Ailton Villanova

11 de julho de 2018

NÃO ERA CRUCIFIXO. ERA O NAMORADO!

Todos os tipos – possíveis e imagináveis -, de remédios indicados para a engorda de criatura humana, fabricados aqui e no exterior, o distinto cidadão Anilésio Quintino já experimentou. Todos. Mas continua mais fino do que uma folha de papel, apesar de gozar de boa saúde. Dada a sua magreza, Anilésio ganhou o apelido de Macarrão. Por conta disso, transformou-se no cara mais recalcado da face da Terra. Ele não tira a camisa em público, não veste bermuda para não expor os cambitos, e só dá preferência a blusões com enchimentos, produzidos com exclusividade pela costureira Maria Ezíquia, desde quando era adolescente.

 

Macarrão sempre sonhou ser um rapaz normal como todos os demais. Quase quarentão, ainda continua donzelo. Justifica que nunca transou, porque sempre temeu ser ridicularzado pela parceira. Um dia, ele chegou bem perto de realizar o maior sonho de sua vida: num lance de sorte arrumou uma namorada linda, maravilhosa, muito da gostosa, fato que chamou a atenção de todos.

 

A tal namorada, certamente seria eleita Miss Universo, houvesse se submetido ao olho clínico dos jurados do certamente. Tímida, olhos esverdeados, seios durinhos e apetitosos, ela é professora. Quando Anilésio imaginava que poderia levá-la à alcova, ele sentia calafrios e seu coração disparava. Como tirar a roupa diante de uma criatura  cujo corpo é tão perfeito, verdadeira tentação?

 

Expondo seu drama ao amigo Coriolano Capistrano, este aconselhou:

 

– Vai firme, bicho! Deixa o complexo de inferioridade de lado, pega a garota e manda ver. Encara o problema numa boa!

 

– Essa minha magreza é que me mata, meu irmão! Quando ela reparar na minha esqueletitude, irá sair correndo!

 

O amigo pensou, pensou e depois sugeriu:

 

– Então, você faz o seguinte: leva ela pro quarto já com a luz apagada. Pede pra ela não acender a luz de jeito nenhum e explica que no escurinho a sensação é muito melhor.

– Certo.

– Em seguida, você tira a roupa e manda ver!

 

Anilésio seguiu à risca o conselho do amigo, assim que baixou com a namorada num quarto de motel. Ficou pelado, ela ídem, os dois no maior blecaute.

 

– Está deitadinha, meu amor? – perguntou Anilésio no meio da escuridão.

 

E a moça, ansiosíssima:

 

– Estou sim, meu lindo! Vem! Vem logo pra cima de mim!

 

O cara foi, mas de maneira desastrada, em razão de sua inexperiência e ansiedade: marcou distância e pulou em cima da garota, que gritou apavorada:

 

– Socorro, Anilésio! Caiu um crucifixo em cima de mim!

 

O namoro acabou ali, porque o Anilésio não foi homem suficiente para recuperar a broxitude que o acometera.

 

 

 

 

Louca ao volante

 

Tanto dona Valdetrudes insistiu, que o marido Euclípedes Nonato entregou-lhe o volante do carro, na viagem de volta do Recife. Tremenda duma irresponsabilidade!

Logo na saída da capital pernambucana ela ultrapassou oito sinais vermelhos e entrou na contramão nove vezes. Deu pra sentir o terror?

Na estrada livre, aí é que Valdetrudes se soltou: enfincou o pé no acelerador do automóvel, forçando o ponteiro do velocímetro encostar no canto: 300 k/h. Aí, o marido apavorou-se:

– Meu amor, será que não dava pra você ir mais devagar nas curvas?

E a madame, feliz da vida:

– Deixa de ser frouxo, meu nego! Se tá com medo, faça como eu: quando chegar na curva feche os olhos!

 

 

Políticos mentirosos

 

Um ônibus velhusco, lotado de políticos que iam participar de um comício, capotou, rolou por uma ribanceira e ficou lá em baixo, todo esbagaçado. Um matuto chamado Severino, viu todo o acidente e logo se encarregou de enterrar todos os ocupantes do veículo sinistrado. Dia seguinte, apareceu a Polícia Militar e procurou a testemunha:

– É verdade que o senhor viu tudinho, seu Severino? – perguntou o oficial que comandava a investigação preliminar.

– Vi, inhô,sim.

– O que aconteceu com os políticos que estavano ônibus?

– Nóis interrô! – respondeu o matuto cheio de orgulho.

– Mas estavam todos mortos?

– Bom… teve uns qui dizia qui não. Mas o majó sabe cuma os pulítico é mintiroso, né?

(Reproduzida a pedido)

 

 

Morte dupla

 

A galeguinha Nivalda chegou para trabalhar debulhando-se em lágrimas. O chefe Asdrobaldo, bem solícito, correu para acudí-la:

– O que aconteceu, minha filha?

E ela:

– Snif… hoje pela manhã, antes de sair para o trabalho recebi um telefonema de Sergipe dizendo que a minha mãe morreu! Buááá…

Penalizado, o chefe aconselhou:

– Volte pra casa, minha querida. Vá descansar. Hoje, você não tem a menor condição de trabalhar.

E ela, enxugando as lágrimas:

– Não quero. Prefiro ficar trabalhando. Vai me distrair!

Algumas horas depois, o chefe observou que a lourinha estava novamente em prantos. Sofria muito mais. Então, ele foi até ela de novo:

– Tá vendo? Eu não lhe disse para ir descansar em casa? Você não melhorou nadinha!

Nivalda levantou a cabeça e retrucou:

– A bruxa está mesmo solta, doutor Asdrobaldo! Acabei de receber um telefonema da minha irmã… A mãe dela também morreu!

 

Com Diego Villanova