Ailton Villanova

9 de maio de 2018

Velhota altamente perigosa

Numa histórica cidade do interior de Alagoas, viveu uma senhora tão notória quanto uma cédula de moeda corrente de sua época, o Cruzeiro. O nome dela era Aguilhobalda Raposo, solteirona, professora aposentada. Um dia, ela foi convocada ao forum, na qualidade de testemunha, para depor num processo meio invocado. Mal ingressou na sala de audiência, ela encarou o promotor de justiça e perquiriu:

– O que é que você tá fazendo aqui, menino?

O representante do Ministério Público espantou-se:

– A senhora me conhece?

– Claro que lhe conheço, seu fedelho! Você não é o Juninho, filho do Aristóbulo?

– Sou sim, senhora. – respondeu o promotor atônito.

– Pois é, eu lhe conheço desde bebezinho . E, francamente, você me decepciona, rapaz! Você trai a sua mulher, é fofoqueiro e mentiroso!

O promotor amarelou e ficou mudo, olhando para o juiz e para as demais pessoas que se encontravam no recinto. Depois de uns dois minutos de silêncio constrangedor, o promotor retomou a palavra, titubeando:

– E o nobre advogado de defesa… por acaso a senhora também conhece?

– Onde está ele?

– Olhe ele alí, ó…

A velhota ajeitou os óculos na ponta da venta, fixou a vista no apontado e disparou:

– Aaahhh, é o Jorginho! É claro que eu conheço esse safado, desde criancinha, também. Foi meu aluno no curso primário. Sua mãe, a Zuleide, adorava quando eu lhe aplicava umas boas palmadas na bunda. Esse daí é metido a santo, mas é um perdido. A vida dele é beber e andar com as raparigas, na zona. Não ganha um processo na na justiça.

A estas alturas o magistrado estava de orelha em pé. Mal a vetusta fechou a boca, ele pediu que se aproximassem o promotor e o advogado. E falou baixo e energicamente para os dois:

– Escutem aqui. Se um de vocês perguntar a essa velha filha da puta se ela me conhece, eu mando prender por desacato!

 

 

Verdadeira serpente

 

Depois de escutar os insistentes apelos da esposa, o Oribaldo foi vencido pelo cansaço. De modo que pegou a sogra e a levou ao médico. Isso, com a maior má vontade, diga-se de passagem.

Chegaram os dois – ele e a sogra – ao consultório do doutor Euclíes Cavalcante, oportunidade em que o Orbaldo se manifestou:     – Essa aqui é a minha sogra. Faça dela o que o senhor bem entender…

O médico levou a paciente até a sala de exames e retornou algum tempo depois, com a maior cara de desânimo.

– É o seguinte, meu amigo… – explicou o médico – estou encontrando alguma dificuldade para curar sua sogra.

– Não diga, doutor! – reagiu, com indisfarçável alegria.

– Sua sogra tem um tipo sanguíneo bem diferente do nosso. De modo que vamos precisar de uma serpente…

 

 

Encanador enganador

 

Sujeito legal é o Angeluz Monteiro. A sogra dele, dona Benevalda, é quem bem o descreve:

– Esse homem é um santo! É uma graça divina!

Um elogio desse, partido de uma sogra é a glória! É ou não é?

E a mulher do Angeluz, a Tarcísia? Ela é demais! Cheia de curvas e belas ancas, é adorada pelo Angeluz. Aliás, a galera masculina toda também adora a Tarcisinha, principalmente o garotão Marcão, morador da casa ao lado.

Foi com esse  mesmíssimo Marcão que a mulher do Angeluz passou a tarde inteira de um sábado, curtindo um barato entre quatro paredes, que vinham a ser, justamente, as do quarto do casal Angeluz/Tarcísia.

Cansados da “batalha”, os dois se meteram debaixo do chuveiro. E estavam lá, nuzões, tão entretidos na safadeza, que nem notaram a chegada do dono da casa .

– Mas o que é isso, Tarcisinha? Quem é esse cara? – gritou Angeluz.

E a boazuda, na maior tranquilidade:

– Ah, amor… esse é o encanador!

– Encanador???!!!

– É, meu amor. Ele veio consertar o chuveiro, que estava dando choque. Justamente agora, ele está terminando o serviço…

– Mas ele tinha que ficar despido desse jeito?

Dessa vez foi o Marcão quem falou:

– É o seguinte, meu amigo… Eu tinha que ficar embaixo do chuveiro pra sentir o drama, tá me compreendendo? Está claro que, vestido, eu podia molhar minha roupa todinha. Foi sua adorável esposa, que está aqui me ajudando no serviço, quem sugeriu que eu ficasse nu!

Angeluz baixou a pancada:

– Meu Deus! E eu nem havia pensado nisso. Desculpe aí, viu? Pode continuar o serviço à vontade!

 

 

Melhor solução

 

O saudoso médico Aílton Rosalvo, além de clínico competentíssimo, foi um exímio perito legista. No mais, era piadista nato.

Tinha uma coisa com esse meu finado xará, e colega de perícia forense: não gostava de dar consulta em via pública, apesar de, incontáveis vezes, atender gratuitamente no seu consultório particular. Quando ocorria de ser abordado por alguém em via pública, nesse sentido, ele reagia com uma piada na ponta da língua.

Um dia, transitando pela Rua do Comércio, foi parado por um oportunista:

– Doutor, gostaria de uma dar uma palavrinha com o senhor…

E o Aílton:

– Diga!

– É que eu ando meio cansado, as pernas pesadas… O que o senhor me aconselha?

– Tome um taxi!

 

 

Pessoa errada

 

     Chamaram a polícia porque o pau estava quebrando no bar do Nezinho Parráu, localizado na Ponta Grossa. Os PMs já chegaram baixando o cacete. O tenente que comandava a guarnição, deu um tiro pro ar e berrou:

– Acabou-se a esculhambação! Todo mundo de mão na cabeça e barriga encostada na parede!

Os brigões obedeceram à voz de comando do oficial e este se dirigiu ao sujeito que atendia ao balcão:

– Quem começou a briga?

– Foi aquele camarada alí, seu tenente! – respondeu o atendente, apontando para um cara de macacão.

E o dedurado, se defendendo:

– Foi ele quem provocou, seu tenente!

O balconista rebateu:

– Eu não. Apenas eu pedi pra ele pagar a conta!

O oficial PM chegou mais pra perto do cara de macacão e perguntou, na base do grito:

– Por que você não quiz pagar a conta, seu malandro?

– Que conta, tenente? Eu entrei aqui pra consertar a torneira da pia, a pedido do dono do bar. Aí, esse imbecil exigiu que eu pagasse a conta!

 

Com Diego Villanova