Ailton Villanova

14 de agosto de 2018

Casamento complicado

Sexta-feira, 27 de janeiro de 1998. O relógio marcava 7 da noite, quando a noiva Adriana desceu do carro na porta da igreja de São Pedro, na Ponta Verde. Jorge, o noivo pontualíssimo, havia chegado com uma hora de antecedência e se mantinha sereno, ao lado do altar.

A igreja, magnificamente ornamentada, estava entupida de convidados, e parentes dos nubentes. Entre esses, a jornalista Sílvia Spencer madrinha da noiva. A expectativa começou a aumentar quando repararam que o celebrante da cerimônia – diácono Luiz Hermano -, estava atrasado mais de uma hora. Dona Olga, tia da noiva, observou, cheia de preocupação:

– Mas que padre mais custoso é esse, meu Deus!

Madame Erotildes, uma das madrinhas do noivo, não ficou atrás e emendou:

– Alguém sabe dizer aí onde se meteu esse padre? Cadê ele?

Mais uma hora – agora eram 2 de espera -, a situação era de quase desespero. Indignado, o noive Jorge perdeu a elegância:

– Eu quero me casar! Procurem esse padre e tragam aqui, nem que seja algemado!

Confortada por um monte de parentes, padrinhos e convidados Adriana se debulhava em lágrimas:

– Esperei tanto tempo pra me casar e agora acontece uma coisa dessas… Snif…

Imagine, caro leitor, que confusão danada dentro da igreja. Muito choro, madames descabeladas… até palavrão saiu! E nada do diácono Luiz Hermano dar o ar de sua graça. Aliás, ele aparecer na igreja numa hora daquelas, seria até temeroso, dada a revolta de todos.

Houve até quem apelasse para o arcebispo no sentido de que ele designasse um novo reverendo para celebrar o casamento. Ele prometeu que iria fazer o possível.

No meio de toda aquela confusão ouviu-se a voz desesperada de uma criança:

– Mãe, tô cum fome! Quero ir pra casa!

E o noivo, dando uma de xerife:

– Não sai ninguém! Só sai todo mundo, quando eu estiver casado, fui claro?!

O rapaz foi aplaudidíssimo.

Quatro horas e meia de muita agonia, de muito choro e muita revolta, eis que alguém gritou de alguma parte da igreja:

– Chegou um padre! Vamos ter casamento, graças a Deus!

Em meio a muitos aplausos, eis que chega ao altar o padre João César, que não tinha nada a ver com a história. Ele apenas havia voltado ao pátio da igreja  de São Pedro para apanhar o seu carro, que ali havia deixado, depois de ter celebrado a missa das 5 da tarde. Bom coração e reparando naquele drama todo, ofereceu-se para celebrar o casório dos desesperados noivos.

O casamento terminou cerca da meia-noite. Padre e nubentes, emocionados e felizes, saíram do templo nos braços de padrinhos, convidados e fiéis.

 

 

Muito pior!

 

A professora Zorilda Buarque, ex-freira, ex-revisora de jornal, é uma cristã excepcional. Irmã Zó administrava uma obra de caridade na região mais carente do bairro do Feitosa às custas do seu próprio esforço e de pequenas ajudas de um grupo de amigos dedicados e fiéis.

Certo dia, ela percorria o bairro do Farol à procura de donativos para o Natal dos Pobres. De casa em casa, arrecadava mantimentos, roupas usadas e brinquedos. Aí, bateu na porta de um funcionário público estadual:

– Senhor, estamos recolhendo donativos… roupas usadas para a nossa campanha natalina,,,

E o cidadão, com a cara mais triste do mundo:

– Entendi, dona…

Irmã Zó perguntou:

– O que o senhor faz com suas roupas velhas e rasgadas?

O visitado respondeu:

– Bom… Atualmente eu faço assim: tiro elas à noite, lavo e visto de manhã, estando seca ou não.

Zorilda deu pra ele uma vestimenta novinha, que havia sido doada pelo Abdias Tavares, para o Frei Chico, pároco auxiliar da localidade.

 

 

Mui amigos

 

O marido da gostosona Magnólia faleceu num acidente de carro no Natal de 2010. O finado Dionaldo era um cara diretíssimo e amava demais a mulher. Também um monumento daqueles, qual o cristão não amaria?

No último dia de carnaval seguinte, o finado mais ou menos quente na sepultura, a viúva assistia a frevança no Jaraguá, metida numa roupa que era um escândalo. Negócio pra matar qualquer velhinho de infarto. Aí, chega junto um tal de Tomás Turbando. Ele tinha a maior tara pela gostosa.

– Oi, Magnólia! Tudo bem com você? – buzinou no ouvido dela.

E a belezura, mastigando chiclete e rebolando o traseiro, ao som do bloco “As Pecinhas”:

– Tudo jóia!

O cara foi fundo nas segundas intenções:

– Agora que o seu marido foi pro beleléu, você deve estar se sentindo muito só, não é?

– Que nada! Os amigos dele não me dão sossego. É de dia e de noite…!

 

 

Pentelhada do Cacá

 

Cacá chegou para madame Margô e pediu:

– Mãe, você me dá cinco reais?

– Claro que não, meu filho!

– Se me der cinco reais eu conto o que o painho disse pra empregada, quando você foi fazer compras.

A mãe arregalou os olhos, e intrigadíssima e morta de curiosidade, deu cinco reais pro menino.

– O que foi que o teu pai disse pra empregada?

– Ele disse: “Não esquece de passar a camisa branca que amanhã eu vou precisar”.

 

Com Diego Villanova