Ailton Villanova

22 de Maio de 2018

A TURMA DA BANDA NÃO COMUNGA!

Padre Herculano Eunápio Feitosa era um velhinho muito sensível, muito casto, muito compreensivo. Um santo vivo. Detestava palavrão. Na sua presença não se falava em sexo, abertamente. Por sua vontade, rapazes e moças de sua paróquia, situada no interior de Pernambuco, sempre davam uma “meia embreagem” nas confissões; evitavam contar os seus pecados sem riqueza de detalhes. E a paróquia tinha uma turminha que era muito safada.

– Falem por metáforas, meu filhos. – ensinara o vetusto servo de Deus – Por exemplo, em vez de “isso” ou “aquilo”, vocês digam: “Hoje eu toquei trombone”, “hoje eu bati no tarol”, “hoje dedilhei uma harpa”, “toquei piano”, “usei o bombo”, etc. Fica mais decente assim, vocês não acham?

A rapaziada concordou e assim foi feito. Durante considerável lápso de tempo o vigário confessou a garotada nessa base. Um dia, ele teve de se ausentar da paróquia para tratamento de saúde no Recife, e no seu lugar ficou o jovem sacerdote chamado Jair Elesbão, que era bastante moderno. Quase um mês depois, padre Herculano retornou para sua paróquia e a primeira coisa que o seu substituto fez foi elogiar a juventude de lá:

– Que pessoal bom e ingênuo o desta cidade, hein, padre Herculano?

– Ingênuo? Aqui só tem safado!

– Discordo, padre. O senhor me desculpe, mas não posso admitir que essa turma que só entende que fazer poesia, tocar instrumentos musicais, essas coisas, seja pecadora!

Aí, padre Herculano bateu na testa:

– Ah, meu Deus! Esqueci de avisar a você! E onde é que eles estão?

– Já estão lá, na mesa de comunhão, esperando a hóstia sagrada.

O velho sacerdote arregalou os olhos e correu lá para a frente do altar, gritando:

– Parem a comunhão, imediatamente!

Em seguida , dirigiu-se à rapaziada:

– Ei, turminha da banda! Sai todo mundo da mesa de comunhão!

 

 

Caneta barulhenta

 

Depois de procurar bastante, o distinto Joselindo Baêta encontrou um apartamento para alugar, que dava na medida pra ele. O senhorio, muito exigente e que residia no andar inferior, submeteu-o a verdadeira sabatina:

– Eu alugo, mas com restrições… O senhor tem filhos?

– Não, não. De jeito nenhum.

– Ah, sim, porque eu detesto barulho. Este prédio é meu. Eu o considero o mais silencioso do mundo. O senhor chega tarde em casa?

– Chego cedo.

– E a sua mulher, lava louça em casa, cozinha, canta no banheiro?

– Não senhor. Eu não tenho mulher.

– Mas, de vez em quando…

– Não senhor, nunca…

– Quer dizer que não tem perigo de barulho?

– Bem… sou obrigado a confessar que tenho mania de escrever.

– E daí?

– Daí que eu tenho uma caneta Parker antiga. Ela arranha muito o papel quando eu escrevo…

 

 

Um guia muito gago

 

Ex-embarcadiço, o cearense Siderlan Teobaldo tinha um grave defeito vocal. Quer dizer, era gago. Pra falar era o maior sacrifício e isso atrapalhava bastante a sua vida. Mas ele a tocava numa boa. Quando ele deixou a vida do mar, inventou de ser guia turístico na África, sonho da sua vida.

Um dia, ele caminhava à frente de um grupo de turistas ingleses, em plena selva africana quando, de repente, deu uma brecada, levantou o braço e começou a gritar:

– Hip… hip… hip…

E a turma toda respondeu, na maior alegria:

– Hurra!

Exaltado, o gaguinho gritou outra vez:

– Hip… hip… hip…

E a galera:

Hurra!

Siderlan tentou explicar, mas era tarde demais: veio uma manada de hipopótamos e passou por cima dos turistas.

 

 

Método eficiente de convencimento

 

Dois caras, ainda jovens, presos no Recife por vender maconha, foram levados à presença de um juiz muito sábio e compreensivo chamado Lisymaco Tenório. Este, analisou a dupla e disse:

– Vocês parecem bons rapazes e eu gostaria de lhes dar uma possibilidade melhor do que passar um tempo na cadeia. Quero que vocês saiam neste final de semana para mostrar a outras pessoas os demônios que as drogas representam e as convençam a desistir delas para sempre. Nos encontraremos novamente na próxima segunda-feira, combinado?

– Combinado. – responderam os rapazes.

Na segunda, os dois jovens se apresentaram ao magistrado, e o primeiro falou pra ele:

– Bem, excelência, eu persuadi dezessete pessoas a desistir das drogas para sempre.

– Isso é maravilhoso! – exclamou o magistrado. – Como você as convenceu?

– Usei um diagrama. Desenhei dois círculos, um grande e outro pequeno. Então, eu disse a cada um delas: “Olhe para este círculo grande. É o seu cérebro antes das drogas, e o outro é o seu cérebro depois das drogas”.

– Mas isso é sensacional! – elogiou o juiz. E, dirigindo-se ao outro: – E você, como foi?

– Bem, excelência, eu convenci 156 pessoas a desistir das drogas.

– Caramba! Mas isso é espetacular! Como conseguiu essa façanha, meu rapaz?

– Bem, eu usei os mesmos dois círculos. Apontei para o círculo pequeno e disse: “Este é o seu cu antes da prisão…”

 

 

Virgem demais!

 

Conservador até dizer basta, padre Hildebrando de Góes fustigava os fiéis com o tema “pecado”, na hora do sermão. Foi se empolgando cada vez mais, até que finalmente berrou:

– Haverá uma única virgem neste recinto? Se houver, que fique de pé!

No fundo da igreja uma jovem com um bebê no colo se levantou.

– Filha, você entendeu bem a pergunta? – indagou o sacerdote.

– Claro, padre. Mas o senhor não vai querer que esta menininha de duas semanas pare em pé sozinha, não é?

 

Com Diego Villanova