Antônio Pereira

11 de junho de 2019

Sem credibilidade, Moro pode perder o cargo de ministro

juiz (do latim iudex, “juiz”, “aquele que julga”, de ius, “direito”, “lei”, e dicere, “dizer”) é um cidadão investido de autoridade pública com o poder-dever para exercer a atividade jurisdicional, julgando, em regra, os conflitos de interesse que são submetidas à sua apreciação.

Ao se vincular ao caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-juiz federal Sérgio Moro se desnudou, usando seu cargo meramente para articular artimanhas contra o réu. Sendo assim, o juiz da ‘república de Curitiba’ perdeu complemente a sua capa de imparcialidade.

Agora, como ministro da Justiça ele também não poderia se manter no cargo, devido ao seu histórico de falta de ética no exercício da função.

Sérgio Moro, até então considerado um paladino da justiça, agora, cada vez mais, se torna refém da sua própria retórica. Em inúmeros casos, o ex-juiz extrapolou suas prerrogativas.

A repercussão internacional do escândalo das trocas de mensagens entre o então magistrado e uma das partes do processo judicial, no caso membros do Ministério Público Federal, joga por terra suas ações processuais, abrindo caminho para que suas decisões sejam anuladas completamente.

Se Sergio Moro continuar a dizer que é normal o que evidentemente não é, sua permanência no governo vai se tornar insustentável. Fariam bem o ministro e os procuradores envolvidos nesse escândalo, o primeiro, se renunciasse e, os outros, se se afastassem da força-tarefa, até que tudo se elucidasse”, diz o jornal Estado de S. Paulo, que foi uma das principais correias de transmissão da Lava Jato nos últimos anos no Brasil.

“Quem acompanha a movimentação de juízes, policiais e procuradores desde que se instalaram as mais ambiciosas e bem-sucedidas operações anticorrupção no Brasil não se surpreendeu, infelizmente, com a revelação da proximidade, às raias da promiscuidade, entre o então magistrado federal Sergio Moro e investigadores da Lava Jato”, aponta editorial da Folha de S. Paulo. “Não é forçando limites da lei que se debela a corrupção. Quando o devido processo não é estritamente seguido, só a delinquência vence.”