Gerônimo Vicente

5 de agosto de 2018

A humanidade esgotou no dia 1º deste mês todos recursos naturais do planeta para 2018

Escrevo este texto no dia 5 de  agosto de 2018 para alertar que há quatro dias passados a humanidade consumiu todos os recursos que a natureza pode renovar em um ano e viverá de crédito por cinco meses. O aviso sinistro vem da ONG Global Footprint Network.

No dia 1º de agosto foi a data em que usamos mais árvores, água, solos férteis e peixe do que a Terra pode fornecer em um  ano para alimentar, abrigar, mover e emitir mais carbono que os oceanos e as florestas podem absorver, conforme a parceria da entidade, Valérie Gramond.

“Hoje precisamos do equivalente a 1,7 da Terra para atender às nossas necessidades”, diz o WWF em um comunicado.

Esta data foi a mais antiga desde o lançamento do “dia de ultrapassagem” no início dos anos 1970, quando a data escolhida foi 29 de dezembro. Em 2017, ele interveio no dia 3 de agosto.

Em todo o Mundo, um terço dos alimentos acaba  no lixo e esse consumo excessivo, aliado ao desperdício,  tem acelerado o movimento terrestre. Isso prejudica a capacidade do planeta de se regenerar, informa a ONG.

A  Agência France-Press é a fonte dessa informação que trago para os leitores. Porém, o que achei mais interessante é que  a mídia brasileira não se preocupou em reproduzir, pois o Brasil, dono do pulmão do mundo, representado pela Floresta Amazônica, é um dos pais  de maior consumo excessivo, segundo dados da ONG francesa.

O legal de toda essa preocupação é que  a Global Footprint envolve cada um de nós nessa responsabilidade social ao disponibilizar em seu site a “Pegada Ecológica”, um formulário animado  que, depois de preenchido apresenta, como resultado, o quanto se gasta e quantos Planeta Terra seriam necessários para atender a pessoas como você.

Para se ter uma ideia da gravidade dos gastos da humanidade com a natureza, o planeta somente dispõe de 1,8 hectares por pessoa que podem ser regenerado no que toca aos recursos naturais. No entanto, o consumo por cada ser humano  quase alcança, hoje os 3 hectares por pessoa que é o número necessário para que haja renovação da natureza e, assim atender nossa satisfação consumista. Ou seja, o limite de renovação por ano está sendo gasto por nós no mesmo período. No mundo inteiro, atualmente, os humanos precisam de 1,7 Planeta Terra para se manter vivo. O Brasil necessita de 1,8.

A situação é muito diferente entre os países. “Temos diferentes responsabilidades: pequenos países com poucas pessoas, como Qatar e Luxemburgo, têm uma pegada ecológica extremamente forte”, diz Pierre Cannet, do WWF.  Se toda a humanidade vivesse como eles, o “dia da ultrapassagem” iria intervir a partir de 9 e 19 de fevereiro deste ano. Por outro lado, em um país como o Vietnã, a data escolhida é 21 de dezembro.O Brasil, ultrapassou essa meta no dia 18 de julho e, por isso, outro planeta está sendo renovado para nos atender. Qatar, Estados Unidos, Austrália, Rússia,França, China, Argentina, Portugal e Brasil são os países, onde a humanidade ameaça o Planeta inteiro

Dados sobre consumo da natureza ( em francês) com 1º de agusto como o dia em que se gastou recursos naturais

“Devemos ir do alarme à ação”, disse Pierre Cannet, preocupado com a recuperação global das emissões de CO2 em 2017, após três anos de estabilização.

No site do “dia da superação” são apresentadas várias soluções para reverter a tendência: rever a forma como as cidades são pensadas, desenvolver e focar energia verde, combater o desperdício de alimentos e o consumo excessivo de carne, limitar a expansão demográfica.

Calculei minha pegada ecológica no site da Global Foot-Print e percebi que  a mobilidade é o grande vilão do meu consumo, por usar carro mais de 100km por semana. E a razão disso todos os maceioenses sabem; falta de transporte público decente na nossa cidade.

Meus passos ecológicos calculados pela Global Foot-print

Todos podem calcular sua pegada ecológica em http://www.footprintcalculator.org/.

 

Quantos planetas Terra seriam necessários para atender ao ser humano

Fontes: Agência France-Press, ONG Global Foot-Print