Ailton Villanova

18 de agosto de 2018

A vantagem da dobradiça

Filho único de pais abastados, o mineiro Elúsio Torreão teve tudo – mas tudo mesmo – para ser uma bichona. Até os 10 anos de idade, ele brincava de boneca com a prima Glória Maria que, mais tarde, transformou-se num tremendo sapatão. Veja o leitor como o tal de destino arma presepadas.

Dona Hermácia, mãe do Elúsio – que ainda hoje o trata carinhosamente por Lulu -, sempre cuidou do amado rebento como se ele fosse uma menina. Até roupinha de feminina vestia nele. Mas Lulu, digo, Elúsio, ó, firme, na sua condição de macho. Para o pai, doutor Esdrubaldo Torreão, pouco se lhe dava ser Lulu macho ou fêmea. Negócio dele era cuidar das suas empresas e das amantes, que colecionava tinha aos montes.

Lulu, ou melhor, Elúsio, estudou nos melhores colégios de Belo Horizonte e cursou a faculdade de engenharia da Universidade Federal. Graduou-se com louvor, porque sempre foi um rapaz inteligente. Tímido, Elúsio chegou aos 26 anos de idade sem nunca ter namorado, quanto mais deitado com uma mulher. E ele se sentia frustrado e com muita falta disso.

Paquerado pelas gatinhas, jamais teve coragem de sair para uma curtição com uma delas, sequer. Até que, um dia, procurou um primo chamado Paulo Roberto, o Robertão, tremendo dum raparigueiro, e se abriu com ele:

– Tô precisando arrumar uma mulher… mas cadê coragem, primo?

E Robertão:

– Pô, tu um cara bonitão, cheio da grana, e ainda é donzelo!!!

– É isso aí, primo. O que me atrapalha é essa minha timidez!

– Tudo bem. Vou te levar num puteiro que é o fino. Pra disfarçar tem a fachada de casa de massagens, manjou na situação?

– Manjei.

– Pois, então, vamos lá!

– Já estou ficando nervoso.

– Deixa de frescura! Vamos!

O jovem tímido e bonitão Elúsio era competentíssimo no manejo das réguas, números matemáticos, cálculos, e outros babados da engenharia civil, mas no trato com as mulheres era um fracasso. Zero no quociente. Olhar numa mulher pelada ao vivo e em cores, na sua frente, estava sendo para ele um drama dos mais sufocantes.

Conduzido a um quarto perfumado, cheio de flores e de luzes multicores, Élúsio Torreão começou a suar frio. Daí a pouco, ingressou no ambiente uma morena sensacional, cheia de curvas, com nadinha em cima do corpo bronzeado e cheiroso, que falou com sensualidade:

– Ôôôiiii meu gato lindo… Tire a roupa e chegue mais pra perto da sua gatinha, chegue!

Tremendo que nem vara verde, Lulu tirou a roupa e ficou meio perdido sem saber o que fazer. O que ele não estava querendo era decepcionar. Aí, de repente, ocorreu-lhe uma idéia marota e então, timidamente, disse para a garota:

– Vamos ver quem consegue levantar a perna mais alto?

A garota ficou meio cabreira, achou a idéia esquisita. Na sua vida profissional, já tinha visto uma porção de coisas estranhas, mas como aquela, nunca! Mas profissional é profissional; tem que enfrentar situações imprevistas e ela era competente no seu mistér.

A mulher não se fez de rogada e topou a parada. Primeiro, foi ele quem teve de levantar a perna. Depois, foi a vez dela. A dona ergueu a perna naquelas alturas. Toda alegrinha, ela bateu palminha e gritou:

– Êêêê… ganhei! Levantei a perna mais alto do que você!

E o Elúsio:

– Dá pra você levantar a perna outra vez?

Ela levantou o pernão e o Elúsio ficou olhando, observando, de boca aberta. Ela abaixou a perna e ele desabafou:

– Também com dobradiça, né?

 

 

 

Possibilidade de cadeia

 

Nos últimos anos, o nosso Congresso Nacional tem ofertado reiterados  subsídios, à conta de escândalos, para a imprensa independente, isenta e séria, noticiar. Em razão disso, tentativas de calar a boca de jornalistas éticos e corajosos têm sido feitas, inclusive com o beneplácito da justiça.

A não-exigência do diploma superior para o exercício do jornalismo, não é apenas um sintoma. Traduz a abertura para a infiltração de elementos comprometidos com os vezeiros da corrupção, do roubo, e da falta de vergonha nos altos escalões superiores de Brasília. Aliás, não só da capital da Repúbica, mas também das cúpulas políticas regionais. Jornalistas forjados nos bancos das universidades, não entram nessa, porque também aprenderam com antigos companheiros de redação a agir com decência e dignidade.

O amigo leitor tem acompanhado através da mídia, as malandragens, as sacanagens praticadas por congressistas que não respeitam o povo brasileiro. Numa hora dessas, o que deveria sobrar pra eles?

Dois desses congressistas, que representam o mais eloquente exemplo da canalhice, da falta de vergonha, analisavam numa mesa de bar, em Brasília, uma proposta de negociata. Muitos milhões em jogo. Um deles perguntou:

– Quanto nos dariam por isso?

Respondeu o outro, em tom de gracejo:

– Num país sério, nos dariam uns 15 anos de cadeia, eu acho.

 

Com Diego Villanova