Ailton Villanova

1 de maio de 2018

A grande mentira

Nascido e criado no bairro Poço, em Maceió, ex-aluno da Escola Industrial de Alagoas de saudosa memória, o distinto Eduardo Gomes, bom papo e bastante competente na profissão de topógrafo, belo dia recebeu uma proposta irrecusável para trabalhar no Chile. Isso nos meados da década de 70. Sem pestanejar, largou o emprego que tinha no DER, e começou a arrumar as malas para a viagem.

Dois dias antes de se mandar para plagas chilenas, ele reuniu parentes e os melhores amigos no Jaraguá Tênis Clube e promoveu uma bela festa de despedida. Muita cerveja e uma tremenda batucada. Já no final do furdunço, chegou pra ele o colega Edenilton Vitoriano, sósia do jogador Rivelino, que falou em nome da patota:

– Olha, bicho, não deixe de escrever sempre, tá legal? Nós queremos saber tudo o que está acontecendo naquele país…

E o Dudu, algo preocupado:

– Você tá por fora, rapaz? Pensa que é fácil, assim? Os caras de lá censuram toda correspondencia pra fora do país.

Depois de alguma discussão sobre qual a melhor maneira de se comunicarem com o amigo que estava de partida, os caras combinaram com o Dudu o seguinte código: tudo que escrevesse e que fosse verdade, ele usaria tinta azul. E todas as mentiras ele escreveria com tinta verde.

Finalmente, o Eduardo partiu. Passou-se um tempão e nada de carta. Até que um dia, quando menos se esperava, chegou uma correspondência da lavra do amigo distante, para o endereço do Edenilton. Este reuniu a turma e abriu a carta, debaixo de uma grande expectativa.

A carta estava escrita em tinta azul:

“Caros amigos. O Chile é uma maravilha! Exemplo de Liberdade e Democracia. O presidente Augusto Pinochet, amado pelo povo, certamente se perpetuará no Poder, para a felicidade geral da nação chilena. Aqui, reina a fartura e a tranquilidade. Você encontra tudo o que desejar aqui no Chile. Absolutamente tudo. Exceto tinta verde. Um grande abraço!

 

 

O velhinho e o bicarbonato

 

Pertinho da farmácia do velho Adamastor Nepomuceno havia um grupo escolar, cujos alunos davam um trabalho danado. Um dia, entrou no estabelecimento do ancião o garoto chamado Pedrinho, aluno da referida escola, que pediu 10 cruzeiros (moeda da época) de bicarbonato. Arrastando os pés, o vetusto pegou a escada, encostou numa das prateleiras e subiu até o último degrau . Desceu, entregou o pacote pro menino e guardou a escada. Mal deu a primeira respirada depois do esforço que havia feito, entrou outro aluno da mesma escola, o Jaiminho, que pediu também 10 cruzeiros de bicarbonato. Seu Adamastor repetiu todo o exercício. Não demorou nem um minuto entrou o garoto André Luíz e igualmente pediu 10 cruzeiros de bicarbonato. Quando ainda estava no alto da escada, o ancião viu entrar o Pedrinho.

– E você, menino? Diga logo: também quer 10 cruzeiros de bicarbonato?

– Não senhor.

Seu Adasmastor desceu passou pro André Luiz o seu bicarbonato, guardou a escada, voltou ao balcão e perguntou ao Pedrinho:

– E você o que quer?

– Cinco cruzeiros de bicarbonato!

 

 

Uma conta desconcertante

 

Casado com uma mulher ciumentíssima, o Orégano tinha acabado de tomar o café da manhã, quando o carteiro chamou na porta. Com uma preguiça filha da mãe, ele foi lá, pegou a carta e mal começou a ler a primeira linha, encostou a mulher:

– Que carta é essa, Orégano? Me deixa ver. Iiihhh! É letra de mulher! Olha como você ficou pálido que nem cêra, hein, safado?

E o Orégano:

– Pode ler à vontade… É a conta da sua costureira.

 

 

Um amor de genro

 

Numa festinha da paróquia, dona Antupatra, madame dos seus 120 quilos, os peitos quase caindo nos joelhos, comentava, felicíssima, com uma amiga:

– Estou tão feliz, Amelinha! Você nem imagina quanto!

– Por que tanta felicidade, mulher?

– É que finalmente vou conhecer o Japão! Meu genro me dará a passagem…

– Que ótimo, Tupinha! Você vai sozinha?

– Vou. Meu genro prometeu que vai mandar a passagem de volta quando eu chegar lá. Ele não é um amor?

 

 

O vírus mais importante

 

A turma biritava, numa boa, no barzinho meio derrubado, de  propriedade do popular Benedito Custódio, o “Biu da Cósca”, localizado na beirinha da lagoa Mundaú, bairro da Levada. Entre os presentes encontrava-se o Zezão Pé de Leque, um negrão muito metido a besta. Na mesa que ele ocupava, se achava o galego Zé Lebre. Eles bebiam e viam pela televisão, o noticiário das 8 da noite quando, em dado momento, o apresentador anunciou que o governo estava mobilizando agentes de saúde, para aplicar na população uma eficiente vacina contra o vírus H1N1.

Atento ao noticiário, Zé Lebre aproveitou o momento para ouvir a palavra do colega de copo:

– Ô Zezão, tu que é inteligente pacas e entende das coisas, me diz aí: esse vírus que o locutor falou aí é bacana, mesmo?

E o Zezão, cheio de boçalidade:

– É fraco! Esse vírus num tá cum nada. Vírus quente, famoso mesmo, eu só conheço um!

– E que vírus é esse?

Zezão encheu o peito de ar de mandou:

– É o Vírus do Piranga!

 

Com Diego Villanova