Gerônimo Vicente

27 de agosto de 2018

  Na campanha eleitoral sem as ruas, os bots são cabos eleitorais do mal

O leitor deve ter prestado atenção às  reportagens sobre o dia-a-dia dos candidatos à presidência da República transmitidas  pelas emissoras de televisão, notadamente  pelo Jornal Nacional da Rede Globo, onde a exibição da campanha do candidato Lula, por determinação da própria emissora, está proibida de aparecer. Nas imagens, mostra-se, claramente,  o desinteresse da população pelo perfil dos postulantes ao Planalto e, por essa razão, os abraços em feiras, a mordida de cara feia  no pastel, o passeio de jegue e o aperto de mão falseado são sempre vistos em plano fechado (na linguagem do cinejornalismo,  enquadramento próximo ao objeto ou pessoas focadas) pela escassa militância e pela ausência do povo.

A solução  das assessorias de marketing  é apelar para os robôs cibernéticos, também chamados bots e ciborgues. O primeiro trata-se de uma aplicação de software concebido para simular ações humanas repetidas vezes de maneira padrão da mesma forma como faria um robô. Segundo o Oxford Internet Institute, um perfil de usuário que poste mais de 50 vezes por dia é frequentemente automatizado, ou seja operado por bots. Já o ciborgues são contas de usuários operadas conjuntamente por software e humanos e que são  usados para manipular o resultado de petições on-line, alterar resultados dos mecanismos de pesquisas e aumentar certas mensagens nas mídias sociais.

Em 2014, esses fenômenos deitaram e rolaram pelo segundo turno da eleição presidencial entre Dilma Rousseff e Aécio Neves e a robotização da campanha foi um prenúncio do ódio que provocou  a atual polarização política até mesmo nas ações institucionais dos poderes constituídos. E, daí o fato de hoje termos um Poder Judiciário, escancaradamente, parcializado, partidarizado, atitudes essas de fácil percepção por parte de população.

Esse  mau comportamento institucional  pode fazer do processo eleitoral  deste ano uma baderna robotizada que, nem de longe será  atingida pelo tão discutido controle dos órgãos oficiais que, desde o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff  é debatido,   porém sem ação concreta de inibição às fake news já que a falência moral das instituições impediu esse avanço

Nesta segunda-feira (27) por exemplo, duas informações espalhadas em redes sociais demonstraram um ensaio do que será o embate eleitoral na internet. O primeiro uma denúncia de que uma agência de publicidade estaria pagando influenciadores digitais para fazer campanha em prol do PT nas redes sociais. A notícia foi revelada pelo jornal Folha de São Paulo, a partir da declaração de uma jornalista com viés ideológicos de esquerda e que teria recebido R$ 1 mil para postar no twitter informações favoráveis a sua postura política. Tanto o PT como o dono da agência, Miguel Correia negaram o fato.

O segundo caso,  foi a revelação do   lançamento do tal  Bolsocop, um programa de computador que transforma os usuários que instalam o arquivo .exe em robôs de spam, que compartilham, automaticamente no Facebook publicações da campanha  do candidato a presidente Jair Bolsonaro. O assunto foi gerado no grupo de WhatsApp chamado  Resenha Política e afirma que o aplicativo se aloja em uma rede social e o usuário se transforma em um  zumbi de conteúdos, se aliando a um exército de robocop digital.

Enquanto, o marketing eleitoral  robotizado do mal se prolifera e pode transformar  o período eleitoral em um ringue cibernético, os órgãos públicos  preferem abrir o manto da impunidade em favor dos interesses pessoais e privilégios de  seus comandantes.