Ailton Villanova

24 de março de 2018

O riso fatal retardado

O leitor bem informado, conforme é o seu caso, sabe muito bem que naquela guerrinha safada de 2008, entre Estados Unidos e Iraque, registraram-se as ecléticas presenças de voluntários de todas as bandas deste mundo velho de guerra. Teve gajo até de Portugal.

Num lance esperto, iraquianos conseguiram render pelo menos quatro desses voluntários – muito dos folgados, diga-se de passagem – que davam sopa nas ruas de Bagdá. Como esses iraquianos estavam dispostos a curtir um barato diferente, o chefe deles propôs aos capturados – que eram um americano, um japonês, um espanhol e um português – o seguinte:

– Vamos fazer um teste com vocês…

– Que espécie de teste? – quis saber o americano.

E o chefe Iraquiano:

– É o seguinte… cada um de vocês terá de contar uma piada. Aquele que conseguir que todos achem graça, será liberado numa boa. Caso contrário, será eliminado sumariamente, tá legal?

– Tá legal.

O primeiro foi o americano, que contou uma piada engraçadíssima. Todos riram, menos o português. O comandante dos iraquianos, reparando na impassividade do lusitano, deu a ordem:

– Executem esse americano sem graça!

E lá se foi o pobre gringo.

O próximo foi o japonês. Ele contou uma piada mais engraçada ainda. Mais uma vez todos caíram na gaitada, menos o tal português. O comandante iraquiano deu nova ordem:

– Passem fogo nesse japa que não sabe contar piadas!

E chegou a vez do espanhol.

Assim que ele começou a contar a mais cruel das piadas, o português explodiu na gargalhada. E ria e ria sem parar. Ninguém estava entendendo o gajo. Até que o líder dos iraquianos perguntou:

– Que é que há português?  Mal o espanhol começou a contar sua piada, você danou-se a rir! Está rindo do quê?

E o portuga:

– Ah, ah, ah! Muito boa, a piada do americano!

 

Sapatos novos

Dona Cleonilda Gameleira voltou das compras toda contente. Chegou pro marido Aribaldo e mostrou um par de sapatos zerados que acabara de adquirir. Aribaldo elogiou a compra:

– Puxa, mulher, que sapatos bonitos! Onde você comprou?

– No shopping! – ela respondeu toda orgulhosa.

– Qual deles?

– Todos os dois!

 

Presente de Natal

A proximidade do Natal me traz à lembrança um episódio hilário protagonizado pelo inteligente e culto Jotajó.

Momentos antes da ceia natalina, o sobredito chamou o filho Júnior, lhe exibiu um pacote e disse emocionado:

– Filhinho, aqui está o videogame que você tanto queria. Agora, cuide bem dele. Você sabe que o papai é pobre, não sabe?

– Sei, pai.

– Fiz um sacrifício danado para lhe comprar esse videogame. Inclusive, tive de vender o televisor.

 

Frutos do mar

Puxando o maior fogo o popular Ezíquio Bonfim entrou no bar do Zezéo Abreu, escorou-se no balcão e pediu:

– Desce aí um filé com fritas, uma salada de tomate e mande me servir lá naquela mesa do fundo…

Zezéo apontou para uma placa pendurada na entrada do bar e indagou:

– Por acaso você leu o que está escrito naquela tabuleta? Aqui é um bar e restaurante especializado em frutos do mar, meu amigo!

E o bebão:

– Ah, é? Nesse caso, me veja aí uma banana d’água!

 

Certamente amigos

Na época em que o capitão Virgulino Ferreira, o proverbial Lampião, mandava a desmandava nos sertões de Alagoas, Pernambuco, Bahia e Sergipe, ele admitiu em seu grupo um novo cangaceiro intitulado Jejé, cuja cachola era meio atrapalhada. Logo no seu primeiro dia de trabalho, ele foi designado para a tarefa de sentinela, com a recomendação de avisar ao chefe a aproximação de algum suspeito. Ou suspeitos.

Em dado momento, ele deu o brado:

– Capitão, eu estou avistando a aproximação de uma tropa!

– São amigos ou inimigos, sentinela Jejé?

– Olha, capitão, eu tenho pra mim que são amigos!

– Por que você acha que eles são amigos?

– Porque vêm todos juntos!

 

A grande diferença

Excelente funcionário, o Percilino Ambrósio procurou o patrão para lhe fazer uma reclamação e, ao mesmo tempo, sugerir aumento salarial.

– Seu Androbaldo, o senhor me desculpe, mas do jeito que as coisas vão, não dá! Na minha seção, que é muito trabalhosa, somos eu e o Júnior para cuidar do serviço. Eu ando que nem um louco para dar conta de tudo, enquanto ele fica lendo jornal o dia todo. Além do mais, ganha o dobro que eu!

– Mas o Júnior é meu filho, seu Percilino! – lembrou o patrão.

– Sim… e qual a diferença?

– A diferença é que eu não posso fazer com a sua mãe o que eu faço com a mãe dele!

 

Com Diego Villanova