Ailton Villanova

2 de fevereiro de 2018

Ganharam os ladrões brasileiros!

Durante quinze de dez, o meu correspondente internacional doutor José Roberto de Melo Sá, atualmente radicado em Brasília, esteve acompanhando, na maior moita, o trabalho incansável e diuturno de cientistas norte-americanos, alemães, russos, franceses e japoneses, que consistiu na bolação de uma máquina complicadíssima, encomendada pela Organização das Nações Unidas. Mas que máquina seria essa?

Bom, a sobredita, fácil de ser transportada, teria a finalidade de identificar ladrões, localizá-los e oferecer todas as dicas à Interpol (Polícia Internacional) fim de que esta, finalmente, pudesse prendê-los num abrir e fechar de olhos. Sua concepção não poderia admitir um errinho, sequer. Uma máquina fenomenal, portanto.

Assim que a deram por pronta, o cientista-chefe do projeto, doutor Bóris Federóvisky, discursou, numa solenidade ocorrida nos Estados Unidos.

– A técnica, a ciência e, enfim, a inteligência humana, estão de parabéns! Criamos a maior máquina de todos os tempos. Que se cuidem os ladrões, porque ela é imbatível!

Mil aplausos.

Outro dos autores do projeto levantou-se questionou:

– E onde estaremos, inicialmente, este nosso sensacional invento?

Respondeu o líder Bóris Federóvisky:

– Aqui mesmo, nos Estados Unidos. Depois, partiremos para outros países, obedecendo a ordem cronológica segundo os critérios definidos em que País se rouba mais.

– É justo! – concordaram todos.

Ligaram a máquina, ajustaram uns botões coloridos e… pimba! Em menos de dois minutos mais de 10 mil ladrões americanos estavam na cadeia!

Diante do estrondoso sucesso, pegaram a máquina e se mandaram com ela a França. Mesmo procedimento e logo estavam vendo o sol quadrado cerca de 7 mil marginais.

– E agora, para onde iremos?

– Ao Brasil! Vamos ao Brasil! – definiu o cientista-chefe. – Em tese, esse seria o País onde a delinquência manda e desmanda.

Vieram ao Brasil. Aqui a máquina não funcionou. Não funcionou pelo seguinte motivo: assim que os cientistas desembarcaram no principal aeroporto de São Paulo, o de Guarulhos, foram assaltados. Os bandidos levaram a máquina e tudo mais o que puderam dos cientistas.

 

Sócio substituto

O sócio do sempre espirituoso doutor Antimóstenes Frutuoso faleceu em consequência de um infarto fulminante. Na hora de seu sepultamento, eis que chega a filha de Antimóstenes com o marido à tira-colo e fala sem rodeios:

– Papai, já que seu sócio Genebaldo morreu, por que o senhor não coloca o meu marido no lugar dele?

E doutor Antimóstenes:

– Olha, filha, converse ali com o pessoal da funerária, enquanto há tempo. Por mim, tudo bem!

 

Bom, demais!

O velho Acebílio foi ao médico. Este quis saber qual o seu problema de saúde:

– O que o senhor está sentindo, seu Acebílio?

E ele:

– Doutor, eu ando com uma retenção de urina danada! De vez em quando, dói pra burro, quando eu vou mijar! Faz mais de um mês que eu num mijo!

– E quantos anos o senhor tem?

– Tô já completando 98 anos.

– Então, tá tudo bem. O senhor já mijou demais!

 

Eram colegas!

O velho Pretextato Gameleira preparava os seus burros de carga para a viagem de volta ao sítio, depois de ter comercializado todo o produto de sua colheita de feijão, milho e mandioca, na feira de Palmeira dos Índios. Os burros do velho agricultor tinham nomes militarizados: major, tenente, capitão…

Em dado momento da arrumação dos muares, ele apelou para o seu auxiliar:

– Ô Zé Maria, botaí a cangalha no major e num s’isqueça de ajeitar os arreios do tenente. Depois, veja direitinho a barrigueira do capitão…

Nesse momento, vai passando um oficial da PM que, ao escutar o que seu Pretextato havia dito, aproximou-se dele, com ar belicoso:

– O que foi que o senhor falou aí?

– Falei com os meus animais. – respondeu o matuto.

– Mas eu ouvi o senhor falar em capitão. E eu sou capitão!

-Ah, é? O meu burrinho aqui também é capitão! Nesse caso vocês são colegas!

 

Bichos traíras

Atrapalhado dos intestinos, seu Febrônio Batista, bastante abatido, deixou o seu sítio na periferia de Quebrangulo e foi procurar o doutor Heliogábalo Tenório, então famoso na cidade, inclusive por causa de suas experiências científicas. Chegou lá, contou o seu drama e Heliogábalo passou a examiná-lo de cabo a rabo. Acabou, pegou o receituário, garatujou um monte de letras, destacou a folha de papel escritada do bloco, entregou ao matuto e disse:

– O senhor está com uma infinidade de bichinhos no organismo. Tome este remédio, para combate-los…

– Êpa! Que bichinhos, doutor?

– Esses bichinhos são vermes, animalucos intestinais também chamados de larvas, que corroem lentamente.

– Ah, bom!

– Então, o senhor tome o remédio aqui indicado para combatê-los e ficar completamente bom.

Seu Febrônio mandou-se pra casa, tomou o remédio, sofreu uma reação tremenda e ficou mais abatido ainda. Por conta disso, resolveu, dias depois, voltar ao médico. Este, ao vê-lo, saudou-o alegremente:

– E então, seu Febrônio? Tudo bem com o senhor?

E o velho:

– Tudo bem nada, dotô! Os bichinho qui eu tinha são tudo traíra: na premêra cagada qui eu dei, adispoi qui tumei o reméido, eles correram  pro lado de fora!

  Com Diego Villanova