Antônio Pereira

10 de junho de 2019

Sérgio Moro cai na arapuca que ajudou a armar

Alçado a paladino da justiça no Brasil, o ex-juiz Sérgio Moro, agora, está no olho do furacão, sendo acusado de manipular processo da chamada Lava Jato para condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e retirá-lo do pleito eleitoral de 2018.

De acordo com as informações divulgadas pelo site The Intercept, Moro interferiu na investigação do Ministério Público Federal, orientando o procurador Deltan Dallagnol a trocar a ordem das fases da Operação Lava Jato e cobrar a realização de novas operações. O ex-juiz influiu diretamente nas investigações do Ministério Público Federal, o que é vedado aos magistrados.

Denúncia feita pelo site The Intercept coloca os membros da Lava Jato em uma situação onde seus atos podem ser considerados ilegais, deixando claro a intenção deliberada de prejudicar Lula e o seu partido, tudo com objetivos políticos eleitorais.

Ao se tornar ministro da Justiça do governo do presidente Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, então juiz federal responsável pelos processos da Lava Jato desnuda uma relação de promiscuidade explícita entre o ex-membro da magistratura e setores políticos vinculados à extrema direita brasileira. Além de ter sido contemplado com o Ministério da Justiça, Sérgio Moro também já foi anunciado por Bolsonaro como sendo seu candidato a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), fechando de vez o círculo de conveniência política.

Entenda o caso

O The Intercept publicou três reportagens sobre o caso e anuncia novas abordagens mostrando discussões internas e atos controversos, politizados e legalmente duvidosos da força-tarefa da Lava Jato, coordenada por Dallagnol em colaboração com Moro. A série de reportagens se baseia em arquivos inéditos de textos, áudios, vídeos, fotos e documentos judiciais enviados por fonte anônima e foi reproduzida em inglês no The Intercept.

A primeira reportagem torna pública as motivações políticas que guiaram as ações da Lava Jato. A segunda revela como Moro instruiu Dallagnol, sugerindo mudanças nas fases da operação, dando pistas para a investigação, indicando fontes e, assim, violando a neutralidade de magistrado. A última matéria publicada ontem demonstra como a Lava Jato blefou no STF para levar o caso do triplex para Curitiba.

Conversas mantidas por Moro e Dallagnol pelo aplicativo de mensagens Telegram – reveladas pelo site The Intercept, do jornalista Gleen Greenwald e equipe – mostram como o MPF e Moro trocavam informações de modo ilegal, desrespeitando a neutralidade do Judiciário.

Em março de 2016, parte da população foi às ruas pedir o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Dallagnol creditou ao juiz o movimento da população. “Parabéns pelo imenso apoio público hoje”, escreveu o procurador. “Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal”.

Moro respondeu com um plural que indica mais do que autocongratulação “Fiz uma manifestação oficial. Parabéns a todos nós”. Continuou o juiz: “Ainda desconfio muito de nossa capacidade institucional de limpar o congresso. O melhor seria o congresso se autolimpar mas isso não está no horizonte. E não sei se o STF tem força suficiente para processar e condenar tantos e tão poderosos”.