Ailton Villanova

7 de fevereiro de 2018

A surpresa do pai avarento

Bastante conhecido na  Zona da Mata alagoana pela sua avareza, seu José Antônio dos Santos era um velho abonado. Do tipo que prefere exercitar-se pulando a porta de casa para não gastar o ferrolho, frequentemente ele batia no peito e proclamava, com uma ponta de orgulho:

– Os pessuá falam qui eu sô unha de fome, mai na verdade eu sô é um hôme prividente, qui incolumiza pra mode tê um futuro mais milhó!

Seu Zé Antônio possuía lá pelas bandas de Viçosa, um monte de terras devolutas, mais de uma centena de imóveis residenciais alugados, três fazendas, cerca de duas mil cabeças de gado e uma charrete, que utilizava nos seus deslocamentos pela região. Dizem os de sua época que ele não era chegado a um banhozinho e quando alguém falava que água não fazia mal a ninguém, ele retrucava:

– E quem dixe que fáis? E dadonde vem as gripe? Munto banho cauza gripe nos cristão. Podem preguntá ao dotô médico!

Em razão dessa sua… digamos assim, ojeriza a água e ao asseio corporal, seu Zé Antônio ganhou o apelido de Bode Cheiroso, mas apenas o compadre Raimundo, padrinho de seu único filho Joãozinho, era autorizado a chamado pela alcunha.

Rapaz inteligente, Joãozinho estudou em escola pública, lá mesmo em Viçosa e na capital, logrando formar-se em medicina. Sua mãe, dona Gerusa, quase morreu de tanta emoção quando o filho diplomou-se doutor. O pai apenas prometeu:

– Vô lhe dá um prezente, viu meu fio? Um presente qui vosmicê haverá de caricê munto na profissão de dotô.

Homem de palavra, apesar da avareza, seu Zé Antônio cumpriu a promessa. Foi até a papelaria de seu Audízio e, todo ancho, pediu:

– Ô Audízio, me veja aí uma canetinha dessas qui já tem tinta dentro…

– O senhor está querendo uma esferográfica, não é? – quis certificar-se o lojista.

– Inzatamente! É pra mode eu dá de presente pro meu fio, num sabe? Ele acaba de se formá dotô-médico e vai tê uma surpresa dos seiscentos diabos!

– Só temos canetas de 5 reais. Não sei se vai ser surpresa tão grande assim!

– Vai. Ora se vai! O minino tava isperando um artomove de presente de formatura!

 

Mentiroso campeão

Em São Paulo, um sueco, um americano e um português lograram classificação como finalistas de um concurso internacional de mentiras (se nessa época o bompartense Benedito Bremó tivesse vivo, com toda certa teria se sagrado campeão). Em meio a uma grande expectativa, o presidente do júri autorizou o início da última etapa, que definiria o vencedor do certame.

A primeira mentira a ser contada coube ao português Joaquim Manuel:

– Na minha terra, existe um sábio que…

Os jurados se levantaram e interromperam o português, com aplausos:

– Já ganhou! Já ganhou! Éééé campeão!

 

Remedinho aloprado

Dona Maria Estrogênia estava ficando careca e, preocupadíssima, procurou um dermatologista. Este examinou detidamente seu couro cabeludo e definiu:

– A senhora vai ter que tomar testosterona!

– Ôxi! Que danado é isso, doutor?

– Testosterona é hormônio masculino.

Mês e meio depois, o médico telefonou para a paciente:

– E aí, dona Estrogênia, o remédio está dando certo?

– Olha, doutor, eu acho que a dosagem do hormônio está um pouco forte!

– Como assim?

– É que começou a nascer cabelo demais e estou ficando mais preocupada que antes…

O médico tentou tranquilizá-la:

– Não se preocupe, dona Estrogênia. Onde está nascendo cabelo?

– Nos testículos, doutor!

 

Gato vilão

Depois de passar a noite na maior sacanagem com a amante, num motel, o Astrarinaldo voltou pra casa acabadão. No banheiro, quando se preparava para lavar o rosto, percebeu que estava com um arranhão na bochecha. Vendo o gato esparramado no sofá do corredor, ele teve uma brilhante ideia: aplicou o maior tabefe no bichano, que saiu miando. escandalosamente.

Com a barulheira, a mulher dele acordou assustada:

      – Que zuada é essa aí?

– Foi o filho da puta do gato! – respondeu Astrarinaldo. – Assim que entrei no banheiro, ele pulou em cima de mim e me fez um baita arranhão na cara!

E a esposa:

– Ele também lhe estranhou, meu amor? Estou achando que esse gato ficou doido! Repara pra chupada que ele deu no meu pescoço!

 

Infrator bastante sincero

Gente fina, o Perônio Batista foi flagrado numa infração de trânsito por um guarda motorizado, quando dirigia seu carango pela Via Expressa.

– O senhor está visivelmente alcoolizado. Desse jeito não pode dirigir! – disse o guarda, educadamente.

E o Batista:

– Queira me desculpar, seu guarda. É que eu e uns amigos paramos num barzinho, lá no Benedito Bentes, e tomamos meia dúzia de cerveja. Acontece que, na hora da saideira, um dos amigos sugeriu: “Agora, vamos de uísque!” Tomamos dois litros, ligeirinho. Depois, tive de levar o Miguel em casa e acabei bebendo mais duas cervejas. Pra não ofendê-lo, é claro.  Quando estava voltando, eu parei no caminho e tomei três latinhas de cerveja…

E o guarda, interrompendo a narrativa do infrator:

– Eu vou ter que pedir pro senhor soprar no bafômetro…

– Qualé, seu guarda? O senhor não acredita na minha palavra?!

 

Com Diego Villanova