Ailton Villanova

13 de setembro de 2018

Azar demais!

Sujeito bom, trabalhador, o Astrogélio Pereira esteve completando no último mês de dezembro, 30 anos de casamento com dona Amaralina com a qual, infelizmente, jamais teve um único filho. Essa, é a sua grande frustração. Talvez por esse motivo, ou porque a esposa seja devagar quase parando, o seu casamento possa ser descrito como mais gelado do que pé de defunto. Apesar disso, os dois tocam  a vida naquela conformação.

Dia desses, depois de um expediente puxado na repartição pública onde trabalha, Astrogélio foi jantar na residência do seu chefe Oderbaldo, por insistência deste. Chegando lá, ficou abismado como esse seu superior hierárquico tratava bem a sua consorte: era amorzinho pra lá, meu bem pra cá, mil beijos e abraços… maior bajulação.

Depois de presenciar tanta demonstração de amor e carinho, Astrogélio não se cansou de elogiar:

– Que coisa mais linda esse seu relacionamento com sua esposa, Oderbaldo! Vocês devem ser infinitamente felizes, tô certo?

– Certíssimo, meu chapa. Mulher igual a minha não existe, pode crer!

– Tá se vendo. Mas de onde vem tanto amor?

– Da convivência, ora! Cada dia que se passa eu adoro ainda mais a Tercila. Então, nesses últimos meses é que o negócio dobrou de encanto. Você tem que olhar o lado bom das coisas, meu amigo…

– É… tá certo. E minha mulher também é uma boa gente, mas um tanto ou quanto apagada…

– E então? Valorize o seu relacionamento com ela. Aproveite, cara!

Impressionado com o que vira no lar do seu chefe, Astrogélio voltou pra casa disposto a dar uma “esquentada” no seu casamento. Mal assentou o solado dos pés dentro de casa, correu para a mulher de braços abertos:

– Ooohhh, meu amor… quanta saudade!

Dona Amaralina arregalou os olhos, espantada. Enquanto isso, o marido a abraçava e repetia o quanto a amava.

De repente, a madame começou a chorar.

– O que há de errado, meu amor? – indagou o marido, já preocupado.

E ela, soluçando:

– O dia foi horroroso! De manhã, minha mãe caiu no quintal e quebrou a perna. Depois, a lavadora de roupa quebrou, o cano da pia entupiu e a água ficou vazando a tarde inteira…

– Que pena, meu amor. Mas os problemas acabaram! Pode deixar que eu conserto tudo!

– Pra completar, chega você em casa bêbado desse jeito!

 

 

O complicado

 

Está para nascer a criatura que deverá entender o Coriolano Caruso. O cara é complicado desde nascença. De tudo ele faz um drama. Por exemplo, lá no Tabuleiro do Martins, onde mora, existe uma morena sensacional intitulada Gorete, por quem ele gamou. Tanto azucrinou o juízo da garota, que ela terminou lhe dando uma colher-de-chá, para ver se teria, ao menos um minuto de descanso:

– Tá bom, Caruso… eu vou pra cama com você. Mas, na minha ou na sua casa?

E ele:

– Ih, já começou a discutir! Quero mais saber de você, não!

 

 

Uma atrapalhada ação

 

Chefe de um grupo de escoteiros, o tenente-coronel PM Fidélis todas as semanas reune a garotada para uma checagem nas ações praticadas pela turma. Numa dessas ocasiões, ele se dirigiu a um dos líderes de subgrupo dos mirins e perguntou:

– Paulinho, vamos ver que boa ação a sua turma praticou esta semana…

– Ajudamos uma velhinha atravessar a rua, chefe!

– Muito bem. Foi realmente uma bela ação. Mas cinco meninos só para levar uma anciã?!

– É que a droga da velhota não queria atravessar e resistiu durante mais de meia hora!

 

 

Na média

 

Algum tempo atrás o inteligente Jotajó (revelou-se agora que ele é chegado a uma macumbazinha) e o seu dileto primo Bejota sairam de Maceió para resolver “uns negócios” em Garanhuns. Quando o ônibus em que viajavam estava se aproximando daquela cidade pernambucana, o motorista avisou, através do serviço de som do coletivo:

– Atenção, senhores passageiros! Estamos entrando na cidade de Garanhuns. O tempo está nublado e a temperatura é de zero grau!

– Ôpa! Zero grau! – vibrou o primo Bejota.

E o grande Jotajó:

– É que nem a gente gosta. Bem na média: nem frio e nem calor!

 

Com Diego Villanova