Ailton Villanova

23 de fevereiro de 2018

A mulher e a cura do pinguço

Dizem que o primeiro pileque o Etanólio Bezerra tomou no dia do seu batizado. Pode parecer absurdo um garotinho de seis meses de nascido encher a cara de maneira tão… digamos, irresponsável.
Aconteceu o seguinte: padre Ostílio, oficiante da cerimônia, distraiu-se com as rezas, e deixou o vinho da missa dando sopa. Aí, o garotinho, que era bem vivinho, deu garra da garrafa e bebeu o seu conteúdo quase todo. Daí pra cá não parou mais!
Por incrível que possa parecer, Etanólio conseguiu conciliar a bebida com os estudos e o trabalho durante um bom tempo, dada a severa vigilância que lhe exercia a mãe, dona Hortência. Casou-se com uma vizinha e quando viu que não se livraria mesmo da bebedeira desbragada, ele requereu aposentadoria do trabalho e teve êxito nessa sua pretensão, graças à habilidade de um médico amigo, que também era chegado a um enfrascado alcolífero.
Com o passar dos tempos, Etanólio foi ficando mais displicente em razão do aumento do álcool na corrente sanguínea. Aí, a mulher dele, dona Vilnágria, procurou ajuda médica no sentido de salvar a vida do infeliz. O doutor, então, prescreveu um paliativo, recomendando:
– A solução para o caso do seu marido é bom psicólogo. Essa doença dele não se cura com remédio, a senhora me entende?
– Entendo, doutor.
Dias depois, dona Vilnágria baixou no consultório de um psicólogo, porque o marido continuou bebendo ainda mais, apesar do paliativo prescrito pelo médico. Do alto de sua competência, o psicólogo advertiu:
– O primeiro passo para livrá-lo do vício do álcool é trata-lo com muito carinho. Muito carinho e bastante compreensão…
Nessa mesma noite dona Vilnágria abriu a porta de casa para o marido pinguço, que mal se sustentava em cima das canelas. Ela lhe ofereceu água, cafezinho forte bem quentinho, tirou-lhe a camisa e tentou fazê-lo descansar:
– Vem, meu amor… Vamos pra cama. Já é tarde e você está muito cansado. – ela disse com carinho.
Etanólio reagiu malcriado:
– Qualé, dona? Me deixe ficar aqui só mais um pouquinho, encostado nessa parede. A senhora não conhece a mocréia que eu tenho lá em casa!
Nessa mesma noite o mal-agradecido do Etanólio teve de ser levado ao hospital, porque o pau que levou da mulher foi violento. Santo remédio porque, a partir daí, nunca mais voltou a beber.

Estrada insubstituível
O gordinho Miguel Pierri, dono de importante indústria gráfica de Maceió, inventou de passear de carro com a família, no interior do estado. Programão. Quando chegou à Chã do Pilar, ficou meio embatucado. Aí, encostou o possante veículo num posto de gasolina para se orientar melhor e abordou um velhusco que lá se achava, tirando meleca da venta com a ponta do dedo:
– Bom dia, meu amigo! Por gentileza… esta estrada vai para Palmeira dos Índios?
E o macróbio:
– Agaranto qui num seio, dotô. Mai, se fô, vai fazê uma farta fiada égua!

Cachorro ciclista
Num boteco de beira de estrada um freguês desabafava com um amigo:
– Sabe, Nestor, estou cansado do meu cachorro. Ele persegue qualquer bicicleta!
– E o que você vai fazer com ele, Anfilófio? Vai mandá-lo para o depósito público, ou vende-lo?
– Nada tão drástico. Acho que é só tomar a bicicleta dele.

Sermão longo demais!
Famoso por seus longos sermões, o pastor Leovegildo Saraiva observou que um sujeito se levantava e se ausentava durante parte do culto que administrava.
Depois, já fora da igreja, o pastor encontrou o cara e foi direto:
– Por que você se retirou antes do culto acabar?
– Fui cortar o cabelo! – respondeu o indagado, com a mesma objetividade.
– E por que não cortou antes do culto?
– Porque na ocasião eu ainda não precisava!

Pais com visita
No quarto de dormir, as irmãs Ritinha e Katinha se preparavam para agarrar no sono. De repente, uma delas apurou os ouvidos e falou para a outra:
– Maninha, acho que estamos recebendo visita!
– Como é que você sabe?
– É que acabei de ouvir mamãe rindo das piadas do papai!

Afinador financiado
Um sujeito carregando uma maleta de serviço chamou na cigarra do apartamento de madame Altomásia. Ele atendeu e o cara mandou:
– Boa noite, madame Eu sou o afinador de piano…
– Eu não chamei nenhum afinador de piano!
– Mas os vizinhos chamaram, madame!

Um caso muito grave
Toca o telefone na residência do médico Agribaldo Monteiro, ele atende e reconhece a voz de um colega no outro lado da linha:
– Agri… precisamos de mais de um jogador de pôquer para completar quatro.
– Estou a caminho! – respondeu.
Enquanto ele se vestia para sair, sua mulher perguntou:
– O caso é grave, Agrizinho?
E ele, muito sério:
– Se é? Gravíssimo! Tão gravíssimo que já tem outros três médicos no local.

 

Com Diego Villanova