Ailton Villanova

4 de maio de 2018

Tempo ótimo???!!!

O publicitário e jornalista Aylton Nunes, paulojacintense autêntico, sempre foi chegado a uma soneca. Vira e mexe, cai na horizontal e puxa um ronco esperto, não importando o tempo e a hora.

Determinada época, isso pelos idos de 70, ele trabalhava como redator e rádio-escuta no Departamento de Jornalismo da Rádio Gazeta AM. Entre o redigir de uma e outra notícia, dava uma pregada de olho pelo menos uns dois minutos. A roncadeira do xará era tal que, um dia, seu chefe imediato, o saudoso Jurandyr Tobias, o isolou nos plantões de finais de semana, onde ele podia roncar até capotar.

Houve uma época em que, aos domingos, a Rádio Gazeta mantinha a cada meia hora (à excessão do espaço destinado ao futebol), um boletim noticioso intitulado “Em Cima da Hora”, criação do papaizinho aqui, modéstia à parte. Nesse informativo, a exemplo do “Correspondente Bentes” (depois “Alagoas Diesel”), que ía ao ar nas horas cheias, em cinco audições diárias, também era obrigatória a inserção da previsão do tempo, sempre antes da “última notícia”.

Pois bem. Certo domingo o meu xará chegou à emissora disposto a puxar um ronco mais caprichado, porque o sábado fora bárbaro – muita cerveja, muito tira-gosto de canela de siri e companhia feminina escolhida a dedo.

Nunes sentou-se diante da máquina de datilografia e lascou o dedo pra frente. De uma só tirada ele produziu dez boletins, incluindo, naturalmente, a  parte meteorológica. Feito isso, estirou o esqueleto em cima de uma imensa mesa que existia na sala do jornalismo e abriu o bocão a roncar. Mais ou menos uma hora mais tarde, foi acordado abruptamente pelo diretor-geral da emissora, o também saudoso José Barbosa de Oliveira, que era um anadiense austero.

– Êpa! Dormindo em serviço, “professor”? E que negócio é esse de “tempo bom com nebulosidade variável”, hein, hein?!

Atordoado, Aylton Nunes esfregou os olhos e respondeu:

– Tô entendendo nada, doutor Barbosa!…

E o Barbosa, invocadíssimo:

– Quem não está entendendo nada é o ouvinte, “professor”! Você já reparou como está o tempo, ao invés de ficar aí dormindo, hein, hein?

– E o que é que tem o tempo? – redarguiu o Aylton ainda atordoado.

– Veja você mesmo com os seus próprios olhos!

O xará espiou pela janela. Caía o maior toró, inclusive com relâmpagos e trovões, cada um mais incremetado que o outro. O mundo estava escuro que nem breu. É que, com preguiça de consultar o setor de meteorologia do Ministério da Agricultura e acreditando que o tempo não mudaria, o colega lascou lá, no script do locutor:

– “O Serviço de Meteorologia informa… tempo bom com nebulosidade variável. Ventos do quadrante sul com rajadas frescas. Ausência de chuvas no litoral.Temperatura estável: 28 graus”. Tudo na base do chute.

Pior é que o locutor do horário, o desligadíssimo Edvaldo Alves, mandou o texto pro ar, sem prestar atenção no que estava lendo.

Barbosa olhava pro Aylton Nunes de braços cruzados, prestes a explodir:

– E então já reparou direitinho no tempo, “professor”?

– É, doutor, tá parecendo mesmo um dilúvio! Mas, analisando por outro prisma, o tempo está, realmente, muito bom…

– O quê?! Um aguaceiro desse e você ainda vem me dizer que o tempo está bom! Será que você ficou maluco?

– Eu explico. Por acaso o senhor já parou pra pensar nos coitadinhos dos sertanejos? Me responda, doutor: quando é que o tempo está bom pro sertanejo?

– Quando está chovendo, é claro!

Aylton Nunes encolheu os ombros e concluiu:

– Então… tirando os raios, as trovoadas e os coriscos, o tempo não está bom pra nós aqui, na Capital, mas está ótimo para os nossos irmãos sertanejos!

 

 

E quem se importa?

 

Uma loura maravilhosa dirigia por uma estrada secundária com destino à cidade de Canapi. Era noite escura de não se enxergar um palmo adiante da venta. Aí, o carango quebrou. Contrariadíssima, a gostosura saiu a pé a procura de socorro, até que foi bater num sítio onde tinha um velhusco encostado na porteira. Então, a loura falou pra ele:

– Senhor, o meu automóvel quebrou naquela estradinha ali adiante, e não sei o que fazer esta hora. Será que eu podia dormir aqui esta noite até o dia clarear e eu conseguir alguma ajuda?

E o velho:

– Pode, contanto que vosmicê num se meta cum os meus dois fio.

Mal o ancião acabou de falar, surgiram dois garotões fortões, bonitões e ficaram reparando na criatura que, a seguir, foi levada pelos sobreditos até o quarto de hóspedes. Mas cadê que a loura conseguia dormir? No meio da noite, ela se levantou e foi ver os rapagões:

– Meninos, vamos nos divertir?

Os rapazes se animaram.

– Mas tem uma coisa – explicou a loura – eu não quero ficar grávida. De modo que vocês vão ter que usar essas camisinhas no pinto, certo?

E transaram adoidado. De manhã cedo a loura mandou consertar o carro e arribou no mundo.

Três meses depois, os garotos se encontravam sentados na varanda de casa pitando os seus respectivos cigarrinhos:

– Jão?

– Uquié, Zezinho?

– Tá alembrado daquela galega?

– Ora se me alembro…

– Tu s’importa se ela pegá um bucho?

– Eu não!

– Eu tomém não. Vâmo tirá essa porcaria de camisinha da rola?

 

 

A esposinha inocente

 

Conservador ao extremo, congregado mariano desses de comungar duas vezes ao dia, o baixinho Diocleciano Pedro decidiu que, finalmente, deveria casar-se. Mas com uma condição: só levaria ao altar uma virgem, preferencialmente matuta, ingênua em todos os sentidos. Então, encetou viagem pelo interior afora, parando aqui e ali, conhecendo mocinhas e veteranas (de preferência as primeiras citadas) e com elas engatando fugazes namoros. Nada de encontrar a inocente dos seus sonhos. Toda namorada que arrumava, conhecia alguma coisa de sexo.

Depois de cinco meses à procura da mulher ideal, Diocleciano passou a adotar nova estratégia, para não perder tempo com as ditas. Depois dos primeiros contatos, chegava para a criatura puxava a chavasca pra fora e perguntava:

– Sabe o que é isso?

Se a mulher reconhecesse a peça, ele já dispensava.E elas reconheciam.

Um ano depois, ele conheceu no alto Sertão uma moça tímida, linda, puríssima, com tudo em cima. Quando mostrou o piru, ela não reagiu. Sua cara era a de quem não tinha a menor idéia do que negócio era aquele.

Felicíssimo, Diocleciano pediu a moça em casamento, ela aceitou e no dia seguinte os dois já estavam diante do padre, no altar. Na lua-de-mel, ficou nuzão, aprumou o “instrumento” e perguntou à linda esposinha:

– Você sabe o que é isso, meu amor?

E ela, timidazinha:

– Não…

– Você não sabe mesmo o nome disso?

– E ela, com a maior cara de inocência:

– Não.

– O nome disse é piroca!

– Piroca?! Isso?! Nossa! Eu pensava que piroca fosse bem maior e preta, como a do vizinho aqui do lado!