Ailton Villanova

11 de agosto de 2018

Prateada e purpurinada

A história que vai abaixo contada é absolutamente verdadeira. Ela me foi enviada pela colega Ivana Conde. Serve de exemplo ou de advertência a madames que costumam ter, vez ou outra, lances de descuido, de desatenção. Que elas reparem bem quando forem preparar as partes íntimas para a tradicional consulta ao ginecologista.

Dona Turmalina não é o que se pode chamar de madame desligada. Muito pelo contrário. Extremamente cuidadosa, um dia ela cometeu uma pequena imprudência num lance que lhe valeu o vexame de ter sido confundida pelo doutor Irineu Costa, seu ginecologista. Ela havia marcado consulta para uma quarta-feira às 9 e meia da manhã. Acordou cedo, como de costume, deu o desjejum pro marido e para as crianças, isso lá pelas 6 horas. Quando a turma terminou de comer, o relógio marcava 15 minutos para às 8 horas. Aí, ela desesperou-se:

– Valei-me minha Nossa Senhora! Vou chegar atrasada no doutor…

Marido e filhos pegaram o carro que os levaria, pela ordem, à escola e ao trabalho. Madame disparou pro banheiro olhando pro relógio; 8 horas e 40 minutos. Ela entrou em pânico:

– Meu Deus! Não vai dar mais para tomar banho!

Então, o que ela fez? Pegou uma toalhinha lavada e dobrada que estava na borda da banheira, desdobrou-a, molhou-a e passou com todo cuidado pelas partes pudendas até ter a certeza que estava a mais limpa possível. Em seguida, jogou a toalhinha na cesta de roupa suja, trocou de vestido e se mandou para o consultório médico, chegando lá em cima da hora. Nesse momento escutou a atendente dizer:

– É a sua vez, dona Turmalina.

Madame entrou na sala de exames, deitou na marquesa e aí chegou o médico. Naquilo que ele reparou na “peça” da paciente, exclamou, cheio de surprêsa:

– Huummm… Muito bacana, hein, dona Turmalina? Caprichou no visual da genitália! Ela tá linda, hoje!

Chateada com a observação do médico, que sempre agiu com muita discrição e respeito, madame foi embora. Mais tarde, já em casa, chegaram as crianças de volta da escola. Sua filha menor de 6 anos trocava de roupa no banheiro quando, em dado momento, gritou de lá:

– Maínha, cadê a minha toalhinha?

– Tire aí uma do armário, minha filha!

– Ah, maínha, eu quero aquela que eu deixei em cima da banheira!

– Mas por que você insiste tanto nessa toalhinha?

– É porque foi nela que eu deixei todas as minhas purpurinas e as minhas estrelinhas prateadas e douradas!

 

 

Obsessão

 

No pátio do convento duas noviças conversavam animadamente enquanto a freira mais velha do claustro cochilava numa cadeira de balanço. Naquela ocasião, uma das freirinhas contava para a coleguinha o resultado do seu trabalho na colheita de legumes e hortaliças:

– … e ontem eu colhi um legume enorme! Precisava ver o tamanho da cenoura!

Ela disse isso e mostrou pra outra o tamanho, com aquele gesto típico, espalmando as duas mãos. Nisso, a velha freira acordou do cochilo e viu a freirinha demonstrando a proporção avantajada da cenoura e não se conteve:

– Hã?… padre quem?…

 

 

Teimoso

 

O pinguço Zé Bia, também conhecido como “Suvaco de Grilo”, bebeu até esborrar. Com a cabeça rodando e as canelas bambas, ele iniciou viagem de volta ao seu barraco, que fica na Brejal. No meio do caminho, apoiou uma das mãos num poste e com a outra começou a bater no referido, com os nós dos dedos – toc, toc, toc… – como se bate numa porta.

Aí, vai passando um sujeito que resolve tirar uma onda com ele:

– Ô bebão, tu num tá vendo que num tem ninguém em casa?

– Lógico que tem! Tá vendo não a luz acesa?

 

 

Teimoso II

 

Depois de terem enchido a cara num boteco localizado no bairro do Prado, os colegas de copo Tonho da Mirinha e Josias Doidão pegaram um coletivo nas proximidades do “cemitério velho” com destino ao Jaraguá. Em dado momento do itinerário, o veiculo entrou na avenida Comendador Leão. O mais falante dos dois bebões reparou para os lados e disse:

– Repara só, Tonho, a gente já tá chegando em casa. Tamos na Avenida da Paz.

E, virando-se para o passageiro que estava em pé ao seu lado, procurou confirmação:

– Ô gente fina, tamos na Avenida da Paz, num é?

– Não. Estamos na Comendador Leão.

Josias Doidão não se deu por vencido:

– Mas, ERA, viu?

 

 

Capado

 

Barzinho safado, todo troncho, caindo aos pedaços, socado na Vila Brejal. A pinguçada, aquela da pesada, consumia garrafas e mais garrafas de cachaça. Entre os bebuns que infestavam o ambiente encontrava-se o popularíssimo Caveirinha, cujo nome de batismo ele nem se lembra mais qual é.

De repente, ele rompeu o silêncio que dominava o ambiente, porque àquelas alturas estava todo mundo de pileque:

– Garçom, vem cá! Tu tem ovo aí?

E o garçom:

– Tenho não.

Aí, o Caveirinha se virou para a galera e sacou:

– Putaquipariu, gente! Caparam o cara!

 

Com Diego Villanova