A Palavra em palavras

9 de agosto de 2018

NUTRIÇÃO DA ALMA

Nutrição da alma

Católico, com o que nutre sua alma? Eis uma pergunta que todo cidadão deveria fazer em sua vida. Ao contrário, há muitos desanimados ou revoltados que nem imaginam as causas de seus desânimos ou revoltas. Em que pé anda esse mundo?

Um mundo que muito produz, mas em que cresce a desesperança e o depósito de esperanças em fontes falsas. Um mundo que olha para o cosmo à procura de vida fora de nosso planeta e, no entanto, desvalora as vidas dos ventres maternos. Que instala aparelhos captadores de sons do universo, mas que se fecha ao som do coração humano.

Uma época em que as pessoas têm acesso a beber de fontes autênticas de saber, mas acabam optando por versões paralelas, alternativas.

A imprensa facilitou o acesso à Sagrada Escritura, mas muitos ainda preferem as versões maculadas, despedaçadas e reinterpretadas de bíblias protestantes a tomarem para si as versões da Bíblia que a sucessão apostólica nos proporciona na Santa Igreja. Mais que isso, muitos preferem recorrer a novelas para conhecer um falso Jesus, fruto da genialidade de cineastas e dos pastores que lhes pagam, em vez de conhecê-Lo pessoalmente nos sacramentos que o Espírito Santo concedeu à Esposa de Cristo. Por exemplo: como pode alguém querer conhecer o livro do Apocalipse e, em vez de buscar entendê-lo pela liturgia da Santa Missa, perder seu tempo com uma versão deturpada e adaptada à telenovela?

O problema maior, notem, não está na criatividade cenográfica em favor de entendimentos equivocados; mas no alimento do coração, onde alguns trocam a crença no dogma da virgindade de Maria por uma fábula desrespeitosa.

Existem as fontes, mas muitos ainda preferem bebedouros contaminados. As mídias querem acessos e tudo o que precisam é de rebanhos que baixam a cabeça para tudo o que encontram pelo caminho. Mas os cristãos devem fazer a diferença: levantar a cabeça para Aquele que é a Cabeça da Igreja: Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós cristãos só queremos o Cristo e participarmos de Seu Corpo e Sangue.

Paralelamente, há muitos que se envenenam com ideologias que querem tratar pedras como pizzas e fazerem do tesouro racional um mero instrumento ideológico para a satisfação de anseios.

As políticas ideológicas trouxeram às faculdades e a lideranças televisivas novos sofistas, militantes de causas corruptoras da alma humana.

O mundo do pós-guerra entrou na Guerra Fria e dela saiu para a fria de uma guerra ideológica dissimulada. A ideia dos vírus de computador passou a ser utilizada para a infiltração de planejamentos ideológicos na sociedade hodierna. A mente humana tornou-se alvo de interesses ocultos que, pouco a pouco, vêm dilacerando almas; fazendo de muitas pessoas marionetes que se acham inteligentes, escravos das vaidades, de orgulhos ou libertinagens.

Mas quanto aos cristãos, onde estão alimentando-se? O medo dos bebedouros contaminados fez muitos optarem por versões transgênicas de informações, levando-os às ditas extremas direitas para digladiarem com as esquerdas. O equilíbrio da temperança e, por conseguinte, o senso de justiça ficaram prejudicados. Não se combate diabetes com sal.

Diante de alimentos contaminados, a muitos foram apresentadas substâncias alteradas, como se fossem as autênticas. Assim, surgiu, por exemplo, o tradicionalismo exacerbado dos direitistas que, para combater a teologia da libertação (TL), combatem a autenticidade da Igreja, com suas autoridades devidamente instituídas, que nos presenteou com o Concílio Vaticano II. Do outro lado, os esquerdistas da TL deturparam o valor evangélico da opção preferencial pelos pobres como se isso fosse uma forma de socialismo na Igreja, quando, na verdade, o amor pelos pobres vem de Cristo, que nos aponta para Deus, não para o ateísmo marxista.

O mal sempre se utiliza de algo bom para subsistir. Metafisicamente, o mal não existe em absoluto, não existe por si só; só existe, portanto, em algo criado como um bem. O problema é que tanto direitistas com esquerdistas não conseguem perceber as apropriações que suas correntes fazem do que é bom e vendo o bom acreditam estarem vendo a confirmação de suas teses e, ao mesmo tempo, vendo o ruim dos polos opostos acreditam estarem certos. O problema é que passam a não enxergar que parte do que combatem não é do polo oposto, mas da realidade boa.

O fruto da árvore proibida era um fruto bom (pois foi Deus Quem o criou), que deveria servir de sinal da fidelidade de Adão e Eva a Deus, mas a tentação os corrompeu e o mau uso os condenou. Passou-se o tempo e a humanidade continua a sofrer as tentações das falácias que levam tantos a deixar a Igreja para seguir seus orgulhos e as vãs interpretações.

Num mundo tão cheio de falácias, é claro que nem todos enveredam pelos extremos ideológico-filosóficos; mas muitos acabam se extremando em preguiças intelectuais ou na cegueira da busca por prazeres (muitas das vezes racionalizados). E mergulham em realidades que vão do indiferentismo aos vícios (sejam eles de drogas, jogos, sexo, compras etc.).

Por fim, é hora de voltar à pergunta inicial: com o que você está nutrindo a sua alma?

Espera-se, pois, que seja com as virtudes, como a pureza (castidade), a prudência (qualidade de quem pensa), a justiça (que busca a verdade que transforma e liberta), a fortaleza (que realiza a fidelidade e sustenta no temor de Deus), a temperança (moderação), a fé (de pessoa racional), a esperança (de quem não deixa de esperar em Deus e, nessa espera, não fica de braços cruzados) e no amor (caridade), esta que é a fonte e a nutrição de todas as virtudes.

Dai, Senhor, ao Vosso povo a força e sabedoria necessárias para viver a fé que derramastes sobre os apóstolos, sobre a Virgem Maria e sobre todos os, validamente, batizados!

Nutri, Senhor, todos os Vossos filhos com o amor e a unidade que tanto vos agrada e que tão feliz faz aqueles que dizem sim ao vosso chamado para o Reino dos Céus!

A todos um abençoado e bem nutrido mês das vocações! Paz e Bem!

Maceió, 08 de agosto de 2018.

No corpo de Cristo, por amor a Jesus Eucaristia e à Virgem Maria,

Alisson Francisco R. Barreto[1]

[1] Alisson Francisco Rodrigues Barreto, o autor deste blog (A Palavra em palavras) desde 2011, é poeta, filósofo; bacharel em Direito, pós-graduado; estudante de Teologia e fundador dos Amigos Marianos Missionários da Eucaristia – Amme (nas redes sociais: @amme.33).