Ailton Villanova

15 de março de 2018

Uma sogra muito sacana

Não se pode dizer que o contabilista Pedro Amadeu Alencastro é um sujeito ruim. Muito pelo contrário. Amigão, vive o tempo todo com a venta enfiada no trabalho. Quando lhe sobra um tempinho, ele vai até o campinho de futebol que existe perto de casa e bate uma bolinha com os amigos. Vez ou outra faz um golzinho. Aí, promove aquela festa!

Quando não está se divertindo com a rapaziada, Alencastro faz da família sua companhia predileta. É um excelente caráter e dono de casa idem. O grande problema de sua vida é uma pessoa intitulada Eutanásia, a sogra.

Dona Eucalina é o cão chupando manga, na porta do inferno. Dia desses, por insistência da sobredita figura, ele encheu o carro com tudo quanto foi de familiar – incluindo a fera, naturalmente – e se mandou estrada a fora com destino à Viçosa, a histórica “Princesa da Mata”. Mal ele estacionou o carango para cumprimentar alguns amigos, na entrada da cidade, a velha começou a reclamar: “Agora, sim! Esse papo vai quantas horas, hein, seu folgado? Vamos em frente!”

Muito puto, Alencastro despediu-se dos amigos e foi em frente. Lá adiante, deu de cara com uma blitz.

– Vamos parando aí! – ordenou um guarda buchudo, cheio de direito.

– O que foi que houve, seu guarda? Algum problema?

– Excesso de velocidade! O senhor estava a 130 por hora e a velocidade máxima permitida neste perímetro é 80 quilômetros! – respondeu o guarda. – Quéde os documentos?

– Não, seu guarda! Eu estava exatamente a 80 quilômetros… – contestou o Alencastro.

No banco de trás, a sogra corrigiu:

– Ah, Alencastro, o que é isso? Não seja mentiroso! Você estava a 130… ou mais!

O guarda emendou:

– E tem mais: a sua lanterna direita não está funcionando!

– Minha lanterna?! Eu nem sabia disso! Deve ter pifado na estrada…

E a sogra, novamente:

– Mentindo de novo, não é seu Alencastro? Você vem falando todo dia que precisa trocar a infeliz dessa lanterna…

Alencastro ficou mais puto ainda com a sogra e reagiu:

– Cala a boca, velha filha da puta!

Olha o guarda de novo:

– O senhor está sem o cinto de segurança!

– O quê? Mas eu estava com o cinto. Acabei de tirá-lo para pegar os documentos no cofre do carro!

E a sogra:

– Deixa disso, Alencastro. Você nunca usa cinto!

– Você quer calar essa boca, velha da porra?

Dessa vez o guarda se dirigiu a dona Eucalina:

– Ele sempre grita assim com a senhora?

A sacana respondeu:

– Não, seu guarda. Só quando está bêbado.

Alencastro teve de ser preso. Não por causa das supostas infrações de trânsito enumeradas pelo guarda, mas pela violenta porrada que aplicou no pau da venta da sogra.

 

A bi-filha

Na maternidade, o médico-ginecologista José Carlos Silver, o Doutor Lalo, advertia a jovem mãe interiorana:

– Dona Januária, sua filha está muito bem. Mas eu tenho uma notícia desconcertante para lhe dar: ela é hermafrodita!

– Hermafrodita?! Ôxi, que diabo é isso, doutor?

– Significa dizer que ela tem dois sexos: homem e mulher.

– Minha nossa! Quer dizer que ela tem um cérebro e um pênis?

 

É isso aí, filho!

Encontrava-se o jovem e simpático padre Arnaldo Leitão lendo, tranquilão, o seu Breviário quando entrou na sacristia uma jovem muito bonita, que se lançou pra cima dele:

– Me possua, padre!

O sacerdote deu um pinote para trás e respondeu:

– Não posso minha filha! Dediquei minha vida a Deus e tenho que resistir aos prazeres terrenos!

Aí, a gostosura tirou toda a roupa e repetiu:

– Me possua, padre!

Olhando para a cruz, o reverendo apelou:

– Jesus, o que hei de fazer?

Ouviu-se, então, uma voz forte:

– Vai fundo, filho!

 

Filho desobediente 

Quando o Magnaldo era pequeno todo mundo o elogiava:

– Mas que menino lindo! – dizia um.

– Puxa! Que garoto educado! – falava outro.

– O pequeno aí terá um grande futuro pela frente. Estudioso do jeito que é… – não cansava de repetir a professora Politrudes.

E Magnaldo foi crescendo nesse diapasão. Um dia, inexplicavelmente, ele degringolou e passou a ser evitado pelas pessoas porque havia se transformado num marginal da pesada, consequência de más companhias.

De pitador ocasional de maconha, Magnaldo passou a ser assaltante aloprado e decidiu ir morar na boca mais quente da cidade. Volta e meia estava trocando tiros com a polícia. Até que, um dia, baixou de penitenciária com alguns anos de condenação. Aí, entrou em depressão.

Certa ocasião, na cela que dividia com pelo menos uma dúzia de delinquentes, ele começou a se lamentar:

– Ah, se eu tivesse escutado a minha santa mãezinha…

E depois:

– Ah, se eu tivesse escutado o que minha mãe falou… hoje eu não estaria aqui!

E foi assim o resto do dia, e no seguinte, no terceiro, no quarto, no quinto dia…

– Ah, se eu tivesse escutado o que minha mãe falou…

Até que um dos seus companheiros de cela perdeu a paciência:

– Porra! Não enche o saco, canalha! “Minha mãe”… “Minha mãe”… O que foi que a maldita da sua mãe falou? Diz logo!

E o Magnaldo:

– Ela falou: “Meu filho, se manda pelos fundos, que a polícia vem aí!”