Ailton Villanova

7 de agosto de 2018

Exemplo de higiene

Criador de gado leiteiro, o velho fazendeiro Orcino Moreira andava preocupado com uma das suas vacas, justo a mais produtiva do rebanho. Mimosa portou-se bem até a oitava prenhez. Depois disso, perdeu o prumo e não parava de trombar em tudo quanto era árvore e nas coisas que encontrava pela frente. E mais: deu pra andar de bandinha. Aí, seu Orsino resolveu tomar uma providência: chamou o veterinário Agnaldo Celeri para ver qual era o problema da vaca.

Naquilo que botou o olho no animal, doutor Celeri descobriu o defeito:

– O animal está vesgo, seu Orcino!

– Ôxi! Mas ela tava tão boa! Por que terá ficado “zanolha”?

O veterinário explicou com toda a sua categoria:

– É um fenômeno que se da após o parto. De tanto fazer força para expulsar a cria, a fêmea entroncha os olhos.

– E esse problema tem solução, doutor?

– Bom, às vezes tem, às vezes não. Isso depende muito do animal. Há casos em que a solução é definitiva. Noutros, a cura é temporária. Temos um jeito de botar os olhos dela no prumo. Se der certo, tudo bem. Mas se acontecer de, mais cedo ou mais tarde, ela voltar a ficar vesga, o senhor terá que repetir a operação que eu vou fazer agora.

– Tá certo, doutor.

Então, Agnaldo Celeri pegou um canudinho e introduziu uma de suas extremidades no ânus da vaca. Em seguida, colocou a boca no outro lado e assoprou com toda força. Ploft! Como por encanto, os olhos da Mimosa voltaram para o lugar.

Ocorre que alegria do fazendeiro durou pouco. A normalidade na visão da vaca não durou nadinha. Então, o veterinário falou pro velho:

– Eu disse ao senhor que a anomalia poderia voltar, mas não imaginei eu fosse tão depressa. Mas tem nada não. Vamos fazer tudo de novo. Agora é a sua vez, seu Orcino. Repita o que fiz antes.

O pecuarista pegou o canudinho inverteu as extremidades e se quando se preparava para soprar no fiofó da Mimosa, o veterinário alertou:

– O senhor botou a boca no lado errado do canudo!

– Eu sei. – respondeu o velho.

– E por que fez isso?

– Ué, eu fiz isso pra não botar a minha boca no mesmo lado que o senhor botou a sua. Isso é anti-higiênico, sabia?

 

Pra que brigar?

Na Avenida da Paz, onde o mulherio do vapt-vupt costuma fazer o “trottoir”, o popular Vadéques Viana, também conhecido como “Xéba”, abordava uma mundana:

– Vamos tirar um “piço”?

E a dona:

– Cobro 50 reáus!

– Quéisso, mulher?!  Malucou, foi? Sou dou cinco… e olhe lá!

– Tá bom, tá bem. Não vamos brigar por causa de 45 reáus, né?

 

Mas que capacidade!

Na mesmíssima Avenida da Paz, os pinguços Anísio “Galo Cego” e Nestor “Gudenaite”, ambos bastante conhecidos na área, mandavam ver num rango popularíssimo: pão doce com caldo de cana. Enquanto mastigavam, conversavam. De repente, Gudenaite perguntou:

– Ô meu, tu tem avistado o Paulinho “Boca de Jacaré”?

– Ôxi, num sabia não? Dizem que ele tá trabalhando! – informou Galo Cego.

– Você vê, meu irmão… tem gente que por dinheiro é capaz de qualquer coisa!

 

Ela estava certa!

Doutor Altair Borges aproveitava a folga do final de semana para colocar a leitura em dia. De modo que havia se espichado na cadeira estofada do seu gabinete para ler o seu jornal numa boa. De repente, entra dona Geane, a caríssima esposa, toda aperreada:

– Tatá, o carro não quer pegar, mas eu já sei qual é o problema: entrou água no motor.

Sem desgrudar os olhos do jornal, Altamir comentou:

– Não estou querendo lhe dizer isso por maldade o despeito, mas você não sabe a diferença entre um motor e um carburador.

– Mas o que é isso, meu amor? Eu posso lhe garantir que tem água no motor o carro, sim!

E doutor Tatá, de má vontade:

– Tá bom, eu vou dar uma olhada nesse maldito carro. Onde ele está?

– Dentro da piscina!

 

Vovô tarado

Taradinho notório, o velhusco Guilhermino Capistrano caminhava todo envergadinho pelo calçadão da praia quando, de repente, deparou-se com uma loura sensacional, cujos peitos eram um convite ao pecado. Aí, o vovô não se conteve:

– Posso pegar nos seus seios, minha filha?

A moça reagiu indignada:

– Vá se catar, velho enxerido!

– Eu lhe dou 50 reais, se você deixar…

– Cinquenta reais?! – indignou-se mais ainda a gostosa. – O senhor está pensando que eu sou o quê?

– Cem. Cenzinho, topa?

– Sai pra lá, velho safado!

– E se eu lhe der 500 pra pegar somente num peitinho? É só uma alisadazinha, minha flor…

A loura balançou:

– Quinhentos reais?!

– Mil! Dou mil pra pegar nos dois, pronto!

A boazuda passou a considerar proposta: “Ele é velho, parece inofensivo…

Vou pegar os mil do otário”. Então, decidiu:

– Tá certo. Eu topo. Mas só por um minutinho, tá legal?

– Tá ótimo!

Então, seu Guilhermino se aproximou da moça e começou a acariciar os seus maravilhosos seios. Quanto mais alisava, mais exclamava:

– Ai meu Deus… Ai meu Deus… Ai meu Deus… Ai meu Deus…

A jovem intrigou-se com as lamentações do velho:

– Por que o senhor não para com essa lenga-lenga “Ai meu Deus”, “Ai meu Deus”…?

E Guilhermino, sem parar o amasso:

– Ai, meu Deus! Onde é que eu vou arrumar mil reais?

 

Com Diego Villanova