Ailton Villanova

27 de abril de 2018

Um reverendo muito sincero

Sacerdote linha-dura, Onildo Tenório Villanova, o notório Padre Nildo era um homem dos seus 2m10cm de tamanho e dono de uma voz de trovão. Quando ele cismava de abrir todo o volume da sua goela no púlpito, a igreja toda tremia. Calçava 48. Seus sapatos eram feitos sob encomenda ao  sapateiro Edgard Trindade, também conhecido como “Piloto”, cuja oficina ficava bem pertinho do Cais de Santa Rita, no velho Recife. Padre Nildo apreciava viajar pelo mundo afora, isso quando o tempo lhe permitia, ou a Igreja autorizava. Uma das características de sua personalidade era a sinceridade.

A bordo de um ônibus pouco confortavel, um belo dia, ele estava retornando de uma viagem à Ciudad del Leste, onde fora assistir a uma conferência religiosa, quando, no meio do caminho, subiu uma passageira nariguda e peituda, que sentou-se ao seu lado. Depois de ajeitar-se toda na poltrona, ela se virou para o sacerdote e perguntou:

– Padre, o senhor me concede um minuto da sua paciência?

E ele, bastante compreensivo:

– Pois não, minha filha…

– É o seguinte, padre: eu comprei no Paraguai este aparelho aqui, ó… É um depilador eletrônico. O senhor se importa em escondê-lo debaixo de sua batina? É só para o caso de passarmos por uma revista da alfândega.

Padre Nildo pensou um pouco e respondeu:

– Posso guardá-lo, não há problema. Mas tenho que avisá-la: se me perguntarem alguma coisa a respeito, eu não vou mentir, tá certo assim?

– Tá certo, padre. Deus lhe pague!

A viagem continuou tranquila e a mulher torcendo para que ninguém perguntasse nada ao sacerdote. No entanto, logo adiante, o ônibus foi parado por uma blitz da aduana e um fiscal abordou o religioso com muito respeito:

– Alguma coisa a declarar, padre?

E ele, bastante sincero:

– Da cabeça à cintura, não tenho absolutamente nada.

– E embaixo? – indagou o fiscal, algo desconfiado.

– Ah, embaixo só um instrumentozinho para mulheres, que nunca foi usado…

 

 

O alvo era o Ronaldo!

 

Paranaense radicado em Alagoas há milhões de anos, o galego Álvaro Cleto tirou férias do trabalho, pegou um avião no aeroporto Campo dos Palmares e se mandou pra Curitiba, afim de matar as saudades mãe, dona Alzira, de saudosa memória. Ocorre, que a aeronave teve de descer no Rio de Janeiro, onde faria uma conexão fora do roteiro programado. Naquilo que desembarcou no Aeroporto Tom Jobim, o galego se viu rodeado de um monte de gente. Um puxava pra lá, outro puxava pra cá… aquela confusão! Ao se livrar daquela gente muito louca, Álvaro procurou reparar direitinho no que estava acontecendo e viu que era um monte de fotógrafos. Aí, inflou o peito, fez uma pose de galã e disse:

– Calma, guris! Calma! Como é que vocês querem que eu saia…?

Um dos fotógrafos respondeu:

– Nós queremos que você saia da frente, pra podermos fotografar o Ronaldo!

O Ronaldo tão referido era o famoso atleta da seleção brasileira de futebol, à época no auge da fama.

 

 

 

Faltou o óbvio!

 

O finado Tonho da Nóbrega era um baixinho recifense que jogava adoidado, nas antigas corridas de cavalo promovidas pelo Joquei Clube de Olinda. Era um viciado. Um dia, tomou a iniciativa de se livrar desse hábito danoso. De modo que foi ao consultório do terapeuta Josias Maciel e contou o seu drama.

Depois de seis consultas, o terapeuta entendeu que era chegada a hora de testar o paciente, acerca do seu progresso no tratamento por ele aplicado. O doutor pegou um album com algumas figuras, abriu a primeira página e tinha lá um cavalo sem cabeça. Exibiu a figura pro Nóbrega e pediu:

– Olhe para aqui e me diga o que está faltando.

E o baixinho, sem titubear:

– O jóquei!

 

 

Entregou o patrão!

 

Garoto muito bom, dedicadíssimo ao trabalho e muito leal ao patrão, o Jorginho Berval estava saindo às pressas do escritório onde trabalhava como boy, no antigo Jaraguá, quando foi abordado pela mulher do chefe:

– Ei, rapaz! Onde pensa que vai?

– Eu vou dar um pulinho alí no bordel do seu Mossoró, dona Zitinha!

      – Olha o respeito, menino! Isso são modos de falar com uma madame? E tem mais: além de você ser de menor idade, está em horário de trabalho. Você não vai pra canto nenhum! Vai ficar aqui!

E ele:

– Tá bem. Nesse caso, eu vou dizer ao doutor Rubens, seu marido, que a senhora não me deixou ir na zona apanhar o guarda-chuva, que ele esqueceu lá, ontem à noite!

 

 

Coitado do pai!

 

Rose Lessa, aquela lourinha do olhinho verdinho, resolveu trocar a redação do jornal por uma sala de aula. No primeiro dia na nova função, ela, querendo se entrosar com a turma, procurou saber o que faziam os pais da garotada:

– Mauricinho, eu quero saber qual a profissão do seu pai…

– Meu pai é comerciante, tia Rose! – respondeu o menino.

– Ah, muito bem. E o seu pai, Caio? O que ele faz?

– Ele é gerente de banco.

E assim a ilustre mestra foi percorrendo a lista de chamada até que chegou a vez do Sid Clay:

– E o seu pai, trabalha em quê?

E o menino, todo lacrimoso:

– Meu pai… snif… morreu semana passada.

– Ah, eu não sabia. Meus pêsames. Mas o que ele fez antes de falecer?

– Cof… cof… Adrrrgh… Ooohhh…

 

Com Diego Villanova