Ailton Villanova

23 de março de 2018

Swing português

Os portugueses Manuel e Maria Fernandes Prata sempre formaram um casal certinho. Ele, funcionário de uma multinacional, rezava conforme a cartilha conservadora matrimonial; ela, professora, não perdia uma missa dominical, na qual comungava contritamente. Entretanto, belo dia, a vida exemplar desse casal mudou radicalmente; virou de ponta cabeça, assim que pisou em solo brasileiro.

Manuel havia sido transferido de Lisboa para o Rio de Janeiro, onde assumira a gerência-geral da representação da sobredita multinacional. Seus primeiros amigos em terras cariocas foram o vizinho Orégano Messias e sua esposa Valcrísia Teresa, ambos havidos como pessoas degeneradíssimas.

       Certa noite, num jantar íntimo, os novos amigos do casal de portugueses entabularam um papo sobre as coisas boas do casamento, fato que agradou tanto o Manuel quanto a Maria.

– Ora, pois, eu não sabia que tinha tanta coisa maravilhosa para se fazer entre um casal! – manifestou Maria.

– Eu também não sabia. – concordou Manuel.

Aí, muito do safado e já de olho na mulher do lusitano,  o Orégano aduziu:

– No casamento também temos um barato chamado suingue. Que tal a gente experimentar um suinguezinho legal?

O português animou-se:

– Esse suingue viria a ser aquela dança dos Estados Unidos, pois não?

– Não, meu caro Manuel. O suingue a que me refiro é coisa muito mais emocionante. Trata-se de uma troca de casais, entende?

– Ah, já ouvi falaire vagamente.

– Então, vamos experimentar?

Manuel topou a proposta, mas Maria ficou meio cabreira.  Entretanto, dada a insistência do Orégano, os quatro partiram para a experiência. Depois de algumas horas de sexo selvagem, com o dia já raiando, Manuel acendeu um cigarro e comentou:

– Puxa! Foi o maior sexo da minha vida!

– Para mim também! – concordou o Orégano – Embora você tenha  trocado as bolas, achei joia! Não vejo a hora de nossas mulheres saírem do outro quarto para sabermos se elas também gostaram!

 

Mal entendido

Calistrato Jacinto era um matuto atrapalhado das ideias. Certo dia, ele procurou o doutor Cordélio Pinto, porque estava se sentindo uma dorzinha “meio chata” na caixa dos peitos e o facultativo passou a examiná-lo percucientemente. Quando terminou a tarefa, anunciou:

– Identifiquei o seu problema, seu Calistrato. Provavelmente, é uma obstrução na aorta. Leve esse medicamento e passe na região, diariamente, de manhã e à noite. Esse outro medicamento é para o senhor tomar com meio copo d’água. Volte aqui dentro de uma semana.

Sete dias depois, o cara voltou ao médico reclamando das mesmas dores.

– Mas o senhor não melhorou com a medicação que lhe prescrevi? Seguiu direitinho as indicações? – indagou o doutor.

– Cigui inzatamente, dotô!

– Então me diga como seguiu. Em que local o senhor passou o remédio?

Calistrato apontou para o saco e disse:

– Aqui, dotô!

– Mas era para passar aqui! – retrucou o médico apontando para o peito do paciente.

– Ah, dotô, e a horta num é adonde qui fica os tumate?!

 

Tirar pra quê?!

Depois do casamento, Normélio e Caledônia não conseguiram viajar para a lua-de-mel. Tiveram que passar a noite na casa da mãe da noiva, no quarto ao lado do dela, porque o tempo fechara. Quer dizer, chovia demais! A velha achou até bom, porque ficaria de butuca no casal, orelha grudada na parede para ouvir alguma coisa. Daí a pouco, ela ouviu a filha dizer:

– Não, Normelio! Não, não é não!

E o cara:

– Deixa, deixa, amor!

– Deixo não!

Aí, a mãe não conseguiu se segurar:

– Deixe, minha filha!

– Deixo não, maínha! Custou tanto pra entrar e ele agora quer tirar…!

 

Ao pé da letra

O lusitano Joaquim arrumou uma namorada chamada Amélia, coisa mais linda do mundo. Amor recíproco, diga-se de passagem. Certo dia, foram passear de barco no rio Tejo, que não é um rio fraco – é grande e fundo. Lá estavam eles enlevados quando, de repente, a moça falou:

– Manél, tire a minha blusa!

Ele tirou.

– Manél, tire a minha calça!

Ele tirou.

– Manél, agora me empurre toda a sua virilidade. Me mate de amor!

Mais que depressa, o gajo empurrou a amada para dentro do rio.

 

Pior a emenda…

Muito do boçal, o tal de “doutor” Josias Bruzdélio apreciava belas mulheres. Tanto que possuía como secretária a morena Berenice Ardovínia, gostosa e pilhéria. Bruzdélio ficava todo excitado todas as vezes que batia os olhos nela. Para completar, ele contratou a loura Margareuza, que em boniteza e gostosura empatava com Ardovínia. Margareuza ficou na recepção do escritório de Bruzdélio, só atendendo a clientela através do telefone.

Logo no primeiro dia, ela atendeu a um telefonema de certo figurão:

– Gostaria de falar com o doutor Bruzdélio… ele está?

E a loura, querendo ser eficiente:

– Olha, senhor, ele está no banheiro!

Aí, a fidelíssima secretária Ardovínia correu para consertar o erro da novata:

– Não, mulher! Diz que ele está com um cliente!

E a lourinha, toda compenetrada:

– Olha, senhor, corrigindo a informação… O doutor Bruzdélio está no banheiro com um cliente!

 

Com Diego Villanova