Ailton Villanova

26 de junho de 2018

O ZÉ DA PAIXÃO

 

Até os 19 anos de idade o Godofredo José Paixão foi um rapaz ajustado, cumpridor dos seus deveres e obrigações. De repente, virou vagabundo e biriteiro. Dizem as más línguas que essa “reversão” em sua vida deveu-se a uma paixão recolhida. É que ele amou demasiada e desenfreadamente a linda Maria Terta (Teté), sem, todavia, ser correspondido.

Teté era uma mulher-dama que atuava na zona do meretrício do bairro portuário Jaraguá dos tempos saudosos. E Godô, perdidão de amor, gastou tudo o que tinha com essa ingrata criatura.

Teté sumiu da vida de Godô quando ele, com o coração transbordando de amor a pediu em casamento:

– Sai pra lá, otário! Repara se eu vou me casar com um “pé rapado” como você! – humilhara a quenga.

A partir daí ele entregou-se ao vício da embriaguez alcoólica. Vivia caído nas calçadas e pulando de bar em bar. Até que um amigo chegou pra ele e disse:

– Levante-se homem! Mulher nenhuma vale esse sacrifício!

– Mas eu sou fraco. Não consigo me livrar do vício. Sinto que alguma coisa está me arrastando para o abismo…

– Já sei. Você tá é com um “encosto”!

– Ôxi! Que diabo é isso?

– É espírito mau. Bem logo vi que havia coisa ruim na sua vida. Procure o pai-de-santo Dedé de Ogum, que ele vai dar um jeito na sua vida, você vai ver..

Godô procurou o tal babalorixá. Era um cara gordinho, todo carnavalesco, enfeitado de tudo quanto era cor, que foi logo decretando:

– Ê-ê! Você tá possuído do espírito maligno radical chamado Calibundo Xequeté. Esse é terrível!

– Ai, meu Deus! E o que é que vou fazer?

– Bom, pra deter a ruindade e a influência desse mau espírito, você terá que fazer o sacrifício extremo, meu amigo.

– Porra! Sacrifício extremo só se for a crucificação!

– Anhã-nhã-nhãe! Tirou a palavra da minha boca! Como estamos bem próximos da Sexta-Feira da Paixão, você vá se preparando para enfrentar uma cruz esperta.

Passaram-se os dias e numa determinada tarde, aí pelas 15 horas, lá estava o Godofredo da Paixão todo fantasiado de Cristo, braços abertos, pronto para receber os pregos de 8 polegadas adquiridos por Pai Dedé, quando a polícia baixou no ambiente, levando todo mundo para a cadeia.

O babalorixá e a galera envolvida no ato, incluindo aí o Godô,foram processados por “bruxaria, tortura, tentativa de homicídio, desrespeito às Sagradas Escrituras, à religião e particularmente ao próprio Cristo”. Dez anos de cadeia pra cada um.

 

O caso é nacional! 

De um bar finório da orla marítima, um sujeito saiu tropeçando, totalmente embriagado. Mal se punha em pé. Mesmo assim, ele se dirigiu a um automóvel e tentou abrir sua porta, quando um guarda chegou junto:

– O senhor bebeu demais, meu amigo. Não devia fazer isso. Lembre-se de que todos os anos, centenas de brasileiros morrem devido ao álcool.

E o cara, engrolando a língua:

– Isso ser broblema de focês! Eu ser alemón!

 

A gripe certa

      O cidadão estava entrando em determinado bar da capital, quando foi abordado por um bebão:

– Ô ccchefia… fazzz fffavor…

– Diga!

– Me explique aí… O cccerto é gripe ou gripa?

– Gripe.

– Então eu ssstou gripedo!

 

Genro caridoso

Toda contente, dona Antígona dizia a uma amiga, no cabeleireiro:

– Meu genro é ótimo! Ontem ele me disse que me dará uma passagem para o Japão!

– Puxa, Antígona, que beleza! Você vai sozinha?

– Vou. E meu genro já avisou que vai mandar a passagem de volta quando eu estiver lá!

 

Praticidade lusitana

Metido a entendido, o Nicomedes testava a inteligência de um amigo:

– Ô Anfrísio, tu sabe como é que os portugueses passam desodorante?

– Claro que eu sei, meu. Eles pegam o “isprei” e borrifam o líquido nos sovacos, como todo mundo faz.

– Nada disso. Eles jorram o desodorante no ar, levanta o braço e saem andando, passando o sovaco pelo ar perfumado.

 

Peitos, a causa

Depois de acurado exame em determinada paciente, doutor Roberto Nolasco resolveu telefonar para o marido da referida:

– Olha, seu Antenor, estou ligando para o senhor para informar que as dores de tórax de dona Olímpia, sua esposa, são consequência de uma angina muito grande…

E o marido:

– Ah, doutor, eu bem que desconfiei! O senhor já reparou direitinho nos peitos dela? Eita peitões da gota serena! Deve ser isso, a causa dessa bubônica de angina!