Ailton Villanova

5 de setembro de 2018

Um trio da pesada

Biritadão, o popular José Acrísio, vulgo Boca de Ponche,  caminhava trocando as pernas pela rua Cirilo de Castro, bairro Levada, Maceió, em direção ao mercado público. Ele ía de um canto ao outro da calçada, num excepcional esforço para se manter o equilíbrado. Em sentido contrário, lá ia o tal de Quirino Cajueiro, igualmente cachaçudo. De repente, os dois colidiram e foram ao chão.

– Você tá cego ou tá bêbo, fidapeste? – reclamou o Acrísio.

Replicou o Cajueiro:

– Qualé o bêbo, meu chapa? Tô sóbrio. Bêbo só pode tá você!

– Nesse caso você tá cego! – insistiu Acrísio.

– Também num tô cego, não!

– E purrr que num m’inxergou?

– Ora, eu tava distraído, pensando na minha nega.

– Tá bom, tá certo. Prazer conhecer o amigo!

– O prazer é todo meu! Vamos tomar “uma” pra festejar a nossa amizade? – sugeriu o Quirino.

Zé Acrísio topou a sugestão, todo animado:

– Só se for agora, meirmão!

Aí sairam os dois, abraçados, calçada afora, com destino à Feira do Rato. Pararam na esquina da Padaria Rio Branco, desceram o meio-fio e… naquilo que começaram a atravessar a rua Coronel Cahet… Vabei! Foram atropelados por uma moto, que os atirou longe.

Coincidência do cacete: o motoqueiro também estava de pileque!

O trio deu entrada no Pronto Socorro acertando uma farra para quando recebesse alta médica.

 

 

De novo, não!

 

Cheio de vapor de alcool na cuca, o José Urquibaldo repousava caidão na calçada da praça das Graças, na Levada. O infeliz tinha a roupa toda amarrotada e rasgada. De repente, tentou levantar-se, mas não teve como sustentar-se nas pernas. Desabou de novo e ficou lá estirado. Um transeunte de bom coração tentou ajudá-lo:

– Quer que eu leve você pra casa, meu amigo?

E ele:

– Burp! Carece não. Acabei de chegar de lá, nestante!

 

 

Coisa melhor

 

O advogado boa praça e meu amigo Cordeiro Lima tinha acabado de chegar ao seu escritório, depois de haver subido a complicada escada de acesso ao referido. Sentou na sua confortável poltrona, o telefone tocou, ele atendeu:

– Cordeiro, bom dia!

Do outro lado da linha uma madame falou emocionada:

– Doutor, suspenda aquela ação de divórcio! Tenho uma coisa melhor para o senhor…

Cordeirão exultou:

– Graças a Deus! Finalmente vocês resolveram se reconciliar…

E a madame:

– Não, não, doutor! Acabei de atirar no canalha do meu marido!

 

 

Enganado pela míopia

 

Doutor Antônio Sapucaia – hoje aposentado como desembargador -, era juiz de direito da comarca de Atalaia. Tinha nas mãos um processo de divórcio. Leu tudo direitinho e, quando acabou, mandou intimar as partes em litígio.

Uma semana depois, o casal estava diante do magistrado. Sem muito papo, ele falou:

– Última chance para os dois! Não querem desistir do divórcio?

Aí, saltou o marido, que tinha escanchado no pau da venta um tremendo óculos de grau, lentes tipo fundo de garrafa, e retrucou:

– Jamais, excelência! Eu fui enganado!

– Enganado? O senhor está casado há 10 anos com a madame aqui e só agora acha que sua mulher o traiu!

– Eu não disse que ela me traiu, excelência. Fui enganado de outro jeito…

– Não entendi! O senhor quer explicar?

– Quero. Fui enganado pelo seguinte: quando eu comecei a namorar essa mulher, eu não usava óculos. Agora que eu coloquei os óculos, foi que vi que bicha feia ela é!

 

 

Sem perguntas

 

Madame Maria Djacir, dileta esposa do Ivanildo Valério, é muito autoritária. O infeliz do cara tinha acabado de entrar em casa, cansadão de um dia de trabalho duro. No que entrou, ela pinoteou no meio da sala, apontou o dedão e berrou:

– Olhaquí, seu moço! Preciso de dinheiro e não me faça perguntas, entendeu?

E o Ivanildo, na maior paciência:

– De quanto você precisa, minha santa?

A maluca explodiu:

– Eu não lhe disse pra não me fazer perguntas, imbecil?

Ele entregou pra ela uma nota de R$ 2 reais.

 

 

Muito experiente

 

Depois de insistentes apelos, finalmente o prefeito daquela pacata e conservadora cidade da Zona da Mata, concordou que o cinema local fosse utilizado para a apresentação de um espetáculo de strip-tease, destinado à um público cuidadosamente selecionado. A notícia agitou a cidade e o alcáide, preocupado, chamou o organizador do show para saber dele como  andavam os respectivos providenciamentos:

– Está tudo bem, Morais?

– Tudo perfeito, inclusive a bailarina.

– Será que essa moça tem experiência?

E o Morais:

– Muita! Ela faz strip-tease há 60 anos!

 

Com Diego Villanova