Ailton Villanova

6 de julho de 2018

Geografia é com o IBGE!

Governo Médici. O exército não dava trégua àqueles que tinha na conta de comunistas e, por conseguinte, subversivos. Ai de quem fosse!

Naqueles tempos de chumbo, Brasília mandou à Alagoas, na maior moita, um certo coronel Cardoso, cuja fama era a de “implacável caçador de comunistas”. Ele podia até ser bom no metiê, mas de geografia não manjava bulhufas.

Cardoso baixou em Maceió cheio de precauções, para não ser descoberto. Obedecendo a um plano estratégico bolado pelo finado SNI, hospedou-se no Parque Hotel, localizado na praça D. Pedro II, pegado com a Biblioteca Pública e de frente para a Assembléia Legislativa e Catedral Metropolitana. Não é preciso dizer que a missão de Cardoso era secretissima. Temia, o oficial, que até no órgão onde servia pudesse haver algum comunista infiltrado, e aí sua missão poderia ir pro beleléu. Cardoso não confiava nem na própria sombra.

Acontece que o repórter Zito Cabral, que era um profissional muito bem informado, além de competentíssimo, descobriu, não se sabe como, a presença do coronel por estas bandas e o seu respectivo “esconderijo”. Viu aí a grande oportunidade para um furo jornalístico nacional. Precisava cair em campo. O que ele fez, então? Ligou para o dono do hotel:

– Boa tarde, seu Euclydes! Aqui é o Zito Cabral, do Jornal de Alagoas…

– Como vai, Zito? – respondeu o hoteleiro.

Zito prosseguiu:

– Seu Euclydes gostaria de falar com o oficial do exército que esta hospedado aí no seu hotel, é possível?

Seguríssimo, o hoteleiro deu uma de inocente:

– Pra lhe ser sincero, Zito, o único oficial do exército que eu conheço é um dos meus filhos, que por sinal está servindo na Amazônia…

E cortou o papo.

Cabral não se deu por vencido. Ele era ousado e persistente. Aquele furo não haveria de perder, de jeito nenhum! Na maior cara de pau foi ao hotel e, lá, não se sabe como, conseguiu saber o número do apartamento que o oficial ocupava. De volta à redação do jornal, ligou para o militar. Quem atendeu foi um tenente ajudante-de-ordens. Zito sapecou:

– Aqui é o repórter Zito Cabral. Quero falar com o coronel Cardoso!

O tenente ficou embasbacado:

– Como o senhor ficou sabendo que o coronel está hospedado neste hotel?

Malandro, Cabral deu uma de misterioso:

– Informe confidencial, tenente! Diga ao seu superior que eu gostaria de marcar uma entrevista com ele…

– Um momento que eu vou consultá-lo.

O tenente fez a consulta, e deu o retorno, muito seco:

– Senhor jornalista, o coronel irá recebê-lo amanhã de manhã. Passar  bem!

No outro dia, bem cedinho, Zito Cabral estava no pé da conversa. Sem mais delongas, deu início  entrevista:

– Qual o motivo de sua visita à Alagoas, coronel?

Cardoso tergiversou, desprezando a pergunta do jornalista. Não foi prático e nem objetivo:

– É muito difícil combater o comunismo aqui em Alagoas, meu caro!

– Como assim, coronel?

– A gente cerca esses subversivos em Palmeira dos Indios e o que acontece?

– Sim… E o que acontece, coronel?

– Eles fogem pela fronteira do Rio Grande do Norte!

– Mas coronel, Alagoas não faz fronteira com o Rio Grande do Norte!

O militar encerrou o papo:

– Problema de geografia não é comigo. É com o IBGE!

 

 

Entregou o carro e a mulher

 

O malandro Sabino Lourenço chegou pro amigo Aldinalvo Inácio e deu o toque:

– Bicho, preciso que você me quebre um galho…

– Qualé?

– Me empreste o seu carro.Tenho um negócio urgentíssimo pra resolver. Depois você vai ficar por dentro.

E o Aldinalvo:

– Tá legal. Mas vê se não demora muito, porque ainda tenho que pegar a minha esposa no emprego…

– Pode deixar que eu apanho!

– Você faz isso pra  mim, meu? Brigadão, viu?

– Ora, é o maior prazer!

Sabino pegou a mulher do amigo e sumiu com ela, pra lugar incerto e não sabido… com carro e tudo!

Hoje está fazendo 5 anos.

 

 

A casa do azar

 

O diarista Argeleu Santana entrou em casa pra lá de biritado. Olhou pra um canto, olhou pra outro e abriu a bocarra:

– Muleeerrr, quê qui houve com essa casa?

E a mulher, dona Quitéria:

– O que é que tem a casa, homem de Deus?

– Ela encolheu!

– Tu tá é bêbo! Quem encolheu foi o teu juízo de tanta cachaça! A casa tá do mesmo jeitinho!

– A casa encolheu, sim. E eu vou dar um jeito nestante!

Dito isto, o Auzolêu correu pra rua e desapareceu na escuridão da Brejal. Daí a pouco retornou com dois amigos cachaçudos, cada um deles com uma pá e uma picareta nas costas. Pararam em frente a casa e Auzolêu ordenou:

– Comecem a derrubar a banda direita, que eu vou derrubar a esquerda, certo? Quando tudo tiver no chão, a gente começa a construir ourtra casa mais comprida e mais larga, com dois andares por cima!

Aí, a dona da casa, gritou de dentro:

– Esperem aí! Deixem eu sair primeiro!

Madame saiu e os bebaços começaram a usar os seus instrumentos. Nas primeiras picaretadas que deram a casa caiu por cima dos três.

 

Com Diego Villanova