Ailton Villanova

12 de setembro de 2018

Com a Mesma Moeda

Sacana ao extremo, o taxista Arnaldo Caetano adorava viver pentelhando  colegas, principalmente aqueles que, como ele, faziam ponto na Avenida da Paz. A última presepada que armou para um deles, o José Dirceu, quase arruinou a vida do infeliz. O que foi que ele armou? Seguinte: de posse de um baton, deixado por uma apressada passageira em seu taxi, Arnaldo sujou a camisa do Dirceu na altura da gola, sem que ele percebesse.

Quando o Dirceu chegou em casa, feliz da vida, dona Oscarlina, mulher  dele, manjou logo na marca carmim denunciativa. Aí, subiu nas tamancas:

– Andou se agarrando com as putas, não foi seu safado?

E o Dirceu, surprêso:

– Eeeeuuu? Que papo esse, mulher? Ficou maluca?

– Cínico! Quem deve estar maluca é a veínha sua mãe! Olhe só pra essa , camisa suja de baton, seu descarado! Nosso casamento acaba aqui! Faça o favor de arrumar suas coisas e desocupar minha casa!

José Dirceu deixou o lar triste, e ao mesmo tempo revoltado. Desconfiando  haver sido vítima de uma armação das mais sórdidas, dedicou-se à tarefa de descobrir o autor da sacanagem. Não demorou muito, descobriu que fora o Arnaldo o responsável pela sacnagem. E bolou o revide, que foi executado com mais crueldade. Com a cumpliciade de dois dos seus melhores amigos, Dirceu arrumou uma calcinha e um sutiã bastante usados, e jogou dentro do carro do desafeto, na maior moita.

No domigo, dia de folga, o Arnaldo saiu de casa de manhã logo cedo, aí pelas 7 horas, avisando à esposa, dona Odete, que iria tomar um banho de mar e beber umas cervejas com alguns amigos, na Jatiúca. Só retornou às 2 da madrugada da segunda-feira, biritado. As peças femininas continuavam no carro.

Nessa mesma segunda-feira, cerca das 8 horas, ele foi acordado aos gritos, por madame Odete que, com cara de nojo, segurava nas pontas dos dedos a calcinha e o sutiã.

– Cachorro, safado, cretino, cafageste!…

E ele, tirando a remela dos olhos:

– Uhunnn? Hein, hein? Quê que foi, meu amor?

– Repare pr’aqui! Tá reparando?

– Ah, sim… Comprou, foi?

– Comprei coisa nenhuma, seu sem-vergonha! Isso aqui é o resultado da sua degeneração.  O bacanal de ontem foi mesmo da pesada, hein? A rapariga que estava com você nem sequer se deu ao trabalho de levar as porcarias dela. Não duvido que tenha rolado droga, também!

–  Meu Deus, que calúnia! Tá me desconhecendo, mulher?

– Aah, dando uma de santo, né? Minha maior revolta é saber que essas nojeiras foram encontradas, no banco traseiro do carro, pelas crianças, quando fui levá-las à escola…

– Armação! Estou sendo vítima de uma armação insidiosa!

Arnaldo foi expulso de casa, sem chance de defesa. Hoje responde na justiça a processos por “atentado ao pudor”, “descompromisso com a fidelidade conjugal” e “desrespeito a menores”. Além do mais, arcou com as responsabilidades de um divorcio esperto.

 

Cachorrinho danado!

 

De manhã cedo bateram na porta de dona Maria Candelária. Era a vizinha Amparo:

– Dona Candelária, a senhora me desculpe, mas o seu cachorro é muito mal-educado. Sujou minha calçada todinha de cocô!

– O Dorly? Acredito não, dona Amparo. – reagiu Candelária, de olhos arregalados. – Isso é uma calúnia! Não levante falso pro meu Dorlyzinho, faça-me o favor!

– Pois foi ele! Eu vi com estes olhos que a terra haverá de comer!

– Não acredito, não acredito e pronto!

– Quer dizer que a senhora apoia o que esse seu cachorro maleducado e maloqueiro fez na minha calçada, não é?

– Não apoio e nem desapoio. Só sei que o meu cão é bastante educado e muito respeitador. E me dê licença, por que eu tenho muito o que fazer!

Antes de bater a porta na cara da vizinha, dona Candelária escutou a seguinte ameaça proferida por Amparo:

– Pois tá certo. Espere aí, que eu vou dar o troco!

– Vai? Rá, rá,rá…

Amparo foi lá na calçada, apanhou o cocô do Dorly com um papel, voltou a porta de Candelária e mostrou a porcaria:

– Olhe aqui, tá vendo?

– Tô, e daí?

– E daí que a senhora vai comer esta merda todinha, agora mesmo!

Não houve tempo para Candelária se defender, dada a rapidez da vizinha. Teve de engolir uma boa porção de cocô, que lhe foi enfiada pelo burado  da boca, pela malcriada Amparo.

Caminhar mais?!

 

Ao final  da consulta, doutor Abrôncio recomendava ao paciente:

– Olha, seu Balmázio, o senhor deveria fazer mais exercícios. Faça uma caminhada, pelo menos uma vez ao dia.

– Mais ainda, doutor? Eu sou carteiro! Vivo cansado de tanto caminhar!

Com Diego Villanova