Ailton Villanova

14 de julho de 2018

Dois dedos, apenas…

Gente fina, o necropsista José Maria da Silva, hoje gozando de justa aposentadoria, sempre foi muito querido pelo pessoal do jornalismo policial. No que sempre lhe competiu, jamais deixou um repórter sem a devida informação,  não importando a que jornal ou emissora de rádio ou TV, pertencesse. Um verdadeiro democrata.

É verdade que, às vezes, Zé Maria extrapolava os limites de sua responsabilidade, quando o assunto era imprensa. Por isso mesmo deu muitas dores de cabeça aos seus superiores hierárquicos, principalmente a mim, que fui seu diretor. É que ele jamais soube dizer NÃO à um jornalista, que quase sempre o levava no papo. O leitor sabe como é jornalista.

Um dia, o saudoso colega Ródio Nogueira, à época editor de polícia do Jornal de Alagoas, recebeu a informação dando conta de que um cidadão havia praticado o suicídio, atirando-se sob as rodas de um comboio da RFN, na praça do Prirulito, e que seu corpo, todo esbagaçado, havia sido removido para o Instituto Médico Legal. Ródio ligou pra lá. Coincidentemente, Zé Maria atendeu:

– IML, boa tarde!

E o Ródio:

– É o Zé Maria?

– É ele mesmo, chefia. Mande as ordens…

– Zé… aqui é o Ródio Nogueira. Eu gostaria que você me confirmasse se o corpo de um homem que o trem matou no Pirulito já se encontra aí no IML…

– Positivo, chefia!

– O cadáver está muito mutilado?

– Um bocado, chefia. Mas só perdeu mesmo dois dedos!

O jornalista ficou embatucado:

– Ô Zé, eu não manjei nada dessa informação. Primeiro você diz que o cadáver ficou mutilado e depois fala que ele só perdeu dois dedos!… Como é que é nesse negócio?

Zé Maria esclareceu:

– É o seguinte, chefia… Por mais que procurasse, só não conseguimos achar no local do acidente, dois dedos da vítima. O restante, a gente recolheu numa boa, botou dentro de um saco e trouxe pra cá. Sacou agora?

 

 

O tarado e o gay

 

Moradores do Tabuleiro do Martins andavam invocados com as peripécias de um tarado e um gay, naquele território. Simultaneamente, eles atacavam as suas vítimas nas áreas desertas, e sumiam sem deixar rastros.

O tarado ficava escondido por trás das moitas e, quando mulheres incautas se aproximavam, ele saltava na frente delas, nuzão como nasceu, e exibia o pinto duro. Em alguns casos, chegou até forçar relações sexuais com as vítimas.

Enquanto isso, os rapazinhos não tinha sossego com as investidas de uma bicha muito escrota chamada Nivalda, que agia sempre no período noturno.

As queixas foram se avolumando na delegacia do 4° DP ( a circunscrição ainda era do 4° DP). Bronqueado com aquela situação ridícula, o delegado da época, Nivaldo Aleixo, reuniu o seu pessoal e deu a ordem:

– Quero o tarado e o viado presos, hoje mesmo!

Os tiras do 10° DP foram competentíssimos no cumprimento da ordem superior. Prenderam a dupla.

A notícia dando conta que os degenerados haviam sido capturados e estavam sendo levados de camburão para a distrital, agitou os tabuleirenses. Todo mundo se mandou pra lá. Quando eram retirados da viatura policial e

empurrados para dentro da delegacia, um deles gritou para a multidão:

– Ei, pessoal! Pelamordedeus não confundam! Eu sou o tarado, estão ouvindo? Meu nome é Damásio. A bicha é este outro aqui, ó, o… a Nivalda, certo?

 

 

UM ASSASSINO INVOCADO

 

Soldados PM prenderam praticamente em flagrante,  o gari José Tibiriçá e o levaram algemado à presença do delegado Valdir Silva de Carvalho, no 6° DP. Carvalho mirou o caboco de cima a baixo e lascou lá:

– Como é que o senhor agrediu um homem um sem motivo, seu Tibiriçá?

– O senhor me desculpe, mas não ataquei ninguém sem  motivo, doutor! Eu tive mesmo um motivo pra dar uma porrada naquele indivíduo…

– Então me explique como, e por quê, se deu a agressão.

E ele, encarando a autoridade:

– É o seguinte… Eu tava com uma dorzinha muito chata na garganta, que não passava de jeito nenhum. Fui alí no posto médico e aí o doutor me receitou um remédio, um tal de su… supus…

– Supositório! – ajudou o delegado.

– Isso, doutor! Saí do posto e corri pra farmácia. Comprei o remédio e aí caí na besteira de querer saber do cara que me atendeu, como era que tomava aquele comprimido, já que tinha me esquecido de perguntar ao doutor. Aí, o fiadaputa me mandou enfiá-lo no fiofó…

 

 

Com Diego Villanova