Ailton Villanova

31 de agosto de 2018

O surpreendente e incrível Cacá

Não se pode negar que o garoto Carlos Alberto Júnior, o proverbial e indefectível Cacá, é um tremendo pentelho. Mas ocorre que, às vezes, ele supreende com atitudes e gestos incríveis. Seus próprios pais, Carlão e Margô, nem sempre conseguem entendê-lo.

Além de viver pentelhando a vida de familiares, vizinhos, amigos da família e colegas de escola, Cacá passou a infernizar a vida de uma professora da escola onde estuda, dona Hipotenusa, porque andava insatisfeito com o fato de encontrar-se no primeiro ano do fundamental, sob a a legação de que seus conhecimentos escolares, culturais e “coisa e tal” andavam muito além do que vinha exigindo o  curriculo primário.

– Sou muito inteligente para estar no primeiro ano, professora. – declarou  na sua última pentelhação. – Minha irmã está no terceiro ano e eu sou mais inteligente que ela. Eu quero ir pro terceiro ano também!

Sentindo-se impotente para resolver o problema do menino, madame Hipotenusa recomendou-o falar com o diretor Abrôncio Rodésio, que havia sido nomeado para o cargo havia poucos dias. A própria mestra fez questão de acompanhà-lo à diretoria. Chegou lá, ela disse:

– Espere aí, que eu vou anunciá-lo ao diretor.

Enquanto Cacá esperava na ante-sala, professora Hipotenusa explicava a situação do menino ao diretor. Então, ele propôs:

– Vamos fazer um teste com esse garoto. E como é certo que ele não vai responder todas as perguntas, vai ficar mesmo no primeiro ano. Mande-o entrar.

Cacá foi introduzido no gabinete do diretor e Hipotenusa antecipou-se e abriu a sabatina:

– Quanto é 6 vezes 6?

O garoto lascou lá:

– 36.

O diretor continuou com a bateria de perguntas que um aluno do terceiro  ano deve saber responder e o Cacá não errou nenhuma resposta. O diretor Abrôncio  virou-se para a professora e falou:

– Acho que temos mesmo de colocá-lo no terceiro ano.

– Posso fazer mais algumas perguntas ao Cacá? – pediu a professora.

O diretor e o Cacá concordaram e a mestra mandou ver:

– O que uma vaca tem quatro e eu só duas?

– Pernas! – respondeu o ´Cacá.

Ela fez outra:

– O que é que há nas suas calças que não há nas minhas?

– Bolsos! – Cacá respondeu sem titubear.

– O que é que entra na frente da mulher e que só pode entrar atras do

homem?

Estupefato com os questionamentos, o diretor prendeu a respiração…

– A letra M – retrucou o garoto, tranquilão.

E a professora, danada, querendo derrubar o Cacá:

– Qual o monossílabo tônico que começa com a letra “C”, termina com a  letra “U” e ora está limpo, ora está sujo?

– O céu, professora.

– E o que começa com “C” tem duas letras, um buraco no meio e eu já  dei para várias pessoas?

– CD.

Nesse ponto, o diretor interrompeu a sabatina:

– Pode parar, professora! Tá bom! Não sei até onde a senhora pretende ir. Esse menino é incrível. Eu mesmo, como diretor, errei todas as perguntas. Vou pedir a nomeação dele para diretor-assistente!

 

Começando devagar

 

Ninguém jamais imaginou o Herculano dando uma de bicha, pelo seguinte: em primeiro lugar ele é um caboco de 2 metros de altura e feio que  nem desastre de trem. Ele não é de puxar briga ou fazer arruaça, mas se provocado, topa qualquer parada. Nunca perdeu uma briga.

Então, encontrava-se esse amigo tomando uns birinaites no Bar do Duda, em Mangabeiras, quando chegou o primo Geraldão. Aí, a farra aumentou de tamanho e engrossou as bandas. Lá pelas tantas, Herculano entendeu de . fazer uma revelação ao Geraldão:

– Primo, tô com vontade de te dizer uma coisa, mas tô meio acanhado…

–  Deixa disso, primo. Diz logo o que é. Tu num sabe que pra nós não há

segredo?

– Tá legal. Sabe o que é? Tô com vontade de virar viado!

– Então, você tem que começar aos poucos…

– Como assim?

– Comece dando pra um japonês!

 

Haja sacanagem

 

Amigão do Mestre Olivério Villanova, piadista contumaz e meu saudoso pai, o ilustre Benedito Zacharias também não é de ficar para trás, quando o assunto é anedota. Dizia meu pai, que seu Zacharias já nasceu com a piada na ponta da lingua e que, mal começou a falar, quase matou o avô Cordulino de riso. A primeira fala dele foi uma piada de Adão e Eva.

Meu pai se foi, mas o amigo Zacharias, com mais de 100 anos, ainda permanece em cima deste mundo engraçado, aprontando poucas e boas. Sua esposa, dona Ruth, aprendeu também a anedotar. Grande dupla.

De tudo seu Zacharias faz uma piada, mesmo sem ser provocado. Imagine se for peitado.

Certa tarde, ele cochilava no sofá da sala quando dona Ruth chegou:

– Tá com sono, meu velho? Anime-se, vamos! Que tal a gente ver aquele canal que só tem sacanagem? Ligue a Tv!

Ele ligou. No que ligou, o áudio anunciava, através da voz possante do locutor:

– Vocês estão assistindo a TV SENADO!…

 

Médico sacana 

 

Encontraram-se casualmente num dos shoppings da Capital os velhos amigos Juraclides Barroso e Clementino Xavier. Abraçaram-se ruidosamente – aquele monte de tabefes nas costas um do outro -, sentaram num banco e danaram o pau a prosear:

– Tu já aposentou, Xavier?

– Aposentei, tá com uma base de cinco anos…

– Ih, rapaz, tá com tanto tempo assim?!

– Comecei a trabalhar cedo, rapaz. E você também aposentou, não foi?

– Verdade. Mas o que vem me aborrecendo na vida é um tal de médico que arrumei…

– Qûe que ele anda aprontando pra cima de você?

– Sabe o que ele fez? Me tirou o uísque escocês e os charutos cubanos!

– Que sacanagem, pô! O cara é médico ou agente da polícia federal?

 

Com Diego Villanova