Ailton Villanova

19 de abril de 2018

“Zé Pinguelo é a mãe!”

Nascido no alto Sertão das Alagoas, o veterano José Clitório do Nascimento teve de viajar quilômetros e quilômetros desde Dois Riachos até Maceió,  para tratar de sua aposentadoria. Naquela época esse tipo de assunto só podia ser resolvido na Capital. Orientado por um vereador de sua cidade chamado Zezito Pontes, e de posse de um pedaço de papel com algumas anotações, ele foi bater no finado INPS, localizado na praça dos Palmares. Lá, dirigiu-se ao setor específico, onde lhe exigiram mais “papéis”, incluindo aí uma tal de “Folha Corrida” da polícia. Mesmo aborrecido por ter que caminhar mais do que já caminhara, seu Clitório procurou a Delegacia de Polícia do 1º. Distrito, localizada no centro da cidade, onde foi recebido na base da gozação.

Clitório entrou na repartição policial suando por todos os poros e exalando um cheiro de sovaco aloprado. No local já tinha um monte de gente aguardando a oportunidade de ser atendida. E chegando mais! Quando pintou a sua vez, o agente de serviço na recepção, chamado Ednaldo Pereira, perguntou:

– O que o senhor deseja?

E o sertanejo:

– Eu vim tirá um decumento chamado “fôia currida”, quié pra mode me apusentá.

– O seu nome, por favor?

– Zé Critóre…

– Como é? – insistiu o policial com ar de riso.

– Zé Critóre do Nascimento.

Aí, o policial não conseguiu se segurar. Abriu na risada. Atrevido, o matuto não gostou de ser gozado e reagiu, na hora: espetou o dedo indicador no peito do policial e perguntou:

– Duquié qui vosmicê tá rindo, com essa sua cara de rapariga?

E o agente, sem parar de rir:

– Zé Clitório? Isso é nome de gente, meu amigo? Rá, rá, ráááá…

O matuto malcriou-se ainda mais:

– E se num é nome de gente, duquié, intão?

– Clitóris é o nome daquela pecinha que tem parte na íntima  da mulher, chamada pinguelo.

O matuto invocou-se ainda mais:

– Me arrespeite cabra safado! Vosmicê fique sabendo que pinguelo

é a veínha sua mãe e toda a sua famía! E sabe duma côiza? Quero mais tirá essa merda de decumento, não. Pegue ele e enfie no rabo!

 

 

O suicida azulino

 

O popular Açuceno Anilino andava todo pra baixo. Estava numa depressão filha da mãe. Um dia, seu problema se agravou, ele subiu no elevado construído em frente ao Centro Educacional e de Pesquisas Aplicadas (Cepa), no bairro Farol, e ameaçou se jogar no asfalto. Criou uma confusão danada! Até o trânsito parou na avenida Fernandes Lima. Em menos de10 minutos o local estava isolado. Repórteres de jornal, de rádio e de televisão, cada um procurando o melhor ângulo para registrar o fato.

Aí, chegaram as polícias militar e civil e os heróicos bombeiros. Um oficial desta última corporação, treinado em gerenciamento de crises, dirigiu-se ao Açuceno:

– Meu amigo, não estrague a sua vida…

E o cara:

– Eu vou pular! Tô de saco cheio de tudo!

– Vale a pena não, meu amigo – insistiu o oficial.

– Vou pular!

– E sua mulher? E seus filhos? Já pensou neles?

– Graças a Deus não tenho mulher e nem filhos  .

– E seu emprego?

– Que emprêgo? Tenho emprego, não!

– Então, pense na sua mãe…

– Minha mãe morreu! Sou azulino. Sou torcedor do CSA!

– Então o que está esperando seu imbecil? Se joga de vez!

 

 

Aposta de contrários

 

Numa churrascaria e bar de beira de estrada, lá pras bandas de Palmeira dos Indios, uma turma fazia a maior farra. Em dado momento, um caboco metido a esperto falou pra um matuto baixinho que se achava ao lado:

– Ô Chiquinho, topa brincar de antônimo?

– Que qui vosmicê falô? Brincá de “Ontôinhimo”?

– É. Brincar de antônimo, sim. Antônimo é uma coisa contrária da outra. Por exemplo: alto e baixo, forte e fraco, entendeu?

– Intindi. Intonce vamo brincá! Uquí vai valê?

– Uma cerveja, certo? Eu começo.

Começaram a brincadeira, e o espertalhão falou:

– Gordo?

E o baixinho:

– Mágo!

– Homem?

– Mulé!

– Preto?

– Branco!

E o espertalhão:

– Verde?

– Verde? Nada! Verde num tem ontôinhimo não!

– Claro que tem!

– Intonce isprica!

– Maduro!

– Arre égua! Perdi a pósta Vamo dinôvo, valendo ôtra celveja?

– Pode começar!

– Saúde?

– Doença!

– Muiádo (molhado)?

– Seco!

Aí, o matutinho provocou:

– Agora tu vai si ferrá, seu fidaégua! Qué vê só? Fumo!

– Não, não! Peraí! Fumo não tem antônimo!

– Cráro qui tem, sim sinhô!

– Então diz aí, qual o antônimo de fumo?

– Vortêmo!

 

Estratégia pedregosa

 

Dois bêbados caminhavam por uma rua deserta do bairro da Pitanguinha, quando deram de cara com um pé de mangas, carregadinho. Começaram a jogar pedras, até que ficaram cansados e com a língua de fora. Um deles falou pro companheiro:

– Ô Sindibaldo, já tem um tempão que estamos aqui jogando pedras e não derrubamos nenhuma manga! Vai procurar uma escada.

Sindibaldo se mandou e depois de algum tempo voltou com uma escada.

– Vamuvê agora! – disse.

– Agora tu sobe pra ver se tem alguma manga madura.

Sindibaldo subiu, apalpou a primeira e gritou para o colega:

– Olha, Biguá, esta aqui está madura!

– É mesmo? Então desce pra gente derrubá-la na pedrada!