Ailton Villanova

1 de setembro de 2018

A culpa foi do avião!

Apreciador contumaz de bebidas alcoólicas, o popular Agrício Arquimedes é defensor intransigente do título de “doutor honoris causa” para aqueles que, como ele, não dispensa nenhum tipo de birita.

– Não vejo nenhuma faculdade interessada em conceder esse tipo de honraria a ninguém. Acho isso uma discriminação muito grande! – lamentou, certa feita, em inflamado discurso pronunciado na Convenção Anual dos Biriteiros, realizada no Bar do Duda, em Mangabeiras.

Ocorre que todas as vezes que o Agrício entende de exagerar nas doses alcoolíferas ele se dá mal. De pileque, o cara é um desastre ambulante. Quando não está sendo atropelado por um veículo qualquer, está caindo de uma escada, ou enfiando a cara num poste. O certo é que, constantemente, o infeliz é visto sempre com um braço – até mesmo os dois -, na tipóia ou com a cara cheia de esparadrapo. Novidade é quando está inteiro.

Dia desses lá ia ele, todo escatembado, manquitolando pela avenida Moreira Lima quando foi abordado pelo Agatileno, outro que é ligadão num pileque:

– Ô cara, quê que houve com você, que está todo quebrado desse jeito?  Dessa vez parece que o negócio foi sério mesmo, hein? Virada de caminhão, ou atropelamento de trator?

E o Agrício, mal podendo falar:

– Nem uma coisa e nem outra… Foi a bobônica de um avião!

O Agatileno espantou-se:

– Não! Avião, bicho?! Você caiu do avião, ou o avião caiu em cima de você?

– Nada disso. O avião ia passando lá nos ares, e então, achei de olhar pro alto…

– E aí?

– Caí num buraco da Casal. Tinha mais de 10 metros de fundura, meu irmão!

 

 

Cantada desastrada

 

O Climélzio tinha dois defeitos na vida. Agora, só tem um. O primeiro deles é ser feio pacas. Esse é irreversível. O segundo, era ser tímido. Por conta disso, aos 42 anos de idade ele ainda permanecia donzelo.

Certo dia, cansado de ser motivo de chacota dos amigos, topou encarar o desafio de uma conquista amorosa. De modo que se pôs numa pose de galã de  quinta categoria, e passou a cantar tudo quanto era mulher, no passeio da praia de Pajuçara. O fato despertou a curiosidade daqueles que achavam, até, que ele era “meio bicha”.

Espantado com a nova performance do Climélzio, um dos seus amigos chegou até ele:

– O que é que está havendo com você, parêia? Tá bêbado ou tá drogado?

E o Climélzio, muito senhor de si:

– É que resolvi ser romântico.

– Assim? Sem quê e nem pra quê?!

– Claro! Estou seguindo o conselho de um antigo colega de escola, que é o fino em termos de conquista amorosa…

– E quem é o cara?

– É o José Bartolomeu, o Babá, aquele que é locutor da Rádio Gazeta. O cara é fino na conquistagem!

Estavam os dois nesse papo quando vai passando uma morena espetacular. Climélzio animou-se todo e falou pro amigo:

– Quer ver como se conquista uma mulher dessa?

– Quero.

– O papo tem que ser rápido e objetivo. Segundo o Babá, a gente tem que agir firme, na dureza. Me acompanhe!

A morena entrou no toalete de um barzinho, Climélzio pôs-se encostado na porta do referido e ficou na expectativa da saída da garota. Mal ela botou os pés fora do toalete, ele falou, todo meloso:

– E aí, gatinha? Você fez xixí, ou fez cocô?

O tabefe que o Climélzio levou no pé do ouvido, não foi deste mundo. Ainda hoje ele está meio mouco!

 

 

Nem o dono!

 

Fraco de grana, o motorista Neosálio Mamede procurou um daqueles “mata-cristão” localizado na Feira do Rato, na Levada, a fim de tirar a barriga da miséria. Prevenido, ele já anda com um Atestado de Óbito Preventivo no bolso.

Neosálio encostou no balcão da primeira birosca que encontrou e pediu ao cara que atendia ao balcão imundo e lotado de moscas:

– Um prato feito aí, meu irmão!

– Só se for nestante, primo! – respondeu o balconista, exibindo a boca murcha.

Num segundo, a comida estava diante do freguês. Depois de várias dentadas na carne, o freguês berrou pro cara do balcão:

– Ô parêia, eu num tô conseguindo comer esse bife, não! Tá duro que nem tijolo! Cadê o dono desta porcaria de bodega?

O atendente respondeu em tom de gozação:

– Num vai adiantar nadinha você querer falar com o dono.

– Não vai adiantar por quê?

– Porque ele também tentou comer esse bife e não conseguiu!

 

 

Dupla sacanagem

 

Nos corredores do shopping, que diariamente se transformam em passarela para todo tipo de desfile, o observador mais atento constata coisas interessantes entre pessoas, que vão desde o exibicionismo exagerado de algumas até a beleza das curvas do mulherio que para alí acorre, apenas arrumar um caso, uma compania masculina.

Número considerável de pessoas vai à esses locais para fazer compras, ser explorada e até ridicularizadas.

Dia desses, duas amigas lá se encontraram, depois de um tempão distanciada uma da outra.

– Niiilda, mulher! Não acredito! É você mesma?! – exagerou Maria Rita, lourinha de cabelo curto.

Nilda, morena de cabelos longos, não fez por menos:

– Não é possível, Ritinha! Tanto tempo, hein?

– Mais de 10 anos, querida!

– Como esse tempo passa, não é? Não acredito que estou lhe vendo! Como você envelheceu, mulher!

Maria Rita fechou a cara e deu o troco, na crueldade:

– Velha, eu? Eu também quase não lhe reconheci, sabe? Se não fosse pelo vestido…