Ailton Villanova

22 de fevereiro de 2018

Desejos etílicos

Todos os dias, de segunda a sábado, vez por outra aos domingos, os amigões e colegas de copo Alcolídio Salvador, Libanésio Almeida e Etilênio Canabrava se juntavam no Bar Guilha, de propriedade do não menos bruegueiro Alicante Canavieira. No fim de cada mês, o trio recolhia à gaveta do estabelecimento do sobredito quase todo o minguado salário que recebia da empreiteira onde trabalhava. E olhe que eles tinham abatimento especial, concedido pelo dono, porque eram fregueses assíduos.

Alcolídio, Libanésio e Etilênio eram torcedores do Centro Sportivo Alagoano e bastava o time entrar em campo, fosse aonde fosse, vencesse, perdesse, ou empatasse eles comemoravam do mesmo jeito, com bastante ênfase e entusiasmo incomum. Em síntese, o time do Mutange, era o motivo primpordial para as desenfreadas farras do triunvirato.

O Bar Guilha ficava dependurado no barreirão que margeia a linha férrea do Mutange. Quando por lá trafegava um trem com velocidade um pouco mais acelerada, seus habituês começavam a rezar, porque tremia tudo lá por dentro. Num dia cavernoso de inverno, chuva caindo pesada, o bar deslizou lá de cima e veio esbarrar cá em baixo, na avenida Major Cícero de Góis Monteiro. Só não foi parar na lagoa Mundaú porque o muro do estádio do CSA impediu.

Apesar de se dedicar quase que exclusivamente à biritagem, o trio sabia cumprir religiosamente suas responsabilidades como auxiliares de pedreiro. Semana antes do desastre que destruiu o Bar Guilha, os inseparáveis amigos se encontravam enchendo a cara a mastigando canelinhas de caranguejo à guisa de tira-gosto, quando, de repente, sem quê e nem pra quê, o Libnésio saiu com o seguinte papo:

– Ô Alcolídio, quê que tu gostaria que falassem pra tua pessoa no teu velório?

     O indagado limpou o bigode com o costado de uma das mãos e respondeu:

– Mano velho, eu gostaria que falassem que eu fui um caboco honesto pra cacete!

– E tu, Etilênio? – insistiu Alcobácio.

– Bom, eu gostaria que dissessem que fui um cara maravilhoso; excelente pai de família! Mas, já que puxou o assunto, me diga o que era que queria lhe dissessem de você nessa hora soturna?

Alcobácio respondeu:

– Olha, meu, eu gostaria que dissessem o seguinte: “Olhaí, galera, o cara tá se mexendo!”

 

Safou-se numa boa!

Farrista inveterado, Reostato Ribeiro Soares, o notório R.R. Soares (finesa não confundir com o apóstolo) tem uma esposa que é uma fera. Dona Cordália é dessas de sair na porrada com qualquer um, quando se apoquenta. Cheia dos constantes pileques do marido, ela lhe apresentou o ultimato:

– Olhe aqui, seu calhorda… se hoje você chegar tarde novamente, vai dormir na garagem, ouviu?

– Pode deixar, meu amor.

Nessa mesma noite R.R. Soares mandou-se para a boemia e só se lembrou do recado da mulher quando o relógio marcava 4 e meia da madrugada. Aí, disparou pra casa. Quando chegou lá, abriu a porta devagarinho, tirou os sapatos, caminhou pé ante pé até o quarto e entrou silenciosamente. Na hora que estava se deitando, dona Cordália se acordou e perguntou, ainda de olhos fechados:

– É você, Rex?

Nesse momento, Soares teve uma saída esperta: sapecou a língua na mão da mulher e começou a lambê-la.

 

Bondade genial

O popular Avelino Cândido pulou da cama de madrugada, com os gritos da mulher:

– Socooorrro! Incêncio! Acudam aqui! A casa está em chamas! Chamem os bombeiros!

Imediatamente, Avelino tapou a boca da mulher com a mão:

– Grite baixo, meu amor! Desse jeito você acorda a sua mãe!

 

Eita purgante danado!  

O velho Desidério Barbosa voltou ao consultório do médico Zé Dias, todo aperreado. Surpreso, o doutor indagou:

– O que é que há, seu Desidério? Será que o purgante que lhe prescrevi não fez efeito?

– Fez, sim, doutor. Só duas vezes…!

– “Só duas vezes”, como?!

– A primeira cagada começou às 2 da madrugada e terminou às 9 da manhã. A segunda, foi do meio-dia às 11 da noite. Num sabe aqueles cabelinhos que ficam ao redor do cu? Não ficou um só! Eu vim aqui pra saber se há a possibilidade do senhor me passar outro remédio pra trancar de vez o meu rabo!

 

Santo remédio!

Um tal de Antípodas procurou determinado médico, no consultório deste, e desabafou:

– Doutor, tenho andado com uma enxaqueca violenta! Não sei mais o que fazer. Já tomei tudo quanto foi de analgésico e nada!

E o esculápio, do alto de sua experiência:

– Olha, meu caro, isso é bronca safada. Eu, por exemplo, quando estou com dor de cabeça, a única coisa que resolve é muito sexo com minha mulher. Você devia fazer o mesmo…

Depois de uma semana, Antípodas voltou ao médico com a maior cara de satisfação, e ele perguntou:

– E aí, meu amigo? Como está a sua enxaqueca?

– Ah, doutor, o senhor tinha razão. Eu estou ótimo! Ah, a propósito… o senhor tem um lindo apartamento!

 

Com Diego Villanova