uns correm a pé com e outros em bicicletas,

Como equilibrar tal corrida?

É pelo que passa a minha gente sofrida.

Faltam até calçados, nesta corrida doída.

Do outro lado estão os que querem oportunidades, mas não têm as de usufruir dos mesmos itens à conquista dos méritos. Instrumentos que vão do ambiente familiar à qualidade de escolas, da capacidade de acreditar em si à benesse dos ricos, da relevância da autoestima ao reforço da estima circundante.

Ó igualdade, onde estás?

Camuflam medidas legais, mas ali não estás.

O que te traz? Quando nos vens?

Por fim, ergam-se os olhos para Deus. É d’Ele que nos vêm o poder e as verdadeiras glórias. D’Ele vem a capacidade de superação. Feliz é aquele que promove o bem e levanta o justo cabisbaixo.

Enfim, honra e glória a Deus.

Adeus à injustiça!

Em Deus, a justiça.

Maceió, 03 de dezembro de 2019. Publicado em 04/12/2019

Alisson Francisco Rodrigues Barreto1

1 Alisson Francisco Rodrigues Barreto é poeta, filósofo, bacharel em Direito (Universidade Federal de Alagoas), pós-graduado (Escola Superior de Magistratura de Alagoas), autor do livro “Pensando com Poesia” e do blog “A Palavra em palavras”. Este, desde 2011, na Tribuna (TribuaHoje.com).