Antônio Pereira

3 de maio de 2019

Prefeito Rui Palmeira e a maldição do segundo mandato

Prodígio político com DNA de duas gerações, o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB) não tem conseguido realizar praticamente nada de novo no seu segundo mandato. Ao que parece, Rui Palmeira está sofrendo da maldição do segundo mandato, onde o gestor passa uma imagem de relaxamento e até de preguiça.

Os recentes acontecimentos no bairro Pinheiro demonstram que o Alcaide maceioense está à margem das decisões. Logo no início da crise, Rui foi surpreendido pelo presidente Jair Bolsonaro que falou em letras garrafais que o problema teria sido causado pela Braskem, detonando uma onda de revolta contra a petroquímica. Depois o senador Rodrigo Cunha, integrante do partido do prefeito e seu correlegionário, foi à imprensa para dizer que não só o bairro Pinheiro, mas também Bebedouro e Cambona iriam afundar, levando parte de Maceió, em uma tragédia jamais vista no Brasil.

Nas questões administrativas propriamente ditas, Rui também não anda bem das pernas. Vale lembrar o episódio dos dois projetos de Lei encaminhados à Câmara que caiu como uma bomba no funcionalismo público, pois seus líderes foram rápidos em dizer que retirariam muitos dos direitos que têm atualmente. Com isso, milhares de servidores foram à Câmara de Maceió no dia que seria a votação destes projetos, ocuparam o prédio e forçaram o prefeito a retirar os projetos.

Há uma sensação empírica na cidade de que o prefeito não está com muito interesse em concluir seu mandato (faltam pelo menos 20 meses). Ruas esburacadas, obras sem grande visibilidade e um certo ar blasé* configuram os últimos meses desta gestão, que teve um início muito bom.

Outro ponto totalmente negativo e que pode ser uma mostra do descaso que se abateu na gestão municipal é a orla lagunar. Quem passa pelo local tem a sensação de estar no Iraque, logo após um bombardeio. Montanhas de lixo ornamentam o que antes era o canteiro central, inclusive parte do local está interditado. Barracos de todos os tamanhos avançam por cima da outrora via lagunar. Urubus completam o cenário catastrófico do local. Uma tristeza completa.

Alguém precisa acordar o prefeito e fazer com que ele tome um remédio qualquer que o faça agir, antes que seja conhecido como um prefeito relapso e distante da sua municipalidade.

Acorda, Rui. Maceió pede urgência.

*Blasé (ou blasée, na sua forma feminina) é um adjetivo do idioma francês, que classifica a atitude de uma pessoa céticaapática ou indiferente.