Ailton Villanova

22 de junho de 2018

Remédio impossível

Forrozeiro e pilhéria, o Aderbal Nepomuceno emendou o sábado passado com o domingo seguinte, só na base da chinela . Ele havia saído de casa, em Bebedouro, às 7 da manhã para trabalhar apenas um expediente. No Mercado da Produção. Acontece que no caminho encontrou-se com o amigão Sustenildo Abreu, sanfoneiro de um trio nordestino e aí deu um drible no itinerário. Ao meio-dia desse mesmo sábado junino, ele já estava biritadão, dançando xaxado e forró  numa quebrada do Tabuleiro do Martins, embalado pelo resfolego da sanfona do amigo Sustenildo.

Vinte e quatro horas depois, isto é, no domingo pela manhã, ele foi visto em Fernão Velho, biritado e meio, arrastando os pés numa quadrilha animadíssima, no terreiro da casa de um certo Zé Pinto. Voltou pra casa à noite, tropeçando nas próprias canelas e chamando Jesus de Genésio. Ao assentar os solados dos pés na sala, eis que dona Artemísia, a cara metade, deu o esbregue:

– Mas que bonito, hein seu irresponsável? Dois dias fora de casa e ainda chega bêbado!

– Dois dias, não! Um dia e meio. – consertou Aderbal. – Mas eu posso lhe explicar, minha nega.

– Você não vai explicar nada, cretino! Trate logo de dar meia-volta e correr até a farmácia…

– Pra que, amor? Por acaso eu estou doente?

– Você, não! Quem está doente sou eu!. Desde ontem me atacou uma dor-de-cabeça horrível…!

– Você quer eu que lhe compre um comprimido de “Melhoral”, é isso?

– Não senhor. Eu quero que você me traga Novalgina.

– Nova… o quê?

– Novalgina, seu idiota. Novalgina com “L” no meio da palavra, entendeu?

– Ah, bom. Entendi. Deixa comigo. Vou num pé e volto noutro!

Aderbal saiu, passou no bar do Misso, na subida da ladeira do Calmon, tomou umas cervejas com a turma do Calibra e do Sílvio Targino e ficou mais frasqueado ainda…

Cinco horas mais tarde, depois de ter tomado ainda uma garrafa de uísque com o Costa Cabral, ele se lembrou que tinha de voltar à rua a fim de comprar o analgésico para a esposa.

Duas outras horas mais tarde, estacionou em casa, sem o bendito remédio.

– E então, cretino, cadê a porra do remédio? – explodiu a mulher.

– Achei não, meu amor. Bati Maceió inteira, quase fui ao Recife, e não encontrei o remédio em farmácia alguma.

– Como não encontrou, seu canalha? Aposto que você voltou a beber e se esqueceu da farmácia!

– Esqueci não, minha nega. Garanto que fui a todas. Na última, o cara do balcão passou mais de uma hora procurando nas prateleiras. Procurou, procurou e não achou esse tal de remédio chamado “Bucleta”.

 

Uma pra dois

Sábado passado e os amigos Tebúrcio e Lubércio enchendo a cara no Bar do Duda, em Mangabeiras. Lá pelas tantas, os dois completamente cachaçudos, eis que o primeiro falou para o segundo:

– Parêia, acho que tá na hora de fazer uma deixa.

– Pode ser, contando que a gente pague cada um uma nega e vá pro motel.

– Dá pra mim não, Tebúrcio.

– Por que, cara?

– Não dá pra mim, porque lá em casa eu tenho uma mulher muito da gostosa e eu mal dou conta do recado.

– Então, a gente faz o seguinte: a gente toma mais uma e aí vai pra sua casa, tá bom assim?

 

Trocou os buracos

Ainda no sábado passado, de manhã logo cedinho, o guarda Euclípedes fazia sua ronda, quando avistou um sujeito aparentemente embriagado, tentando abrir a porta de casa, sem sucesso.

– O senhor mora aqui? – perguntou o guarda.

– Claro! Tô chegando agora do forró do Béu Oião, ali no Pontal,  e não consigo abrir a porta. Parece que esta chave está quebrada!

– Mas isso não é uma chave, meu amigo! Isso é um supositório!

– Porra meu louro! Onde será que eu enfiei a merda da chave?

 

A grande oportunidade

O Reobaldo andava muito a fim de comer a morenaça Maria Cícera. Preparou uma cantada que achava irresistível e ficou esperando uma oportunidade para utilizá-la.

E eis que no último carnaval, a oportunidade surgiu. Foi num barzinho em Bebedouro. Todo mundo amigo, conversando, bebendo e dançando um forrozinho quando, de repente, o Reobaldo depois de um gole reforçado de cerveja, encarou a morena e lascou lá:

– Cicinha, o que você acha de eu meter a língua na sua orelha?

É claro que todo mundo ouviu e ficou esperando a resposta da moça, que veio rápida:

– Ô Réo, que bom! Se você não falasse de língua e orelha eu ia acabar esquecendo de que lhe convidar: vai lá em casa no sábado que a gente vai fazer uma feijoada.

 

Com Diego Villanova