Ailton Villanova

8 de março de 2018

Óbvio flagrante de preconceito

As chamadas elites enfronhadas no bate-bola nacional não suportam o Corinthians, timão adorado pelas camadas mais populares da nação. Discriminado pelos bacanas, o Coringão segue em frente com raça e bravura, vencendo barreiras, e milhões de empecilhos.

Bacana torce é pelo São Paulo, pelo Palmeiras, pelo Fluminense, pelo Coritiba… Povão é Corinthians. Prova de que é alvo do preconceito, está aqui, nas linhas escritas abaixo.

Num começo de noite de movimentado domingo, terminado um jogão entre Palmeiras e São Paulo, no Morumbi, dois rapazes ao saírem do estádio foram atacados por um cão da raça pitbull, escapado de uma das mansões que proliferam na área.

 

Num puro reflexo de defesa, um dos garotos deu garra de um pedaço de pau que se achava sobrando no chão e aplicou violenta porrada na cabeça do animal, que caiu morto no asfalto, botando sangue pela boca e pelos buracos da venta e dos ouvidos. Felizmente, os garotos resultaram ilesos do ataque canino. Muitos populares em volta deles e aí apareceu um repórter de televisão (não foi da Globo não, viu?), microfone em punho, deitando falação e fazendo pose para a câmara:

 

– Pois é, caro telespectador… estamos aqui frente a frente com dois jovens torcedores, que acabaram de ser atacados por um ferocíssimo animal. Um deles, são-paulino, salvou a vida do amigo…

 

– Mas eu não sou são-paulino…! – interrompeu o garoto.

 

E o repórter:

 

– Desculpe-me, deduzi que fosse, considerando que estamos na saída do Morumbi e você parece bem feliz com a vitória do São Paulo…

 

O repórter fez uma pausa, pensou um pouco e em seguida deu sequência a matéria:

 

– Vamos conhecer esse bravo jovem palmeirense que, com muita coragem, evitou uma tragédia envolvendo o seu amigo!

 

Irritado, o rapazinho reagiu novamente:

 

– Mas eu também não sou palmeirense!

 

Todo atrapalhado, o repórter desculpou-se mais uma vez:

 

– Perdão novamente. Apenas deduzi que fosse, já que estamos na frente do estádio do Morumbi, saindo do jogo entre Palmeiras e São Paulo e… Afinal, pra que time você torce?

 

– Eu sou corintiano! – exaltou o garoto.

 

Então, o repórter olhou fixamente para o câmara e lascou lá:

 

– Senhores telespectadores… um minuto de silêncio, por favor! Acabamos de testemunhar este delinquente corintiano assassinar barbaramente um adorável animalzinho doméstico…

 

 

Uma questão de criatividade

 

Flagraram Miosótys, aquela bichona louquíssima, infringindo a lei do decoro e a levaram a presença da autoridade policial, no plantão da Deplan.

– Você estava vendendo sexo na via pública não estava, bicha safada? – berrou o delegado.

– Eeeuuu, doutor? Imagina. Vender sexo, nunquinha!

– Não seja cínica! Se não estava vendendo sexo, o que estava vendendo, então?

– Camisinha. Eu vendo camisinhas e ofereço demonstrações gratuitas!

 

 

Enxergando demais!

 

      Com o juízo cheio de vapor de álcool, o sujeito entrou no boteco suburbano, aproximou-se da mesa onde se achavam dois rapazes extremamente parecidos. Aí, tomou o maior susto:

– Pela madrugada! Acho que tô vendo em dobro!

Um dos caras se apressou em esclarecer:

– Não tem nada de errado aqui, meu irmão. Nós somos gêmeos!

– Jura? Todos os quatros?!

 

 

Acidentado azarado

 

Muquirana ao extremo, Isaac Botelho, o Saco, sofreu um grave acidente com o seu carro importado último modelo. Desesperado, pulou do veículo chorando mais do que bezerro desmamado:

– Eu sou um desgraçado! Olha só o que aconteceu com o meu carrão Mercedes zerinho!

O guarda que chegou para as providências de praxe, não se conformou:

– O senhor sofre um acidente terrível desses, tem um braço arrancado e ainda está preocupado com o carro!

Só então Isaac se deu conta de que tinha perdido um braço:

– Meu Rolex! Meu Rolex!

 

 

 Assalto no açougue

 

Num badalado e gigantesco açougue da capital paulista, para na porta uma exuberante Ferrari vermelha. Dela salta um são-paulino que chega para o açougueiro e indaga:

– O senhor tem picanha?

– Tenho sim, doutor. – respondeu o açougueiro.

– Corta pra mim dez peças, por gentileza. – acrescentou o são-paulino, pagando imediatamente com notas de 100.

Passados alguns minutos, encosta um BMW. Dele desce um palmeirense e se dirige ao açougueiro:

– O senhor tem alcatra?

O açougueiro abriu um riso:

– Tenho.

– Corta trinta quilos, por favor! – pede o palmeirense, que recebe a carne e paga com cartão de crédito Platinum e vai embora logo em seguida.

Mal sai o palmeirense e chega um santista pilotando um Mercedes.

– O senhor tem filé mingnon?

– Temos, claro! – redarguiu o cara do açougue, todo sorridente.

E o santista:

– Corte vinte quilos, se possível.

O santista pagou com notas de 50 e foi embora.

Daí a pouco, chega um Fusca bem velho e todo enferrujado, com um adesivo escrito “Xique no úrtimo” numa lateral, outro no para-brisa com a inscrição “É nóis na fita” e, por último, um escritado no vidro traseiro, nos seguintes termos: “É Deus no céu e nóis no Fusca”.

Do carro saiu um brutamontes com a camisa e o gorrinho do Corinthians, que perguntou ao açougueiro:

– E aí, véio, você tem braço?

– Tenho!

– Então, bota eles pra cima que é um assalto, tá ligado?

 

 Com Diego Villanova