Ailton Villanova

15 de junho de 2018

Exemplo nada correto

Nascido praticamente em berço de ouro, o Onésimo Gomes Neto jamais soube o que é uma dificuldade na vida. Sempre teve tudo do bom e do melhor, a tempo e a hora. Estudou nos melhores colégios da Capital, frequentou os centros de ensino superior mais evoluídos do País, mas não conseguiu se graduar em nada, por um detalhe plausível: sempre foi preguiçoso. Por conta disso, virou vagabundo. Mas – entenda aí, leitor -, vagabundo na melhor expressão da palavra. Quer dizer, um vagabundo “bem”, segundo definição da cronica social.

Dinheiro pro Onésimo Neto, ou Netinho (conforme é conhecido no “Rái Soçaite”), nunca foi problema.

Apesar de todos os predicados negativos que a oposição lhe atribuiu, Netinho sempre foi um rapaz de bom coração. Bonitão, atlético e elegante, esse distinto e guapo rapaz ,mal completou 35 anos, arrumou uma moça finória e com ela transitou pelo altar da igreja católica, com uma parada para pronunciarem o tradicionalíssimo “sim”, diante do padre Arqueleu Mendonça.

Netinho jamais precisou trabalhar para se manter em cima do solado dos pés. Dinheiro na sua conta bancária existia aos montes. Todos os meses a grana crescia consideravelmente. O avô bancava pra ele, além da sobredita grana, os carrões, as viagens internacionais, as homéricas festas que

promovia na sua mansão roliudiana, instalada no bairro mais nobre e rico de Maceió.

Eis, em síntese, a figura do ilustre Onésimo Neto.

Um dia, ele trafegava sua pessoa pela orla marítima quando lhe surgiu pela frente um mendigo todo sujo e fedorento, que lhe estendeu a mão e pediu:

– Por favor, doutor, me arrume 1 real pra eu poder tomar um café…

Netinho encarou o esmolante e disse:

– Venha comigo até o bar, que eu lhe pago um drinque.

– Obrigado, doutor, eu não bebo. Eu só quero 1 real pra tomar um café…

– Olha, eu lhe dou um maço de cigarros e um charuto, se você quiser…

– Eu não fumo, só quero 1 real para o café – insistiu o maltrapilho.

E o Netinho, naquela renitência:

– Vamos fazer uma coisa… Estou indo até a casa lotérica que fica alí na esquina e quero que você faça uma aposta. Se der o número, o prêmio é seu.

– Eu não jogo, doutor!

Finalmente, Netinho tomou outra decisão:

– Tá bom, meu caro. Vou levá-lo à minha casa. Quero que você conheça a minha mulher. Ela vai lhe fazer o melhor café que você já tomou.

– Mas por que o senhor quer fazer uma coisa dessas?

– Simples. Eu quero que ela conheça alguém que não bebe, não fuma e não joga… e veja o resultado!

 

 

Cultura jurídica

 

Ronibaldo Roberto, advogado e boçal, além de analfabeto jurídico, claro.

Eis que certa feita, lá se encontrava o indigitado proferindo discurso de defesa, numa sessão do Tribunal do Juri. A certa altura, empolgadíssimo,  encarou o corpo de jurados e disparou:

– … e lavo as minhas mãos como Herodes!

Depois de escutar essa, o promotor de justiça pediu a palavra e consertou:

– Data vênia, doutor, quem lavou as mãos não foi Herodes. Foi Pilatos!

Então, Ronibaldo Roberto, o advogado boçal, exclamou:

– Será, excelência, que Herodes era tão imundo, a ponto de, nem uma vez na vida, tenha lavado as suas mãos?

 

 

Lógica lusitana

 

Mal  assentou o solado dos pés em terras brasileiras, o português Manuel Prata conseguiu arrumar um emprego na Companhia de Trens Urbanos. Um dos colegas, achou por bem lhe dar as coordenadas, já que ele era novato na função:

– Olha, amigo Manuel, vou lhe dar um conselho…

– Ora, pois. Dê-mo, antão.

– Seguinte… nunca ande no último vagão.

– Mas por quê?

– Porque em caso de acidente, é sempre o mais prejudicado.

– Ora, pois! Nesse caso, por que o colocam no trem?

 

 

Só dormindo

 

Em mesa de bar a gente vê cada uma!

Em mesa de bar, depois de tomar todas o camarada rí do nada, ou chora de coisa alguma.

Em mesa de bar tem nego que dá uma de rico, mesmo não tendo onde cair morto.

Em mesa de bar a gente escuta tanta conversa mole… Exemplo disso é o papo registrado entre dois amigos de copo, em meio a uma farra esperta:

– Ô Geraldo, me diz uma coisa…

– Só se for agora, Godofredo. Fala!

– Tu ronca muito?

– Só quando durmo!

 

 

Ô coitado!

 

Um médico encontra com outro no corredor de certo hospital. Um deles saca o seguinte papo:

– Lembra do seu Coriolano?

O outro responde:

– Aquele que tem diabetes e pressão alta?

– Esse mesmo!

– Se não me engano ele tem gota, enfisema pulmonar e cálculo renal, não é isso?

– Exatamente!

– Como vai ele?

– Morreu!

– Coitado, tão cheio de saúde!

 

Com Diego Villanova