Ailton Villanova

13 de julho de 2018

COMO ELA NÃO USAVA…

Indivíduo simples e pacato, o professor Periosto Astragalo só foi feliz no seu casamento com dona Antúrcia até o quinto ano. Depois daí, o parangolé desandou. Prepotente, vaidosa e besta, ela exigia tudo do infeliz, que pra ser santo só faltava mesmo as asas.

Nos últimos tempos, para conversar com a esposa, mesmo sobre os assuntos mais simples, Astragalo tinha que marcar audiência. Madame estava sempre ocupada com programinhas e chás com as amigas. Tempo nenhum para o marido, que trabalhava que nem um condenado para manter o luxo da mulher e a casa nos trinques. Antúrcia não batia um prego numa broa.

Um dia, ela que sempre subestimou a capacidade de reação do marido, teve uma bela surpresa. Chegando em casa mais cedo dos seus furdunços com as parceiras, encontrou o Astragalo na cama com uma morena lindona e muito da gostosa. Aí, alterou:

– Eu não acredito, Astragalo! Diga que eu estou tendo uma miragem, diga!

E ele, falando grosso, como jamais havia falado:

– Miragem porra nenhuma! É isso mesmo que você está vendo!

– Que ultrage, meu Deus! Exijo explicações, Astragalo!

– Explicações? Pois tá bom. Eu estava voltando pra casa no meu carro, quando reparei nesta linda jovem, que me pareceu cansada e um bocado maltrapilha. Aí, eu a trouxe pra cá, e preparei-lhe uma refeição caprichada com a carne que você esqueceu no freezer. A pobrezinha estava descalça e então eu dei pra ela uma das sandálias novinhas que você faz questão de  não usar mais…

– É, estou vendo elas aí no pé da cama!

– Como ela também estava com frio, dei-lhe um banho morno bem esperto, peguei aquele suéter que lhe dei de presente no Natal e você não gostou, vesti nela. Suas calças estavam rasgadas, então eu dei aqueles jeans que não cabem mais em você,que engordou que nem uma porca…

– Porca, eeeuuu, Astragalo?!

– Sim. Você está muito parecida com uma porca. Bom, continuando… Depois de elegantemente vestida, bem calçada e bastante agradecida, esta bela criatura avisou que estava indo embora. Nesse momento, muito emocionada, ela finalmente me perguntou: “Tem mais alguma coisa que a sua mulher não usa?”

 

 

Só entrando na fila!

 

Naquele tempo em que para ser delegado de polícia não era preciso ter diploma de bacharel em direito, e nem militar, nomearam um certo “irmão” Irineu, evangélico radical, para o posto de autoridade policial em Palmeira dos Indios. A primeira coisa que ele fez, assim que assumiu o posto, foi proibir a venda de cachaça na cidade. A bebida só poderia ser comercializada em caso de emergência, quando alguém, por exemplo, fosse picado de cobra.

Um visitante achou a medida um tanto absurda e, por mera curiosidade, perguntou a um morador da cidade:

– Há muita cobra por aqui, meu amigo?

Respondeu um morador:

– Há uma alí pracinha, mas o senhor vai ter que entrar na fila!

 

 

Garota atrevida

 

Sujeito muito do abusado, o Alcolídio caminhava pela calçadão da orla de Cruz das Almas, pra lá de biritado e mexendo com todo mundo. De repente, abraçou uma jovem desconhecida, que lhe meteu a mão na cara:

– Cafageste! Bêbado safado! Tá pensando o quê? Como se atreve a me abraçar assim? Você não é meu marido e nem nada…

E ele, indignado:

– E você? Como se atreve a me dar uma porrada dessa, se não é a minha mulher?

 

 

Mulher escandalosa

 

O condômino chegou pro novo síndico Orquibaldo e reclamou:

– Olha, o senhor precisa falar com a mulher do 302.

– Por quê?

– É que cada vez que o marido dela chega em casa, ela grita, quebra coisas, faz a maior zorra. Não deixa ninguém dormir!

– Certo. E quem é essa mulher?

– É a minha!

 

 

Fim de prazo

 

Enquanto mastigava uma canelinha de caranguejo, no Bar do Alipão, o Cleodivanelson se lastimava perante o companheiro de biritagem Pergalineudo:

– Briguei com a Etrúzia, minha mulher, e ela jurou não falar comigo durante um mês!

– Esquenta não, cara! Essas coisas acontecem.

– Como “não esquenta”, cara? O prazo termina hoje!

 

 

Pra quê perna?

 

Perto do Manuel Oscarleupo, o finado Mané Garrincha podia ser considerado pintinho recém saído do ovo.

Deficiente físico e muito bom de papo, ele conseguiu “segurar” uma balzaca ricaça cheia de riquififes, para curtir um barato chegado a uma horizontal alcóvica.

Antes de partirem para os “finalmentes”, os dois decidiram “esquentar as idéias” num barzinho à beira-mar. A farrinha terminou quando a noite chegou. Então, rumaram para o apartamento da mulher. Antes de cairem na cama, o casal iniciou uma sessão de esfregação incrementadíssima. De repente, ela se virou pro Manuel, cheia de bronca:

– Como é, rapaz? Você é capado? Tem pênis não, é?

E ele, tranquilão:

– Pênis eu tenho, claro. O que não tenho é a perna esquerda.

 

Com Diego Villanova