Ailton Villanova

5 de maio de 2018

Um deles conseguiu!

Num vôo internacional, de repente descobriram-se, lado a lado, um rabino e um bispo católico. Viagem longa, os dois começaram a conversar animadamente. A certa altura, o rabino perguntou ao bispo:

– Qual é o primeiro estágio da vossa carreira, prezado amigo?

E o prelado:

– Bem, nós começamos como seminaristas, depois passamos a noviços e em seguida nos ordenamos padres.

– E depois?

– Bem, depois, com um pouco de trabalho, podemos ser  vigários paroquiais.

– Sei. E daí pra frente?

– Bem… passamos a cônegos, depois monsenhores e alguns de nós, com muito estudo e dedicação, chegamos a bispos.

– E depois de bispos, há alguma possibilidade de algum cargo mais alto?

– Sim, sim. Depois de bispos podemos evoluir para os cargos de cardeais. É muito difícil, mas podemos atingir aos postos de cardeais.

– E Papa? O prezado amigo pode chegar a ser papa?

E o bispo, cheio de humildade:

– Eu diria que é praticamente impossível. Primeiro, porque, tradicionalmente, há muitos e muitos anos só se elegem papas europeus, preferencialmente italianos. O atual pode ser considerado uma exceção. Além disso, eu precisaria ser um verdadeiro sábio, quase um santo…

– Bom, mas é possível, não é?

– Possível seria. Mas as chances são, pode-se dizer, completamente nulas.

– E você poderia chegar a Jesus Cristo?

– Ah, meu nobre, isso é totalmente impossível!

– É mesmo?

–  Claro. Impossível!

– Bom – completou o rabino – um dos nossos rapazes conseguiu.

 

 

Esclarecimento oportuno

 

Numa conferência mundial de personalidades ilustres, doutor Joaquim Manuel já não mais aguentava ver o professor inglês Sir Walther Lantz contar tanta prosa a respeito das grandes invenções invenções de seus compatriotas. “Sir fulano inventou isso”; “Lord sicrano inventou aquilo”… Até que o inglês mencionou o limpador de parabrisas.

– Alto lá! – protestou o português – O limpadoire de parabrisas quem inventou foi um português chamado Manuel Joaquim!

E antes que o inglês pudesse dizer qualquer coisa, Manuel Joaquim completou:

– O inglês apenas aperfeiçoou a invenção do patrício, botando o limpadoire pro lado de fora do vidro!

 

 

O “negócio” era bem diferente

 

Na delegacia de polícia, seu Marinaldo Batista, homem bastante simples, prestava depoimento perante o delegado, a respeito de um crime que presenciara:

– E então, doutor, sem dar conta da minha presença, o tarado agarrou a mocinha à força e, abrindo a braguilha de sua calça, puxou pra fora o… como vou dizer… tirou o…

– Tirou pra fora o órgão – intervém o delegado, em seu auxílio.

– Olha, doutor, parecia mais uma flauta, viu?

 

 

Corcunda, mas perfeito!

 

Missa dominical, igreja superlotada, fiéis bastante contritos. Do púlpito, padre Odulpho, empolgadíssimo, deitava falação versada em capítulos e versículos bíblicos. Em dado momento, ele enfatizou:

– E então, meus filhos, tudo que Deus faz é perfeito!

Do meio da platéia, levantou-se o corcunda chamado Candido, e indagou, com ar de reprovação:

– Ah, é? E eu?

Padre Odulpho não perdeu o rebolado:

– Você? Ora, meu caro, você é o corcunda mais perfeito que eu já ví!

 

 

Palitos deliciosos

 

Indivíduo bastante humilde, mas trabalhador pacas,

Sebastião Virgulino, peão de obras da construtora do conspícuo Edjasme Godói, foi honrado com o convite para o jantar de aniversário do patrão, na mansão deste. Maior grafinagem, e ele lá, com medo de dar algum fora, só de olho nos demais convidados. O negócio era observar como eles se comportavam, para fazer o mesmo – o jeito de comer, de beber, essas coisas. Aí, ele bateu o olho num cara que dava a entender estar muito à vontade. O cara palitava os dentes com discrição.

Mais tarde, o anfitrião vem cumprimentá-lo:

– E aí, Sebastião? Está sendo bem servido?

E ele, cheio de bajulação:

– Olha, patrão, eu nunca comi tão bem. Só daqueles palitinhos que as pessoas comem escondido, tapando a boca com a mão, eu já comi bem uns quarenta!

 

 

Nenhuma mosca come muito!

 

Bar do Duda, matriz do centro da cidade. A freguesia na maior mastigação e o garçom Tonho Arapiraca driblando mesas e cadeiras, equlibrando na palma da mão, uma bandeja cheia de comida. De repente, ele ouve o chamado:

– Ô garçom!

Arapiraca se virou para o local de onde partira a voz e viu um baixinho de braço levantado:

– Um momento, doutor. Chego já aí!

Mas o freguês, chato pra burro, insistiu, na base do grito:

– Olha, rapaz! Tem uma mosca na miha sopa!

Descontraído e muito gozador, o garçom respondeu:

– Se preocupe não, doutor. Mosca não come muito!