Ailton Villanova

9 de agosto de 2018

De “devogado” a ministro

O 17 de junho de 2009 está marcado para sempre na memória da esmagadora maioria de jornalistas e acadêmicos de jornalismo do Brasil inteiro. O excelentíssimo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal entendeu que, pro caboco ser jornalista, hoje em dia, não precisa mais ter diploma universitário. Pra quê esse estrago? No entendimento do STF basta só o sujeito saber garatujar umas letrinhas no papel , enfileirá-las numa telinha de computador, ou, ainda, falar besteira diante de um microfone de rádio ou de uma câmara de TV e… pronto! É jornalista!

A decisão do STF frustrou um sem-número de jovens e decepcionou outro tanto de profissionais de imprensa. A argumentação de Gilmar – de pronto acatada pelos seus pares para justificar a ideia -, foi das mais hilárias. A decepção, entre os que fazem comunicação social no Brasil, que provocou  lágrimas e até xingamentos, ensejou reações até no exterior.

Mas por que desmerecer o jornalismo? Por que apenas o jornalismo? Justo esse, que trabalha para a sociedade informando-a sobre as mazelas que acometem o Poder e denunciam corrupção, suborno, conchavos, acordos espúrios e roubalheiras existentes nos organismos oficiais do país, tais como mensalões, dólar na cueca, etc e tal. O jornalismo independente incomoda, porque é orientado pela ciência da coragem que é ensinada nas faculdades; que transforma a crítica num instrumento de advertência à nação do quanto e onde estamos sendo roubados.

Admitir indivíduos sem o compromisso com a ética e com a razão, para ocupar espaços hoje exclusivos de jornalistas, já se tornou prática comum em algumas redações de jornais, revistas e emissoras de TV. Estamos vendo o eclodir do exercício das conveniências daqueles que podem pagar mais caro, ou mais barato – depende da ocasião, e/ou do caso -, a patrões, prepostos e empregados improvisados na nobilitante função de jornalista.

Revoltado com o fato de a Justiça ter acabado com a exigência do diploma de nivel superior para o exercício da profissão de jornalista, o ilustre Fedúlcio Cunegundes Pimpo, que com muito sacrifício logrou formar-se diplomado jornalista, não se conteve:

– Não admito essa esculhambação! Essa jogada de querer desmoralizar a minha categoria, é inconcebível!

O Fedúlcio em alusão é muito louco, a maioria dos meus leitores o conhece. De tão fã que é do Reinaldo Cavalcante, ele botou na cachola a ideia de seguir os seus passos profissionais. Então, entre ser psicólogo, radialista ou jornalista, optou por esta última profissão, pelo fato de, segundo garante, ser a mais empolgante de todas elas.

Fiquei amigo do Fedúlcio através do Reinaldo. Quando o conheci, ele já era doido e, de quebra, analfabeto. Estudou, ininterruptamente, durante 37 anos  para ser jornalista. Graduou-se, mas adicionou o azar nas costas.

Semana depois da resolução do STF ele estacionou sua pessoa no forum de Maceió, carregando uma pasta preta ensebada, e cheio de direito. Ao seu lado, o irmão Federaldo, que é apenas meio doido. Na portaria, ele empinou a venta e falou pro recepcionista:

– Eu sou o doutor Fedúlcio Cunegundes Pimpo, “adêvogado”. Este aqui ao meu lado é o meu irmão doutor Federaldo Cunegundes Pimpo, “economista”…

E o porteiro, muito educado:

– Com quem os doutores estão querendo falar, por gentileza?

E o Fedúlcio:

– Na verdade, eu não quero falar especificamente com ninguém. Vim apenas comunicar que encetarei uma campanha para acabar com diploma de adêvogado. De agora em diante, qualquer um poderá ser adêvogado, sem precisar dessa besteira de ser bacharel em direito…

– Mas não pode, senhor…

– Como não pode? Onde que adêvogado é melhor que jornalista?

–  Em canto nenhum, senhor…

– Pois os ministros do STF acham que diploma de jornalista é uma bosta. Se a onda agora é essa, então vamos acabar com todos os diplomas, todas as faculdades… tudo! Minha próxima meta é ser ministro, sem diploma e sem merda de papel nenhum! Não é pra esculhambar? Então… vamos esculhambar!

 

 

 

Macho bom de morrer

 

Era um sábado de manhã. A matutada bebia sua cachacinha com tira-gosto de bode, no bar do Soró, situado lá pras bandas de Campo Alegre. Nisso para uma motocicleta possante na porta e dela apeia-se um cabra fortão, com um chapelão tipo caubói, enfiado na cabeça.

Pisando firme, o fortão entrou lá e disparou:

– Nesta merda não tem macho!

Esperou uma resposta e, com mais ênfase ainda, completou:

– Eu disse que aqui nesta merda de bar não tem macho!

Todos continuaram em silêncio. Não satisfeito, o cara pegou um matuto baixinho no balcão e falou

– Você não me ouviu? Eu acabei de dizer que aqui dentro não tem macho!!!

Tranquilão, o baixinho respondeu:

– Na verdade num tem mêrmo, purque os qui aparece, nóis mata tudo…

 

Uma questão de lembrança

 

 

Noutro bar, daqui mesmo de Maceió, dois colegas de copo já estávam pra lá de Bagdá, quando um deles perguntou ao outro:

– Ô Guimarães, tu quer saber de uma coisa? Não cheguei a transar com minha mulher antes do casamento E você?

– Não me lembro… Qual é mesmo o nome dela?

 

Com Diego Villanova