Antônio Pereira

9 de maio de 2019

Braskem caminha para fechar as portas em Alagoas

O laudo do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), apontando a Braskem como maior responsável pelas rachaduras em imóveis e ‘afundamento’ dos bairros Pinheiro, Bebedouro e Mutange pode significar um abalo ainda mais forte na economia alagoana e até na economia brasileira. Caso a Braskem tenha que fechar suas plantas de exploração do sal-gema na região, toda a cadeia produtiva sofrerá. O possível fechamento dos poços de extração do sal-gema deve interferir diretamente na produção de plástico na América Latina.

A situação é cada vez mais grave e a empresa pode ser obrigada a paralisar toda a sua atividade no Estado. Pelos próprios dados da Braskem, pelo menos 27 poços não foram monitorados, ou estão sem uma análise técnica confiável sobre a possibilidade de novos desmoronamentos. Tudo isso acende o sinal vermelho para o possível encerramento das atividades da empresa no Estado.

Pelo menos 2000 mil famílias de moradores dos bairros atingidos esperam receber algum tipo de indenização da petroquímica, isso após uma intensa batalha judicial que já começou, com o Ministério Público Estadual, aliado à Defensoria Pública, solicitando o bloqueio de mais de R$ 2 bilhões da empresa para custear indenizações aos moradores.

O prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), anunciou que o Município também vai entrar na Justiça contra a Braskem para pedir ressarcimento dos danos causados pelas rachaduras nos bairros da capital alagoana.

Impacto na economia alagoana

A Braskem exerce atividade de mineração em Alagoas desde 1975, quando a empresa ainda era conhecida como Salgema. As atividades consistem na exploração de sal que é utilizado na produção de cloro e soda.

Alagoas é hoje o maior produtor de *PVC da América Latina. Isso significa que o Estado supre matéria-prima para setores fundamentais para o desenvolvimento econômico e social do País, que são os setores de Habitação, Saneamento e Infraestrutura. Desde a criação da Braskem mais de 20 empresas de transformação do plástico se instalaram no Estado de Alagoas. A fábrica em Marechal Deodoro tem capacidade de produzir 200 mil toneladas de PVC por ano. A Braskem empresa cerca de 6 mil funcionários.

A empresa detém o monopólio da produção de resinas no Brasil – matéria-prima utilizada na produção dos mais diversos tipos de materiais plásticos. Os prejuízos seriam não apenas para a indústria brasileira, mas também atingiriam o consumidor final, já que o plástico está presente em inúmeros produtos, desde roupas a eletrodomésticos.

A Braskem é hoje a sexta maior companhia do mundo no setor petroquímico. Além do Brasil, tem plantas nos Estados Unidos, no México e na Alemanha. No Brasil, a companhia emprega cerca de 6 mil trabalhadores.

Vale lembrar que a empresa é controlada pela Odebrecht e já foi citada em pelo menos cinco dos inquéritos abertos pelo relator da Lava-Jato, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin.

*O PVC é obtido através de uma combinação de etileno e cloro. É um produto classificado como versátil devido à possibilidade de se acrescentar determinados aditivos (plastificantes, estabilizantes, lubrificantes, pigmentos, espumantes etc.) que são incorporados antes da transformação no produto final. A escolha de aditivos atóxicos permite a fabricação de brinquedos e produtos da indústria farmacêutica como, por exemplo, mangueiras para sorologia, bolsas de sangue etc.