Ailton Villanova

30 de junho de 2018

 O AMIGO JACARÉ

O Asnóbrio Oldoceu (lembra dele?) voltou a beber contrariando todas as recomendações médicas e psicológicas. Desta vez botando pra quebrar, sob a alegação de que “é pra tirar o atraso”.

Asnóbrio começa a beber de manhã, quando levanta da cama, e só para quando não tem a menor condição de continuar equilibrado em cima dos solados dos pés.

Pois bem.

Puxando o maior fogo, Asnóbrio saiu de um dos seus botecos prediletos, no bairro da Jatiúca, cerca das 4 da madrugada. Como não reunia a menor condição de ir caminhando pra casa, em razão do seu acentuado estado etílico, ele escorou-se num poste e ficou aguardando a passagem de um taxi. E haja a reclamar:

– Nesta merda num passa taxi nenhum!

Em dado momento reparou de lado e o que foi que viu? Um avião? Um  navio? Um taxi? Nada disso! Ele viu foi um baita jacaré do papo amarelo de mais de 2 metros de comprimento! Sem receio algum, foi muito cordial com o bichão:

– Se não estou enganado e a vista não me falha, você é um jacaré, não é?

– Positivo, meu! – respondeu o animal.

–  E aí, jacaré, tudo em cima?

– Tudo jóia!

–  Também tá esperando taxi?

– Tô!

– Legal! Nesse caso a gente vai junto no taxi…

– Falô!

Providencialmente, surgiu um taxi no cenário. Eles pararam o veículo e se enfiaram dentro. Rodaram uns dez quarteirões e o Asnóbrio ordenou:

– Para! Para esta porcaria! Tá muito apertado pro meu amigo jacaré! Vamos descer jacaré?

– Vâmo!

Já na calçada, Asnóbrio decidiu:

– A gente vai de ônibus. Você deita de comprido no corredor e pronto! Vamos lá!

E pegaram o ônibus. Asnóbrio e o jacaré. Na quinta ou sexta parada, o bebão decidiu:

– Vamos descer amigão. Me dá uma pena danada ver esses passageiros pisando nas suas costas. É melhor a gente continuar andando a pé, o que você acha?

– Legáu!

Andaram alguns metros…

– Essa não! Você está esfolando a barriga toda no chão, jacaré! O jeito é eu levá-lo pra minha casa!

Asnóbrio pegou o jacaré botou nas costas – peso infeliz! –  e saiu se arrastando até em casa. Chegou lá, jogou o animal na cama e desabou no chão, morto de cansado…

Ferrou no sono e o jacaré desapareceu.

 

 

Puxa, que fé!

 

Depois de participar de uma farra incrementadíssima, o topógrafo Colidélfio Brandão se mandou de carro do Pilar pra Maceió, enfrentando uma madrugada de muita chuva. Biritado, dirigia de venta colada no parabrisa. A certa altura do caminho, lá pras bandas do Tabuleiro do Pinto, o carango enguinçou.

– Putaquipariu! Esse fiadaputa acha de quebrar logo agora! – desabafou.

Colidélfio desceu do carro soltando palavrões os mais cabeludos, abriu o capô e começou a tatear fios, bobina, velas… Enfurecido, danou-se a jogar tudo no chão.

Nisso, parou ao lado uma kombi, com três irmãs de caridade dentro. A que se encontrava ao volante, por sinal a mais idosa, não se conteve ao escutar tantas blasfêmias e aconselhou ao Colidélfio:

– Calma, meu filho! Tudo vai dar certo. Ponha muuuita fé no seu serviço…

Aí, saltou outra irmã e completou:

– É isso mesmo. Deus é pai. Ele vai socorrer o irmão. Tenha muita fé!

A terceira irmã deu a carga final:

– Por que não reza? Reze, filho!

Colidélfio parou de dar murros na lataria do carro, ajoelhou-se no asfalto e pôs-se a rezar. Em seguida, pegou as peças no chão e, aos punhados, foi jogando as referidas no espaço destinado ao motor. Terminou, fechou o capô.

Entrou no carro, girou a chave, deu a partida, o carro pegou e ele disparou rodovia afora.

Pasma e atônita, a irmã mais idosa exclamou:

– Vai ter fé assim na putaquipariu!

 

 

Marido desmancha prazer

 

O bacana Luzicânio Aparecido entendeu de dar uma colher-de-chá à mulher, dona Valdécia. Pegou-a e levou pra uma festa em certo clube social, onde só tinha gente finória. Beberam, comeram, se divertiram numa boa. Lá pra meia-noite o Luzicânio resolveu que estava na hora de voltarem pra casa. Valdécia chiou:

– Por que a gente não fica mais um pouquinho, amor?

E ele:

– Aqui tá bom demais, mas é hora de a gente voltar. Vamos embora!

O casal estava se dirigindo pro estacionamento, quando pulou na frente um meliante de revólver em punho:

– É um assalto! Vamos passando a grana e as jóias!

O marido entregou a carteira e o relógio pro bandido. Mas ele queria mais. Virou-se para a madame e determinou:

– E a senhora, dona, encoste aí na parede.

Maldécia obedeceu e o marginal começou a apalpá-la à procura de jóias. Meteu a mão por dentro do sutiã, ela soltou um gemido lascivo:

– Ooohuuummm

O bandido continuou, enfiando a mão por baixo da saia da mulher. Aí, o marido bronqueou:

– Êpa, rapaz! Para com isso! Você não já pegou o nosso dinheiro? O que é que você quer mais?

Quem respondeu foi Valdécia, cheia de malcriação:

– Ô Luzicânio, você quer deixar o rapaz fazer o serviço dele direito? Não atrapalha, pô!

E virando-se para o ladrão:

– Continue, meu filho!

 

 

Na contramão

 

Dia de jogo no Trapichão, um carro percorria a avenida Siqueira Campos na contramão e em alta velocidade. Aí, um guarda montado numa moto, conseguiu pará-lo e deu o esbregue no motorista:

– Você tá maluco, rapaz? Aonde pensa que está indo?

Mais mamado do que peito de mãe de trigêmeos, o motorista respondeu:

– Pra falar a verdade, hic, eu não sei! Mas tenho certeza de que tô atrasado, porque todo mundo já tá voltando!

 

    Com Diego Villanova