Ailton Villanova

24 de maio de 2018

Salvo pelo giz

O empresário Epifânio Astromar sempre se orgulhou de ser um sujeito certinho. Trabalhador, dono de admirável espírito de solidariedade, ele só andava na linha, feito trem. Um dia, tentado por uma diabinha, mijou fora do caco e passou a constituir mais um número na estatística dos maridos adúlteros.

O barato é o seguinte:

Tempo chuvoso, Epifânio concluiu o expediente no seu escritório no começo da noite, aí pelas 19 horas. Ao passar com seu carrão importado pelo ponto de ônibus, avistou sua gostosa secretária Rosita toda molhadinha, debaixo da maior chuva. Aí, falou mais alto o tal do espírito solidário: ele deu marcha à ré no veículo, parou e chamou a moça:

– Você quer uma carona?

E ela, tiritando de frio:

– Quero.

Rosita subiu no carro, os dois se mandaram e, ao cabo de pouco tempo, estavam chegando a porta do prédio de apartamentos onde morava a gostosura. Antes de descer, ela sugeriu:

– Não quer tomar um cafezinho, um uísquinho, alguma coisa…?

– Não, muito obrigado. Preciso ir pra casa.

– Imagine, doutor… O senhor foi tão gentil comigo! Suba um pouquinho até o meu apartamento…

Um convite feito daquele modo, em tom tão melífluo e tentador, Epifânio não era burro pra recusar. Ele subiu até o apê da boazuda, prometendo que se demoraria o tempo suficiente para beber uma dose de uísque.

Daí a pouco, aboletado no sofá da sala da acochegante residência de Rosita, o bacana sorvia o uísque com parcimônia. Enquanto isso, a garota se trocava no quarto de dormir. Ao voltar à sala, ela vestia um baby-doll transparente e exalava um perfume sensualíssimo. E que pernas a jovem possuía! E que corpo! O cara não teve como resistir: traçou a secretária ali mesmo, no sofá.

A segunda, a terceira, a quarta, a quinta e a sexta etapas da transa eles executaram na cama. A cada transada, a garota assinalava com um giz no quadro negro. De manhã, lá pelas 7 horas, Epifânio se lembrou que tinha um lar. Vestiu-se rapidamente, colocou o giz atrás da orelha e disparou de volta pra casa. Tentou entrar na maciota, mas dona Cirinéa, a digníssima consorte, estava acordada, esperando por ele:

– Muito bonito, não é, seu Epifânio? Onde o senhor esteve até agora?

Ele foi sincero:

– Aconteceu o seguinte, meu amor… eu saí do escritório mais cedo do que de costume e, ao passar pelo ponto do ônibus, avistei a minha secretária debaixo da maior chuva. Então, dei carona pra coitadinha. Chegamos ao edifício onde ela mora, e ela insistiu tanto pra que eu subisse, que acabei cedendo. Bebi demais e acabamos na cama. Transamos tanto, que terminei dormindo de tão exausto me encontrava. Acordei não faz muito tempo.

– Deixa de ser mentiroso, seu gaiato! Você estava era jogando sinuca com seus amigos até agora! Olha só… esqueceu até o giz na orelha!

 

O menor inseto do mundo

 

Dona Austerclinia Moreira foi uma educadora austera. Possuía cabelo na venta, que mais parecia um bico de papagaio e equilibrava-se em cima de dois cambitos, que chamava de canelas. Cheia de recalque, não dava colher-de-chá pro alunado. Era parada dura.

Um dia, na sala de aula, ela sabatinava um grupo de estudantes do terceiro ano do antigo primário:

– Maria Rita , você sabe me dizer qual é o menor inseto existente na face da terra?

A garota respondeu em cima da bucha:

– É a pulga, dona Austerclínia.

E a professora, cheia de direito:

– Não, Maria Rita. Não é a pulga.

Aí, salta o aluno chamado João Pedro e fala:

– Só pode ser o piolho!

– Quase,  Joãozinho. Não é o piolho!

– Eu sei! Eu sei! – gritou o menininho chamado Braguinha, agitando os braços, lá no fundo da sala.

– Você sabe? Então, diga!

– É o Penumbis pumbis!

– Penumbis pumbis?! Que inseto é esse, menino?

– É o popular chato. Chato é um bichinho que fica grudado nos pentelhos dos culhões…

– Seu moleque imoral! Como castigo, você vai fazer uma pesquisa em casa e trazer a resposta certa, amanhã. Caso contrário, vai levar um zero e ficar na recuperação.

No dia seguinte, a primeira coisa que dona Austerclínia fez quando se viu na sala de aula, foi perguntar ao Braguinha:

– E então, garoto? Fez a pesquisa?

– Fiz professora.

– Então, conte para a classe qual é o menor inseto do mundo.

– É o Xolungus xong, vulgo “Ling-ling”. – anunciou Braguinha.

– Xolungus xong?! “Ling-ling”?! Isso não existe!

– Claro que existe, dona Austerclínia!

– Ah, é? E onde é que a gente encontra esse inseto, menino?

– Ele fica grudado nos pentelhos do saco do Penumbis pumbis, o chato!

 

 

Idéia luminosa

 

Boquinha da noite, dois amigos do peito – um deles inteligentíssimo -, caminhavam com destino a Jatiúca, quando encontraram na rua um estranho pacote. Eles o abriram e tiveram a grande surpêsa: dentro do referido se achavam duas granadas. Depois de uma breve discussão, resolveram levar os explosivos para a delegacia de polícia mais próxima. Mas aí, um deles pensou um pouco e perguntou ao outro:

– Ô Jotajó, e se um desses negócios explodir no caminho?

E o inteligente Jotajó:

– A gente fala que só encontramos um, certo?

 

 

PODE DAR TUDO!

 

O pedreiro Aristarco Algaroba largou do trabalho, numa obra de engenharia, lá pras bandas de Cruz das Almas, e se mandou a pé pra casa, no Jacintinho. No meio do caminho, foi acometido de violenta dor de barriga, seguida de tremenda disenteria. Não tendo outra saída, resolveu se aliviar  por alí mesmo. Só fez acocorar-se ao pé de um cajueiro e mandar ver aquele cocozão aloprado. Reparando na cena, um transeunte, reclamou:

– Ei, cara! Comequié? Tu cagando no meio a rua! Vou dar parte na delegacia do 6° Distrito.

E o Aristarco, levantando as calças:

– Se depender de mim, o senhor pode dar tudo!