Antônio Pereira

21 de junho de 2019

Jornalistas de Alagoas vão à luta em defesa da dignidade

Desde a década de 1990 que o piso salarial dos jornalistas de Alagoas é unificado para todas as empresas. Isso foi fruto de uma intensa e vitoriosa mobilização da categoria, passando por uma sofrida greve.

Agora, quase 30 anos depois, os donos das empresas de comunicação do Estado querem reduzir esse piso quase que pela metade, gerando certamente uma enxurrada de demissões, onde os jornalistas que estiverem contratados pelo piso atual terão seus contratos de trabalho cancelados para a contratação de ‘novos’ jornalistas com salário quase pela metade.

A intenção dos donos de empresas de comunicação, notadamente da Organização Arnon de Mello (Gazeta), Pajuçara Sistema de Comunicação e TV Ponta Verde, é clara. Redução declarada dos salários de toda uma categoria profissional, algo inaceitável.

Acontece que em Alagoas os jornalistas têm uma forte organização, onde a maioria da categoria se une em torno de uma bandeira de luta, que agora passa pela manutenção do piso salarial e aprofundamento das conquistas.

Pois bem, diante destes fatos os jornalistas devem deflagrar uma forte greve da categoria no próximo dia 25 de junho (terça-feira), em uma tentativa de forçar os donos das empresas a voltarem atrás na sua intenção de reduzir os salários e aviltar a categoria.

Terça-feira, dia 25 de junho, deverá passar para a história dos jornalistas alagoanos como o grito de resistência de uma nova geração.

Não é só o salário que está em jogo. Os jornalistas alagoanos são reconhecidos em nível nacional como profissionais da mais alta categoria. Muitos dos jornalistas de Alagoas já conseguiram vencer importantes prêmios nacionais, dando provas da qualidade do jornalismo praticado no Estado, notadamente devido a garantia de salários dignos, mesmo o piso sendo teto em muitos casos. Os profissionais que aqui labutam honram seus líderes do passado, como Denis Agra, Freitas Neto e tantos outros baluartes de um tempo em que a dignidade era mais importante do que o vil metal.

Os jornalistas merecem respeito. Merecem salários dignos. Merecem lutar pela dignidade.

Viva os jornalistas de Alagoas. Viva o jornalismo.