Ailton Villanova

19 de julho de 2018

Apostador pra lá de esperto  

O ilustre Astolfo Pergalênio sempre bateu no peito e se gabou de ser o maior apostador do Nordeste, quiçá do Brasil.

– Não verdade, eu me considero o “rei” desse barato. Roberto Carlos não é o rei da Jovem Guarda? Não dizem que o negão Pelé é o rei do Futebol? E então, por que não posso ser o rei das apostas, né não?

Para provar que era o fino na aposta, estando ele em determinado clube social da cidade, resolveu desafiar a galera presente:

– Aposto 100 reais como eu consigo morder o meu olho esquerdo!

Um caboco baixinho, entre os presentes, achou de contestá-lo:

– Ora, meu amigo! Que absurdo! Mas, tudo bem! Se você está a fim de perder o seu dinheiro, tá apostado!

Astolfo retirou da órbita o seu olho esquerdo, que é de vidro e, tranquilamente, deu uma mordida nele.

O perdedor teve de dar o braço a torcer e pagou os 100 reais.

Entusiasmado, o Astolfo fez outro desafio:

– Agora, eu aposto 200 reais que consigo morder o meu olho direito!

E o baixinho perdedor:

– Não, peraí! Agora você tá querendo brincar com a minha inteligência! Cego você não é! Logo, o seu olho direito não pode ser de vidro também! Você só pode estar blefando! Mas vamos lá, eu aposto!

Calma e pausadamente o Astolfo tirou da boca o seu par de dentadura postiças e deu, com elas, um mordida no olho direito.

Puto da vida o baixinho foi obrigado a pagar. O Astolfo prosseguiu:

– Aposto 500 reais que você tem hemorróidas!

– Essa agora é demais! Porra, eu sei que não tenho hemorróidas! E não existe nenhum truque no mundo que faça com que prove o contrário! Dessa vez você perdeu 500 reais! Tá apostado!

– Bom, eu tenho que comprovar! Você vai ter que ficar de quatro e arriar as calças para eu fazer o teste.

O camarada não gostou da história. Ficou relutante, mas afinal, pensando nas quinhentas pratas que iria ganhar, acabou concordando. O Astolfo enfiou o dedão no rabicó dele, cutucou de um lado, cutucou de outro e, finalmente, falou:

– É… realmente! Você não tem hemorróidas!

O baixinho cantou vitória, todo feliz, enquanto suspendia as calças:

– Tá vendo? Não te falei? Você perdeu, meu caro! Perdeu! Rá, rá, rá…

– Perdi essa aposta de quinhentos pra você. Mas apostei com dez caras aqui no bar do clube, mil reais com cada um, que eu conseguia enfiar o dedo no seu fiofó, você não ia reclamar nada, e, ainda por cima, cair na risada! Rá, rá, rááá…

 

 

O doido e a bunda

 

O diretor do manicômio estava prestes a dar alta a um dos internos.                 Chamou-o ao seu gabinete para submetê-lo ao último questionário:

– Ô Albinésio, saindo daqui, o que você pretende fazer?

– Ah, eu vou trabalhar bastante, para ganhar muito dinheiro!

– Muito bem! E o que mais você irá fazer?

– Vou trabalhar mais ainda, pra ganhar mais dinheiro!

– Pra que você quer tanto dinheiro?

– Pra comprar uma bunda nova! A minha tá com defeito, veio rachada no meio!

 

 

Evitou demais!

 

Esculápio competentíssimo Arthur Gomes Neto, encontrava-se na Santa Casa examinando um paciente quando o telefone tocou na sua mesa. Ele atendeu, e um cara todo impaciente perguntou de lá:

– Doutor, aqui é o Herculano. O senhor se lembra que há seis meses me recomendou que evitasse a umidade?

– Claro, seu Herculno, me lembro muito bem. E o senhor não melhorou?

– Melhorei sim, doutor. Mas agora eu não poderia, pelo menos, tomar um banhinho?

 

 

Segurando pra não rir

 

Estanibaldo chegou na segunda-feira pra trabalhar, com um lenço amarrado no rosto. O detalhe chamou a atenção da turma na repartição, mas quem o abordou foi o chefe, doutor Erástomo:

– Ô rapaz! Que é isso? Tá com dor de dente?

– Tô não, doutor. Tô é de luto por minha sogra, que morreu no último final de semana. Só que, de vez em quando, não sei por quê, me dá uma vontade  de rir da porra!

 

 

Era só dar o tom

 

Depois de uma bruta farra num daqueles botecos da Feira do Rato, o popular Gilcledo, vulgo Gogó de Sola, caiu de bêbado na praça Deodoro, quando esparava condução para a Chã da Jaqueira. Ao seu lado, o companheiro violão de incontáveis jornadas.

Aí, chega um guarda invocadão que, cheio de autoridade, falou para o bebão:

– Tá bêbo aí né? Me acompanhe, por favor!

Gilcledo empunhou o violão e retrucou com a lingua engrolada:

– O que você vai cantar?

 

 

Medida lusitana

 

Dois bêbados espiavam o noticiário na televisão do bar. De repente, informou o locutor:

– Mais um helicóptero acaba de cair em Portugal. Mais detalhe daqui a pouco…

Um bêbado olhou pro outro e indagou:

– Ô parêia por que acontecem tantos desastres de helicópteros em Portugal?

– É porque quando fica frio, os pilotos desligam o ventiladorzão que fica em cima.

 

Com Diego Villanova