Ailton Villanova

30 de maio de 2018

O eleitor complicado

Eleições passadas.

Depois de ter atravessado o sábado inteirinho e a madrugada do domingo eleitoral em tudo quanto foi de boteco do Tabuleiro do Martins e do Benedito Bentes, o Fedúlcio finalmente assentou o solado dos pés na seção eleitoral onde estava cadastrado. Biritadíssimo e com a vista mais complicada do que letra de medico, ele entrou lá vestindo uma réplica da camiseta da seleção  brasileira, bermuda azul e calçando tênis verde-amarelo, pintados por ele próprio. Grande exemplo de brasilidade!

Mal se viu dentro do local da votação, ele se dirigiu a um PM que organizava a fila dos eleitores:

– Ô autoridade, fazzz favorrr – aí, soltou o terrível bafo de cachaça acumulada, na cara do PM.

Com uma careta, o militar acusou o golpe heroicamente. Recompôs-se respirando fundo e replicou:

– Eita bubônica da peste! Você bebeu demais, cara!

– E o que você tem com isso? Trate bem o eleitor, representado aqui na minha pessoa! – contrapôs Fedúlcio cheio de moral.

– Mas que você tá bêbado, isso tá! Vai votar desse jeito?

– Não é da sua conta! Largue de ser metido e me diga onde é que fica a seção 130.

– Fica alí no final do corredor. Dê meia-volta e faça o favor de ir

se dirigindo pra lá.

Ao fazer a meia-volta, Fedúlcio quase caiu. Tropeçou nas  próprias canelas, equilibrou-se e marchou pra lá. A primeira porta que encontrou, empurrou e entrou. No que entrou, o quarteirão inteiro escutou o berro:

– Socooorrrooo! Polííícia, socooorrrooo! Tem um tarado aqui!

Imediatamente correu ao local um monte de soldados.

Pegaram o Fedúlcio pelos sovacos e saíram arrastando ele pelo corredor.

Cheio dos direitos, Fedúlcio protestava:

– Me larguem! Me larguem, seus arbitrários! Sabem que eu não posso ser preso? Respeitem a lei eleitoral!

E o sargento, comandante da guarnição:

– Pode ser preso, sim. A lei eleitoral também tem as suas excessões, seu tarado!

– Que história é essa de tarado? Sou um eleitor de respeito e amigo de pessoas ilustres!

– Cala a boca, degenerado! Como é que em plena eleição você tenta atacar uma pobre velhinha, que fazia precisão no sanitário…

– Peraí! Peraí! E aquela velhinha estava fazendo precisão no sanitário? E ela não era a presidenta da seção eleitoral, não?

– Claro que não, seu safado! Ela estava fazendo xixi…!

– Putaquipariu! Biritado do jeito que eu estou, não reparei direito! Bem que desconfiei quando não vi nenhuma urna de votação!

 

 

Papais brigões

 

Ao chegarem ao local de onde foram chamados com urgência, policiais da Rádio Patrulha encontraram dois caras descendo porradas um no outro. Perto dos contendores, um garotinho chorava e gritava:

– Papai! Papai!

Enquanto três militares separavam os litigantes, o sargento comandante da guarnição falava pro garotinho:

– Chore não, meu filho! Qual dos dois é o seu pai?

E o garotinho:

– Sei não, moço. É por isso que eles estão brigando!

 

 

Loucos do volante

 

Um certo Turibaldo foi flagrado dirigindo em velocidade excessiva. Detido, foi levado à presença do delegado Antônio Rosalvo Cardoso, o proverbial Mamão.

Naquilo que bateu o olho no infrator, Mamão o reconheceu:

– De novo, rapaz?! Mais uma vez dirigindo em alta velocidade no perímetro urbano, hein? Em quantas oportunidades já lhe vi na minha frente?

– Na sua frente, nenhuma, doutor. Por várias vezes tentei ultrapassar o automóvel do senhor, mas nunca consegui!

 

 

Gorda agressora

 

Mal a mãe entrou em casa, de volta do trabalho, o pentelhinho Hipérides fez o fuxico:

– Mãínha, dona Vagnalda me deu um cascudo! Olhe aqui o calombo na minha cabeça, tá vendo? Ainda tá doendo!

Ah, pra quê! A extremosa mãe partiu firme para a casa da vizinha agressora, para tirar satisfação:

– Ô Vagnalda! Por que você bateu no meu filho?

– Porque ele é muito abusado. Me chamou de gorda!

– Ah, foi? E por acaso você acha que vai emagrecer batendo nele, sua gorducha?

 

 

Assalto inusitado.

 

Além de ousados, os meliantes estão ficando bastante criativos.

No toalete da rodoviária um anão pediu para um sujeito que estava urinando:

– Ei, amigo! Me bota em pé nesse banquinho pra eu poder

mijar também. Pode ser?

Muito gentil e solidário, o camarada atendeu ao pedido do baixote. Assim que subiu no banco, o anão agarrou no saco do sujeito e anunciou:

– Isto é um assalto! Me passa logo a carteira, senão eu pulo do banquinho!

 

 

Mania esquisita

 

No bar do Peteléco, o Andalúrbio desabafava com um amigo:

– Sabe, Domingos, a minha mulher anda com uma mania esquisita, rapaz!

– E que mania é essa?

– Ela passa a noite inteira em pé debruçada na janela do quarto!

– Puxa! Mas o que diabo ela fica fazendo esse tempo todo?

– Esperando eu chegar!