Ailton Villanova

4 de setembro de 2018

Tanto esforço pra nada!

Até os 27 anos de idade o Melânio Melquizedeck foi um fracote: magrinho, amarelinho, canelinhas fininhas… Depois daí, começou a ganhar corpo e ficou com um físico de atleta. Para tanto, precisou de muito empenho, muita dedicação nos exercícios a que foi submetido na academia do professor José Laurentino, faixa de preta de karatê, tae-kwuon-dô, jiu jítsu, judô, e várias outras complicadas artes marciais.

O sonho do Melânio era ser segurança, função hoje em dia muito requisitada, embora não bem remuneda. Durante cinco anos dedicou-se à essa preparação de manhã, de tarde e de noite. Quando lhe sobrava um tempinho, corria 40 kms pela madrugada. Virou uma máquina.

Mas, caros leitores, todo esse esforço do Melânio resultou inútil. No dia em que recebeu as faixas pretas desse monte de artes marciais e o diploma de “Músculo do Ano”, ele morreu!

Melânio caminhava para pegar o seu automóvel, que deixara estacionado distante uns 20 metros da academia, quando escutou alguém falar por trás:

– Vá levantando os braços, bacano! É um assalto!

O atleta viu, então, a oportunidade de exercitar um pouco as suas qualidades excepcionais de “matador”. Fez um giro de corpo, deu um pinote de 2 metros de altura, cerrou os punhos e distendeu as pernas em pleno ar.

– Iiiiaaaaahhhhh!  – soltou o grito de guerra.

Em seguida caiu estatelado no chão, morto. Três tiros no peito. O assaltante, um negrinho raquítico, pequeninho, foi mais rápido… no gatilho.

 

O dono era outro, mas…

O caseiro Orlando Messias, que trabalhou para o professor Eduardo Santos, caminhava pelo acostamento da rodovia que passa por Junqueiro, naquele passo do “vai-que-é-mole”. Na sua frente, saltitava um cachorrinho vira-lata. De repente, em sentido contrário, pinta um carrão em alta velocidade e – pimba! – atropela e mata o animal, que havia entrado um pouco na pista.

O motorista do carrão parou adiante, deu marcha à ré e saltou do carro apavorado:

– O senhor viu que eu não tive tempo de livrar o carro do cachorro, não viu?

E o caseiro:

– É… mái ô meno!

– Sinto muito. Olhe, eu pago pelo cachorrinho.

– Hum… hum…

– Não vamos discutir, tá certo? Tome aqui 200 reais!

– Tá bom, moço. Brigadinho, viu?

O camarada entrou no carro e se mandou, puxando 150km por hora, aliviadíssimo.

O caseiro, por sua vez, ficou olhando, penalizado, para o infeliz cachorrinho e falando consigo próprio:

– Coitadinho… Quem será o dono dele?

 

Então, é masculino!

Encontravam-se aboletados no bar do Pedrão, situado no Prado, os primos e vizinhos intitulados Oderaldo e Aderlândio. Os dois maltratavam, à guisa de tiragosto, algumas canelas de carangueijo. De instante a instante transferiam para seus respectivos buchos alguns goles de cerveja.

Em dado momento o Oderaldo encarou o Aderlânio, que sempre foi metido a intelectual, e disse:

– Ô Déu, há muito tempo que eu quero lhe fazer uma pergunta…

– Faz lá, primo. Pode fazer. Se der, respondo na batata!

– Tá bom. É o seguinte: paralelepípedo é masculino ou é feminino?

Aderlânio soltou uma risada. O parente invocou-se:

– O que foi? Falei alguma besteira?

– Falou. Falou a maior besteira do mundo, Por acaso você já viu paralelepípedo vestido saia?

– Claro que não.

– Então, tá na cara que é masculino!

Camarão com detergente

Definitivamente, a  jornalista Fátima Vasconcellos não tem sorte com empregada doméstica. Pelas suas contas, já passaram por sua residência mais de mil delas.

Pois bem. Vasconcellos, que sempre foi uma grande anfitriã, chamou a recém contratada “secretária do lar” e recomendou:

– Olhe, Marinalva, quero que você capriche nestes camarões aqui, porque vamos comê-los no almoço. Irei receber algumas colegas de trabalho, inclusive minha amigona Ana Márcia, que é uma pessoa exigente quando se trata de comida. De modo que eu quero impressioná-la.

– Pode deixar, doutora.

– Preste atenção! Quero esse camarão bem limpo!

– Não se incomode, doutora.

– Limpíssimo, está entendendo?

Fátima Vasconcellos deu a ordem e se mandou pro trabalho. Meio-dia em ponto voltou com três colegas, incluíndo a Márcia. Enquanto as convidadas aguardavam na sala, Fatinha corria para a cozinha.

Mal assentou os pés na depedência, ela tomou o maior choque:

– Mas que camarão fedorento é esse, Marinalva?! Pelo amor de Deus!

E a criada, tranquilona:

– O que foi que a senhora disse, doutora?

E Fatinha, com a maior cara de pavor:

– O camarão está cheirando mal! Horrível! Eu não mandei você limpá-lo, mulher?

– Mas eu “limpei-lho” bem direitinho, doutora. Caprichei mesmo na limpeza!

– Bela limpeza!

– A melhor que se pode ter. Pode crer, doutora. Limpei o camarão com sabão, detergente e água sanitária, pra senhora mesma não reclamar. Já vi que não adiantou nada!

 

Com Diego Villanova